A Religião do Egito desde 4400 aC. e as várias semelhanças com o Cristianismo.

Autor: Anibal de Almeida Fernandes, Maio, 2011.

O HOMEM começa a ser HOMEM quando passa a enterrar os seus mortos. Este é o marco divisório entre o símio e o primeiro homem e ocorreu há cerca de 40.000 anos, antes mesmo da agricultura, com o Homo sapiens e o Homo neandertal, este é o fato que define o início da história humana. A família é formada pelo culto aos seus ancestrais mortos e a propriedade da terra, sempre guardada pelos deuses Termos que fixam os seus limites e pelos Manes que são os ancestrais mortos, ou seja, os deuses do lar da religião doméstica de cada família.

 O Livro dos Mortos

Ressurreição e vida futura, a grande idéia central da imortalidade, o viver no além túmulo, a natureza divina e o julgamento moral dos mortos, tudo isso está registrado na coleção de textos religiosos que é o Livro dos Mortos, cujo verdadeiro nome é “Saída para a Luz do Dia” e é considerado o 1o livro da humanidade.

O medo do desconhecido foi a causa que impulsionou o homem, apavorado com os trovões e raios, terremotos e vulcões, para um ser superior a ele que, assim, se manifestava para o homem sobre as coisas do seu entorno.

Com o tempo, há uma evolução e o homem começa a temer as ações desse ser superior sobre sua própria vida e, depois, em suas manifestações depois da sua morte, nesse ponto o homem desponta como ser humano, e começa há, aproximadamente 40.000 anos atrás, enterrar os seus mortos e a lhes oferecer meios de sobreviver na vida eterna em suas tumbas, numa prática de oferendas mortuárias que perdura até hoje, através das ofertas de flores e alimentos e outras dádivas nas sepulturas ou altares caseiros (como é comum na Ásia).

O ritual de oferecer uma refeição sobre o altar dos ancestrais mortos, que são os deuses do lar, é a mais antiga e duradoura forma de ato religioso conhecido no mundo em todas as civilizações.

No Egito, desde 4400 aC., no reinado de Mena o 1º rei histórico do país, I Dinastia, o egípcio esperava comer, beber, e levar uma vida regalada na região em que supunha estar o céu e ali partilharia para sempre, em companhia dos deuses, de todos os gozos celestiais. Já na IV dinastia, 3800 aC., todos os textos religiosos indicam que se proteja o corpo por inteiro, que deve ser mumificado/embalsamado, com o seguinte procedimento:

o cérebro do cadáver era extraído pelas narinas, as entranhas pelo anus, ou por uma incisão na barriga; por fim o coração era retirado e substituído por um escaravelho de pedra. Seguia-se uma lavagem e salgação, onde o cadáver ficava por um mês. Era secado novamente por outro mês ou dois. Para evitar a deformação, o corpo era recheado de argila, areia, rolos de pano de linho, inclusive os seios, e embebidos em drogas aromáticas, ungüentos e betume. Geralmente o amortalhamento era feito em vários ataúdes de madeira, uns dentro dos outros e, finalmente, colocado em um sarcófago de pedra.

 O homem egípcio e sua composição conceitual

A religião egípcia elabora uma conceituação complexa, e sofisticadíssima, para entender/explicar a natureza do homem, que para os egípcios é composto de 8 partes:

“O corpo físico era o CAT. Ligado a esse CAT estava o duplo do homem o CA, cuja existência é independente do CAT podendo ir para lugares à sua vontade, as oferendas são para alimentar o CA que come, bebe e aprecia o cheiro do incenso. À alma chamava-se BA que é algo sublime, nobre, poderoso. O Ba morava no CA e tinha forma e substância e aparece como um falcão com cabeça humana nos papiros. O coração, AB, era a sede da vida humana. A inteligência espiritual, ou o espírito do homem era o CU que era a parte brilhante e etérea do corpo e vivia com os deuses no céu. Outra parte do homem que também ia para o céu era o SEQUEM que era a sua força vital. Outra parte do homem era o CAIBIT, ou sombra, sempre considerada próxima à alma, o BA. Por fim, temos o REN que é o nome do homem e que é uma de suas partes mais importantes, pois se o nome for eliminado poder-se-á destruir o próprio homem.

Resumo: o homem se constitui de:

corpo, duplo, alma, coração, inteligência espiritual, poder vital, sombra e nome, e essas 8 partes podem se reduzir a 3 partes corpo, alma e espírito, deixando-se de lado as 5 outras”.

Na V dinastia, 3400 aC., afirmava-se de modo preciso:

“A alma para o céu e o corpo para a terra”.

O julgamento da alma e a vida eterna

A religião egípcia, como em todas as outras religiões antigas, com exceção do Budismo, apresenta os deuses como seres com os vícios e virtudes dos homens, porém muito mais sábios e com a magia que os torna muito mais poderosos.

Graças ao Livro dos Mortos, o defunto pode vencer todos os obstáculos e ser convertido em Espírito Santificado,após cruzar os 21 pilares, passar pelas 15 entradas, e cruzar 7 salas até chegar frente a Osíris e aos 42 juizes que irão julgá-lo. E graças ao Livro dos Mortos, ele sabe o que pode salvá-lo e conduzi-lo à morada dos deuses após transpor as Portas da Morte, onde, no Campo de Paz, gozará os prazeres da Vida Eterna entre os deuses.

O Livro ajuda a alma a se refazer do susto da morte quando tenta voltar ao corpo, porém os deuses encarregados de guiá-la, arrastam-na para longe do ataúde. Sempre guiada, a alma atravessa uma região de trevas, o Aukert, o Mundo Subterrâneo, sem ar e água, difícil e muitas vezes obstruída. Depois ela chega ao Amenti, onde mora Osíris que, imóvel e enigmático, contempla a alma tendo atrás de si suas irmãs, e esposas, Ísis e Néftis;a alma é conduzida por Horus, e Anúbis verifica o fiel da balança, e pesa o coração do defunto nesta balança, junto a uma pena, na presença da deusa da Justiça/Verdade, Maât, que não toma parte no julgamento, e mais os 42 deuses (cada um representa um nome do Egito) e, ante cada um, o falecido interpela o Deus pelo nome e declara não ter cometido determinado pecado é a “Confissão Negativa” do papiro de NU (O Juízo Final e os 10 Mandamentos):

“Nada surja para opor-se a mim no julgamento, não haja oposição a mim em presença dos príncipes soberanos, não haja separação entre mim e ti na presença do que guarda a Balança. Não deixe os funcionários da corte de Osíris (cujo nome é: “O Senhor da Ordem do Universo” e cujos 2 Olhos são as 2 deusas irmãs, Ísis e Néftis) que estipulam as condições da vida dos homens, que meu nome cheire mal! Seja o Julgamento satisfatório para mim, seja a audiência satisfatória para mim, e tenha eu alegria de coração na pesagem das palavras. Não se permita que o falso se profira contra mim perante o Grande Deus, Senhor de Amenti”.

É de um texto da época de Mencau-Ra (Miquerino para os gregos) 3800 anos aC., IV Dinastia. E Tot anota o resultado e faz o seguinte discurso aos deuses:

“Ouvi esse julgamento, ............ verificou-se que ele é puro, ............ e ser-lhe-ão concedidas oferendas de comida e a entrada à presença do deus Osíris, juntamente com uma herdade perpétua no Sekht-Ianru, o Campo de Paz (Paraíso), como as que se consideram para os seguidores de Horus”.

O papiro de NU permite observar que o código moral egípcio era muito abrangente, pois o falecido afirma que não lançou maldições contra deus, nem desprezou o deus da cidade, nem maldisse o Faraó, nem praticou roubo de espécie alguma, nem matou, nem praticou adultério, nem sodomia, nem crime contra o deus da geração, não foi imperioso ou soberbo, nem violento, nem colérico, nem precipitado, nem hipócrita, nem subserviente, nem blasfemador, nem astuto, nem avaro, nem fraudulento, nem surdo a palavras piedosas, nem praticou más ações, nem foi orgulhoso, não aterrorizou homem algum, não enganou ninguém na praça do mercado, não poluiu a água corrente pública, não assolou a terra cultivada da comunidade (uma espécie ampliada dos 10 Mandamentos dos cristãos).

Desde os tempos mais remotos, (II Dinastia), a religião egípcia tendeu para o monoteísmo que aflorou na XVIII Dinastia, 1500 aC., com Amenófis IV (ou Akhenaton) e sua rainha Nefertiti, a Bela, e seu deus Aton para quem constrói uma cidade fora de Tebas, Tel El Amarna, esse culto durou apenas no seu reinado e, depois, foi proscrito de todo Egito.

Lembremos que os seguidores de cada grande religião do mundo nunca se livraram das superstições que sabiam ser produto de seus antepassados selvagens e que, em todas as gerações, as herdam de seus avós e, o que é verdadeiro em relação aos povos do passado é verdadeiro, até certo ponto, em relação aos povos de hoje. No Oriente, quanto mais velhas forem as idéias, crenças e tradições, mais elas serão sagradas.

No Egito foi desenvolvido um códice de elevadas concepções morais e espirituais, extremamente sérias e maduras, entre elas, a do DEUS UNO, auto gerado e auto existente, que os egípcios adoravam (como o Deus cristão).

 A criação do Mundo conforme os egípcios

 

Houve um tempo em que não existia nem céu, nem terra, e nada era senão a água primeva, sem limites, amortalhada, contida em densa escuridão (e Deus fez a Luz dos cristãos),nessas condições, permaneceu contida esta água primeva por tempo considerável, muito embora contivesse dentro de si os germes de todas as coisas que, mais tarde, vieram a existir neste mundo, e o próprio mundo. Por fim, NU, o espírito da água primeva, o pai dos deuses, sentiu o desejo da atividade criadora e, tendo pronunciado a palavra, o mundo existiu imediatamente na forma já traçada na mente do espírito e antes de se pronunciar a palavra, (o Verbo Divino dos cristãos) que resultou na criação do mundo. O ato da criação, seguinte à palavra, foi a formação de um germe, ou ovo, do qual saltou Ra, o deus sol, dentro de cuja forma brilhante estava incluído o poder absoluto do espírito divino, o criador do mundo, Ra o deus sol, adorado desde os tempos pré-históricos sendo, em 3800 aC. na IV Dinastia, considerado o rei de todos os deuses e suas oferendas são apresentadas por Osíris que, mais tarde, suplantará .

Papiro de Hunefer (1370 aC.), XVIII Dinastia: homenagem a ti que é quando te levantas e Temu quando te pões, .................... És o senhor do céu, és o senhor da terra; o criador dos que habitam nas alturas e dos que moram nas profundezas. És o Deus Uno que nasceu no principio dos tempos, criaste a Terra, modelaste o Homem, fizeste o grande aqüífero do céu, formaste Hapi, (o Nilo), criaste o grande mar e dás vida a quantos existem dentro dele. Juntaste as montanhas umas às outras, produziste o gênero humano e os animais do campo, fizeste os céus e a terra, ............Salve, oh tu, que pariste a si mesmo. Salve Único Ser poderoso de miríades de formas e aspectos, rei do mundo. Homenagem a ti Amon-Rá que descansas sobre Maât, ............És desconhecido e nenhuma língua será capaz de descrever seu aspecto; só mesmo tu, ....... És Uno, ......... Os homens te exaltam e juram por ti, pois é senhor deles. .......Milhões de anos passaram pelo mundo, .......... seu nome “Viajor”.

Papiro de Nesi Amsu (300 aC.): o deus solar, evolveu do abismo aqüífero primevo por obra do deus Quépera, que produziu esse resultado pelo simples pronunciar do próprio nome e que seu nome é Osíris, a matéria primeva da matéria primeva, sendo Osíris como resultado disso, idêntico a Quépera no que respeita suas evoluções.

 Osíris, deus da ressurreição e da vida eterna nos Campos de Paz

E a criação do mundo


Um dos mais fundamentais mitos da religião egípcia é a lenda que conta como Osíris foi assassinado pelo irmão Set que o esquarteja e distribui pedaços pelo Egito. Ísis irmã e esposa de Osíris, consegue ressuscitar seu irmão esposo Osíris e com ele ter um filho, Horus, que vinga o pai Osíris trucidando o tio Set. Esse mito foi absorvido pela religião cristã com o renascimento de Cristo.


Os egípcios, de todos os períodos dinásticos, acreditavam em Osíris que, sendo de origem divina, padeceu a morte e a mutilação sob as potências do mal, após grande combate com essas potências e voltou a levantar-se, tornando-se dali para adiante, rei do mundo inferior e juiz dos mortos e acreditavam que, por ele ter vencido a morte, os virtuosos também poderiam vencê-la, (Cristo morre e ressuscita). Osíris é a união do Sol e da Lua e foi morto e esquartejado em 14 pedaços por seu irmão Set, filho de Seb e Nut e marido de Néftis, que espalhou seus membros por todo o Egito, isto é, todo o Universo, pois ao separar a dupla original, o Sol e a Lua, Set dá origem aos planetas, às estrelas fixas, a todos os seres da Natureza, tudo isso nascido dos membros de Osíris, que foram arrancados e disseminados por todo o Universo, o Egito. Entretanto Osíris, ligado à morte, é o mundo atado, petrificado, privado da liberdade e submetido às leis da Natureza e aos ritmos implacáveis do Destino. Sua irmã, e esposa, Ísis, o trouxe de volta à vida depois de muito trabalho e esforço utilizando as fórmulas mágicas que lhe dera Tot, e teve um filho dele, Horus, que cresceu e combateu Set venceu-o e assim vingou o pai.

Osíris passou a ser igual, ou maior, que . Ele representa para os homens a idéia de um ser que era, ao mesmo tempo, deus e homem, (Cristo) etipificou para os egípcios, de todas as épocas, a entidade capaz, em razão de seus padecimentos e de sua morte como homem, de compreender-lhes as próprias enfermidades e a morte. Originalmente, encaravam Osíris como um homem que vivera na terra como eles, comera e bebera, sofrera morte cruel e, com a ajuda de Ísis e Horus (seu filho), triunfara da morte e alcançara a vida eterna ao subir aos céus (Cristo). Por mais que se recue no tempo das crenças religiosas egípcias sempre há a crença na ressurreição e a morte física pouco importava, pois o morto atingia o Além que é a representação da terra ideal no céu e, por isso, era importante a conservação do corpo, pois o morto renascia no além. O centro do culto de Osíris, durante as 1ªs dinastias, foi Abidos capital do Antigo Egito e que recebe as tumbas dos 1ºs Faraós e lá onde estaria enterrada a cabeça do deus quando ele fora esquartejado pelas potências do mal e onde, a partir o Reino Médio, se fazem peregrinações anuais com milhares de peregrinos, inclusive com a participação do próprio Faraó, para celebrar a ressurreição de Osíris. Os vários episódios da vida do morto se constituíram em representações no templo de Abidos (Via Sacra cristã). Há outros templos, Ahmose, Senusret III, Seti I, Ramses II, cujas construções se sucedem desde as 1ªs Dinastias, continuam pelo Reino Médio (1975-1640 a.C.) atravessam o Reino Novo (1539-1075 aC.) até o Último Período (715-332 aC.).

Com o tempo, Osíris passa de exemplo de ressurreição para a causa da ressurreição dos mortose Osíris se torna um deus nacional igual e, em alguns casos, maior que .

Nas XVIII e XIX dinastias, Osíris parece ter disputado a soberania das 3 companhias de deuses, o que quer dizer, a trindade das trindades das trindades.

Durante 5.000 anos no Egito, mumificaram-se os homens à imitação da forma mumificada de Osíris e eles foram para os seus túmulos crentes que seus corpos venceriam o poder da morte, o túmulo e a decomposição, porque Osíris os vencera.

A principal razão da persistência do culto de Osíris no Egito foi, provavelmente, ele prometer a ressurreição e a vida eterna aos fiéis. Mesmo depois de haver abraçado o cristianismo, os egípcios, continuaram a mumificar os seus mortos e a misturar os atributos de Osíris aos de Cristo e as estátuas de Ísis, amamentando seu filho Horus, são o protótipo da Virgem Maria e seu Filho (que também será usada na evolução do catolicismo).

 Outros Deuses do Egito

 

Além dos deuses da família e da aldeia havia os deuses nacionais, deuses dos rios das montanhas, da terra, do céu formando um número formidável de seres divinos. Os egípcios tentaram estabelecer um sistema de deuses incluindo-os em tríades, ou grupos de 9 deuses num total de 134 deuses representados pelas 134 colunas da sala hipostila do templo de Karnak e, nos últimos anos, se descobriu que houve diversas escolas teológicas no Egito: Heliópolis, Mênfis, Abido, Tebas e, de todas essas, a que mais perdurou foi a de Heliópolis (V e VI dinastias) com sua grande companhia dos deuses, tendo Temu como deus maior, mas que se funde em um único deus com Rá e Nu (Santíssima Trindade cristã). Havia uma grande quantidade de deuses, mas apenas os que lidavam com o destino do homem, obtinham o culto e a reverencia do povo e, pode-se dizer que, esses eram os deuses que se constituíam na grande companhia de Heliópolis, ou seja, nos deuses pertencentes ao ciclo de Osíris.

São esses os deuses, da grande companhia de Heliópolis.

Seb é a terra, era filho de Xu e é o pai dos deuses: Osíris, Ísis, Set e Néftis, que passou mais tarde a ser o deus dos mortos.

Nut é o céu, é esposa de Seb e mãe de: Osíris, Ísis, Set e Néftis. Nut é considerada mãe dos deuses e de todas as coisas vivas.

Seb e Nut existiam no aqüífero primevo ao lado de Xu e Tefnut.

Osíris, filho de Seb, e de Nut, marido de Ísis, e pai de Horus, é o Deus da Ressurreição e sua história já foi anteriormente citada.

Ísis esposa e irmã de Osíris e mãe de Horus, é a deusa da natureza, a divina mãe, nessa qualidade tem milhares de estátuas onde está sentada amamentando o filho Horus,(Virgem Maria e Jesus Cristo, cristãos) suas peregrinações em busca do corpo de Osíris, a tristeza ao dar a luz e educar o filho Horus, no pântano de papiro do Delta do Nilo, a perseguição que sofreu dos inimigos do marido são citados em textos de todas as dinastias.

Set, filho de Seb e Nut, é marido de Néftis sua irmã, e é irmão de Osíris e Ísis. Set representa a noite e é a personificação de todo o mal e estava sempre em guerra com Horus, o dia.

Néftis, mulher, e irmã, de Set, irmã de Osíris e Ísis, e é mãe de Anúbis filho dela e de Osíris; ela ajudava os mortos a superar os poderes da morte e do túmulo.

A seguir, os principais deuses das outras companhias:

Nu, pai dos deuses, e progenitor da grande companhia dos deuses, era a massa aqüífera primeva.

Ptá é uma forma de Rá e é tipificado como o abridor do dia.

Ptá-Sequer, é o deus duplo da encarnação do Boi Ápis de Mênfis com Ptá.

Ptá-Sequer-Ausar, três deuses em um, simbolizava: a vida, a morte e a ressurreição (Santíssima Trindade cristã).

Cnemu foi quem modelou o homem numa roda de oleiro, ajudava Ptá a cumprir as ordens de Tot (o homem moldado no barro pelo Deus cristão).

Quépera é o tipo da matéria que contem em si o germe da vida em vias de aflorar numa nova existência, significava o corpo morto que estava preste a fazer surgir o corpo espiritual.

Amon era um deus local de Tebas com seu santuário fundado na XII dinastia (2500 aC.), significa oculto, e passou a ser um deus de primeiríssima importância nas XVIII, XIX e XX dinastias e, a partir de 1700 aC. foi declarado representante do poder oculto e misterioso que criou e sustenta o universo e o fundiram com os deuses mais antigos e ele usurpou os poderes de Nu, Cnemu, Ptá e vira um deus sagrado senhor de todos os deuses, Amon-Rá, como está no papiro da princesa Nesi-Quensu de 1000 aC. A partir de 800 aC. declina o poder de Amon.

Maât, grande deusa, tipifica a Verdade/Justiça. Presente no julgamento dos mortos, dela dependia a salvação.

Horus, simbolizado pelo falcão, que parece ser a 1a coisa viva que os egípcios adoraram, era o deus sol como Rá que em épocas mais recentes foi confundido com Horus filho de Osíris e Ísis. Ele estava associado aos deuses que sustentam o céu nos 4 pontos cardeais, os 4 espíritos de Horo, que são: Hapi, Tuamutef, Amset e Quebsenuf. É, também, tipificado como o dia sempre em luta contra Set, a noite.

Anúbis, filho de Osíris com Néftis que presidia a morada dos mortos, era o condutor dos mortos e protetor dos cemitérios.

Tot, deus da Palavra criadora e mágica, divindade lunar, encarnação da sabedoria, toda a cultura humana era obra de suas inspirações.

Ápis, touro que recebia culto, pois acreditavam que a alma de Osíris tivesse habitado o seu corpo, tinha uma mancha branca, em forma de crescente, na testa.

Rá, o deus Sol, é, provavelmente, o mais antigo dos deuses adorados no Egito, ele velejava pelo céu em 2 barcos o Atet, desde o nascer do sol até o meio dia, e o Sectet, do meio dia até o por do sol. Visto ser o pai dos deuses nada mais natural que cada deus representasse uma fase dele e que ele representasse cada um dos milhares de deuses egípcios, numa explícita alegoria do fundamento moneteista da religião egípcia.

A trindade Egípcia:

Temu ou Atmu, isto é, o que fecha o dia, seu culto vem da V Dinastia e é o fazedor dos deuses, criador de homens.

Xu, é o primogênito de Temu e tipifica a luz. Ele colocava um pilar em cada ponto cardeal para sustentar o céu, os suportes de Xu são os esteios do céu.

Tefnut, era irmã gêmea de Xu e tipificava a umidade, seu irmão Xu é o olho direito, e ela é o olho esquerdo de Temu.

Os deuses Temu, Xu e Tefnut formavam uma trindade e Temu na história da criação diz:

“Assim, sendo um deus, tornei-me 3” (a Santíssima Trindade cristã).

O Barco do Sol representa a lua, seu quarto crescente, tendo o disco do Sol sobre ele e, essas 2 luminárias, formam essa imagem que é o núcleo central da religião egípcia.

A Lua é fria e úmida, sempre em eterna mutação, governa a afeição, os amores, é feminina.

O Sol é quente e seco e governa a razão de modo impessoal e objetivo, é masculino.

Essas duas forças são eqüipolentes, com naturezas opostas, é o Yin e Yang da religião chinesa, o Enxofre e o Mercúrio da Alquimia, o Positivo e o Negativo da Eletricidade, a eterna oposição do bem e do mal, do amor e do ódio, do dia e da noite, a sublime dualidade de todas as coisas, desde sua Criação do aqüífero primevo, na gênese do mundo contada pelos egípcios, há 6.000 anos atrás, através dessa religião e sistema moral, complexo e maduro que nada fica a dever às concepções desenvolvidas pela Grécia que dizia que: a matéria era uma carga muito pesada para o espírito, nascido no Céu e, conseqüentemente, a vida consistia em viver morrendo, enquanto a morte era, para a alma, a porta da Liberdade.

Bibliografia pesquisada para estruturar esse trabalho:

O Livro dos Mortos, Hemus, Editora LTDA SP.

A Religião Egípcia, E. A Wallis Budge, Cultrix, SP.

Egypt’s First Pharaohs, National Geographic, April 2005, pgs 106 a 121.


Viagem ao Egito 2011: conversa com Mustafá (guia) extremamente focado na história do Egito e sua Religião e seu auxiliar na viagem de 3,00h entre o porto de Sáfaga e Luxor, ambos participaram da vigília na Praça Tahrir que derrubou Mubarack.

 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes