Honra no Império - o caso das Louças: fato verídico com a Baronesa de IPIABAS e relato sobre Ana Teresa, filha de Anibal e sua apresentação Formal a SAIR Dona Maria – Sec. XIX e Sec. XX, Rio de Janeiro e São Paulo e Baronesa Muritiba e a Missa Campal comemorando a Lei Áurea


Aníbal de Almeida Fernandes, Novembro, 2014, atualizado Janeiro, 2022.


O 2º Barão de Ipiabas (a 22/7/1882), Francisco Pinheiro de Souza Werneck(contra primo de Anibal pelos Werneck) era filho do Visconde de Ipiabas (Decr. a 17/6/1882), Peregrino José de América Pinheiro, que foi um dos maiores fazendeiros fluminenses e que era irmão de Francisca casada com Joaquim d’Almeida, Barão de Almeida Ramos (Decr. a 18/1/1882) que, por sua vez, é primo 2º do avô de Anibal, Joaquim Rodrigues d’Almeida, ou seja, o 2º Barão de Ipiabas é contra primo de Aníbal.


O 2º Barão de Ipiabas desistiu do café, por causa da decadência dos cafezais fluminenses que perderam quase todo o valor a partir de 1880, provocada pela exaustão da terra e da iminência do término da escravidão. Vendeu todos os seus bens em Valença, por 300 contos de réis (que equivaliam a 20 kg. [300/15] de ouro em 1890, e em 20/1/2022, com a gr. de ouro a R$ 321,61 teríamos R$ 6.432.200,00).


Foto de 1900: Bernardina e Joaquim, avós de Anibal, casal tronco do Ramo Arantes-Araraquara, SP. 



Da esquerda para a direita: Bernardina (1869-1936), no colo Alzira, (1900-1984). Em pé: Mário, (1893-1958), estudou engenharia na Bélgica (1911-1914) advogado (São Francisco, 1923), Vereador (1936) e Prefeito de Araraquara (1931-1932). Joaquim (1866-1937). Na cadeira: Maria, (1898-1969). Em pé: Luisa, (1891-1936). No fim da monarquia, a caminho de Araraquara, SP, por conta da devastadora decadência da região cafeeira fluminense, passaram pelo Rio de Janeiro (foram ao Baile da Ilha Fiscal, junto com os Barões de Muritiba, pois a Baronesa era madrinha de crisma de Bernardina, avó de Anibal, que foi com um vestido amarelo de seda de Macau e com um colar de ouro e esmeraldas, pois as senhoras deviam estar vestidas com as cores do Império). Em 1890, chegaram em Araraquara, depois compraram a fazenda Baguary (a venda do colar de esmeraldas ajudou, pois nessa época do Encilhamento provocado pelo Rui Barbosa a economia estava um caos completo e os antigos Barões na miséria) e Joaquim voltou a plantar café, que é o que ele sabia e gostava de fazer. Tiveram 12 filhos: 1891, 1893, 1898, 1900, 1902, 1905, 1906, 1907, 1910, 1911, 1912, 1914, 6 homens (alguns estudavam no Colégio São Luiz em Itu) e 6 mulheres. Os 6 filhos estudaram em Universidades: Mário, Bernardino e Orlando se formaram em advocacia no Largo São Francisco (SP) e Luiz e José se formaram em Medicina na Praia Vermelha (RJ) e Joaquim abandonou o curso de medicina e cuidou da casa comercial criada por Joaquim para ter fonte de renda alternativa. Em 1936, morrem Luisa e Bernardina e, em 1937, amargurado com esses 2 terríveis golpes e desanimado/desiludido com o café por conta da crise de 1929, Joaquim morre. Em 1938 a Baguary é vendida, (Formal de Partilha, Cartório do 2º Ofício, Araraquara, 7/8/1937)Mário, Luiz e Bernardino Arantes de Almeida são nomes de ruas em Araraquara.


O 2º Barão de Ipiabas para ter renda após a proclamação da República empregou-se como funcionário público e, quando quis assinar como Barão de Ipiabas, foi impedido com rispidez pelo funcionário da repartição, pois havia uma acirrada perseguição aos antigos titulares ligados ao Imperador. (Atualização: 15 contos de réis equivaliam a 1kg. de ouro em 1890).


Logo após a República havia uma grande hostilidade para com os titulares do Império que, muitas vezes, eram ridicularizados e tinham que omitir suas ligações com o Império. Houve exceções, pois o Barão do Rio Branco (Decr. a 16/5/1888) assinou como Barão até a sua morte. Algumas famílias ligadas ao Império, em sinal da profunda perda causada pelo exílio da Família Imperial, tomaram como hábito que as mulheres se vestissem sempre de preto, como foi o caso de minha avó Bernardina (foto acima).


O dinheiro apurado pelo 2º Barão de Ipiabas com a venda de suas fazendas foi posto no Banco do Brasil, que foi levado a uma espécie de falência (Encilhamento, 1891, devido ao grande movimento especulativo que eclodiu na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, foi chamado assim por conta do encilhamento dos cavalos antes do páreo no Hipódromo, quando a atividade dos apostadores fica frenética) provocada pela emissão de 450 mil contos de réis sem lastro real para pagamento dos escravos libertos (que agora ganhavam pelo trabalho) e dos imigrantes e, também, para estimular a criação de novas empresas que, na rapidez do processo, não tinham estrutura operacional para prosperar. Isto fez a inflação disparar e surgiram muitos golpes especulativos, tudo por conta da ânsia do Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, de industrializar o Brasil e favorecer os banqueiros. Este Encilhamento do Banco do Brasil deixou na miséria muitos depositantes, entre eles, o 2º Barão de Ipiabas. Para sobreviver, o casal resolveu leiloar a louça da família e, para isso, a Baronesa de Ipiabas organizou um leilão em sua casa. No dia escolhido caiu uma chuva muito forte e o leiloeiro aconselhou à Baronesa de Ipiabas mudar o leilão para outro dia, porém ela não achou correto fazer tal desfeita aos interessados, pois já haviam anunciado o leilão e não seria ético/honroso/educado voltar atrás cancelando o leilão. Deve-se ponderar que, para os padrões sociais de uma cultura aristocrática, a honra estava acima de qualquer lei. Pouquíssimas pessoas vieram e, entre elas, o 3º Barão de Itapagipe (Decr. a 14/8/1877), Francisco Xavier Calmon da Silva Cabral, que ficou interessado nas belíssimas louças, pela coincidência das iniciais gravadas do Barão de Ipiabas, (BI), que combinavam com as suas, Barão de Itapagipe, (BI), o que faz com que ele arrematasse o lote por 3 contos de réis, um preço baixíssimo considerando a alta qualidade da louça Limòges. Uma semana depois do leilão, a Baronesa de Ipiabas recebe o pedido formal de uma visita por parte do Barão de Itabagipe. Ela concede-lhe a permissão e o convida para um chá no dia seguinte. O Barão de Itabagipe, após o chá, pede desculpa à Baronesa de Ipiabas por ter arrematado as louças por tão pouco e informa à Baronesa que havia mandado avaliar as peças e que o preço correto era de 6 contos de réis e, portanto, o Senhor Barão de Itapagipe, pedia à Senhora Baronesa de Ipiabas, que lhe fizesse o favor de aceitar um outro cheque de 3 contos de réis para o pagamento correto da louça. (Atualização de valor: 6 contos de réis equivaliam a 6/15 = 400 gr. de ouro em 1890 e, hoje em dia, com a gr. de ouro a R$ 321,61 teríamos R$ 128.644,00.


Fontes pesquisadas para estruturar este trabalho:


#Primária: Fato contado por Marcos Vieira da Cunha (meu primo) a Anibal de Almeida Fernandes, na saída do vernissage das aquarelas de SAIR Dom Pedro Henrique, na agência do Banco Itaú, na Av. Brasil, em 1981, SAIR Dom Pedro Henrique morreu neste mesmo ano. Foi a última visita do Imperador (como Marcos e eu chamávamos D. Pedro Henrique de Orleãns e Bragança) a São Paulo em companhia de SAIR Dona Maria da Baviera a quem já viúva, em 1989, eu apresentei protocolarmente minha filha Ana Tereza (12 anos) no Clube São Paulo, (atual Iate clube de Santos), av. Higienópolis, SP, comemorando os 100 anos da apresentação formal de Joaquim e Bernardina, recém casados, meus avós, e bisavós de Ana Tereza, a SMI D. Pedro II no Paço Imperial tendo por padrinhos, conforme exigia o protocolo imperial, os Barões de Muritiba, (que os acompanharam, meses depois, ao baile da Ilha Fiscal, a baronesa, Mariquinhas,  era madrinha de crisma de Bernardina, avó de Anibal e esteve com meus avós no Baile da Ilha Fiscal, 9/11/1889). Os barões de Muritiba acompanharam a Família Imperial no exílio, nas fotos acima, a Baronesa em foto tirada em Paris em 1890, foto com a Princesa Imperial e o Barão Muritiba em 1870.


Fotos Muritiba: Mariana de Aguiar Ferreira Muaze = Os guardados da viscondessa: fotografia e memória na coleção Ribeiro de Avellar




Nota: O scholar de Princeton, Stanley J. Stein, em seu livro Vassouras, a Brazilian Coffee County, 1850-1900, editado pela Harvard Historical Studies, nas pgs. 16 e 121, informa que os grandes clãs familiares de Vassouras eram: Correa e Castro, Werneck, Ribeiro de Avellar, Paes Leme, Teixeira Leite e Avellar e Almeida. 


 


O casal Manoel e Susana de Avellar e Almeida, 4ºs avós de Anibal, era dono da Fazenda Boa Vista do Mato Dentro conforme o Inventário nº 435 da Caixa nº 90 do Centro de Documentação Histórica da Universidade Severino Sombra, de Vassouras informado nas pgs 280, 281, 282 e 305 do livro E o Vale era o escravo, do autor Ricardo Salles.


 


Vassouras, 1859: Casarões de Manoel Avellar e Almeida, 4ºavô de Anibal, (esq) e do Visconde Cananéia primo de Anibal e neto de Manoel Avellar e Almeida (dir).



Marcos Vieira da Cunha convida Anibal para vernissage de SAIR D. Pedro Henrique d’Orleans e Bragança, 1981, foi a ultima vez que SAIR Pedro Henrique veio a São Paulo.



 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes