HERÁLDICA: Origens, Símbolos, Desenhos e sua presença no séc. XXI.


Autor: ANIBAL de ALMEIDA FERNANDES

Texto inicial: Janeiro, 2000, última atualização: Junho, 2017.


 Tudo pode acontecer, tudo é possível e provável. O tempo e o espaço não existem. Sobre um ligeiro fundo de realidade, a imaginação tece sua teia e cria novos desenhos ... novos destinos.

(O Sonho, de Strindberg)

 Tapeçaria de Bayeux = Invasão da Inglaterra por Guilherme, Duque da Normadia: The Bayeux Tapestry was probably commissioned in the 1070s by Bishop Odo of Bayeux, half-brother of Duke William. It is over 70 metres long and although it is called a tapestry it is in fact an embroidery, stitched not woven in woollen yarns on linen. The original Tapestry depicts 626 human figures, 190 horses, 35 dogs, 506 other birds and animals, 33 buildings, 37 ships and 37 trees or groups and trees, with 57 Latin inscriptions.


 

 Tapestry best known scene: The Normans seem to be getting the upper hand as the battle continues. Many more soldiers die, one appears to be having his head cut off. On the right is the best known scene in the Tapestry: the Normans killing King Harold. But how is Harold killed? He seems to be shown twice: first plucking an arrow from his eye, and then being hacked down by a Norman knight. The tapestry is difficult to interpret here, but the second figure is probably Harold being killed.

1º) Origem, Sec. XI:

Tapeçaria de Bayeux: é considerado o 1º registro heráldico na história medieval, ela mostra a invasão normanda na batalha de Hastings de 1066 na Inglaterra, e apresenta os cavaleiros usando escudos decorados com desenhos geométricos e dragões e umas 30 bandeirolas (banners) amarradas às lanças. Supõe-se que sejam símbolos hereditários vindos do sec. IX, de descendentes de Carlos Magno. Tudo isso, porém, é matéria controversa e sem evidencias documentais históricas. Na Inglaterra, apenas a família Mallet tem um brasão com um símbolo parecido com uma das bandeirolas da tapeçaria de Bayeux e sabe-se que William Mallet esteve na batalha de Hastings. No mais, é apenas suposição histórica, não é heráldica documentada.

Atenção: hoje em dia, se suspeita da autenticidade dessa famosa tapeçaria de Bayeux, pois as características históricas representadas na tapeçaria, tanto nas roupas como nos hábitos de comer, parecem ser de época muito mais recente do que o ano de 1066. Um fato que apóia essa suspeita é a descrição documentada de Ana Comeneu princesa bizantina que comenta a passagem por Bizâncio, na 3ª Cruzada em 1096, de Luiz VII de França e Eleanor de Aquitania, ela descreve o escudo do rei de França apenas como polidíssimo e muito brilhante, mas não faz nenhuma menção de algo pessoal ou de qualquer símbolo heráldico gravado no escudo real.

2º) Sec. XII:

Henrique 1º da Inglaterra concedeu a seu genro, Geoffrey Plantageneta (Anjou), em 1127 um escudo azul, decorado com pequenos leões de ouro, é este o 2º registro heráldico documentado na história pg 13. Na catedral de Le Mans, a tumba de Geoffrey, fal. cerca de 1151, mostra esses leões em seu escudo. Seu neto, William Longespee, Conde de Salisbury, fal. cerca de 1226, tem um escudo idêntico ao do avô em sua tumba na catedral de Salisbury, ou seja, esta repetição do mesmo escudo atesta a hereditariedade no uso das armas do escudo pela mesma família.

Em 1170 tem-se a 1ª referência aos torneios entre os cavaleiros, ela foi feita por Chrétien de Troyes. Nessa época, aparecem os heraldistas (reis de armas) que são os que organizam os torneios e anunciam os participantes porem não se tem informação precisa se eram eles, também, que desenhavam os brasões de identificação dos cavaleiros participantes.

3º) Sec XIII:

Temos o Herald’s Roll pintado entre 1270 e 1280: que é o 3º registro heráldico mais antigo e consiste de 195 brasões dos quais, 43 mostram o leão e temos também a flor de lis como mostra a figura pg 16.

Há uma quantidade de selos de identificação (carimbos) pg 12 que substituíam a assinatura dos cavaleiros, uma vez que poucos sabiam escrever, e essa deficiência talvez seja a verdadeira explicação para o desenvolvimento desses símbolos que passam a serem usados pelos descendentes desses cavaleiros e, graças a essa continuidade de uso, estabelecem a hereditariedade dessas armas.

Nesta mesma época, séc. XIII, a heráldica está se desenvolvendo no Japão e apesar da distância, e total desconhecimento entre as 2 culturas, apresenta marcantes semelhanças. Os cavaleiros japoneses são os famosos samurais e cada um tem o seu emblema pessoal, o mon com desenhos de altíssima qualidade e beleza gráfica pg 17 eque era cuidadosamente protegido e governado por rígidas leis e regulamentações heráldicas de controle.

No sec. XIII há um grande desenvolvimento da heráldica como conseqüência dos torneios de cavalaria que é o grande acontecimento social da época, algo como um Grand Slam do nosso tempo, que infestam os 4 cantos da Europa e exigem a clara identificação heráldica de cada desafiante. È importante refletir sobre a enorme importância da Cavalaria, e desses torneios, na época feudal onde os países tinham um governo central muito fraco, quase inexistente, pois alguns grandes cavaleiros eram mais ricos, poderosos e bem armados do que os próprios reis e mantinham com eles uma tênue relação de vassalagem que lhes dava toda a autonomia em seus próprios domínios e esses torneios lhes davam o destaque social entre seus pares e seus brasões (era um verdadeiro passaporte diplomático pessoal que abria as portas em toda corte) os tornavam conhecidos, e respeitados, em toda a Europa cristã.

Na França e nas Ilhas Britânicas, aparecem símbolos para cada pessoa e cada ramo da mesma família. Enquanto no leste europeu as famílias usam as mesmas armas como uma forma de estabelecer a identificação dos diversos clãs familiares.

4º) Sec. XIV:

Merece destaque o Jenyn's Ordinary pg 18 pintado cerca de 1380, que é o 4º registro heráldico. Ele mostra a preferência pelos leões nas armas medievais o que deveria dificultar muitíssimo a identificação no campo de batalha pela semelhança entre os escudos.

Aparecem os suportes dos brasões, com animais pg 75 ou figuras humanas pg 105 amparando os escudos usados pelos “knigth” (cavaleiro). O termo “knigth” identifica que o cavaleiro tem a posse da terra, terra essa que foi dada pela Coroa (soberano) como pagamento por serviços prestados, ao rei, por seus ancestrais isto é o que caracteriza a classe dos filhos d´algo, os fidalgos.

Aparecem os timbres, pg 24 sobre os elmos, que dá destaque visual aos cavaleiros nos torneios facilitando a identificação entre os adversários e tais timbres passam a ser adicionados aos brasões pg 19.

No sec. XIV aparecem tratados sobre heráldica e o mais antigo é o De Heraudiede autor desconhecido, mas se supõe que o autor fosse um tipo de rei de armas.

5º) Sec. XV:

Dessa época é o Fenwick Roll, pg 95, pintado no reinado de Henrique VI, da Inglaterra que é o 5º registro heráldico e mostra como, 200 anos após o início da heráldica, o desenho heráldico tornou-se mais complexo e requintado.

É muito importante considerar que neste século a organização social européia deixa o feudalismo fragmentado e evolui para as monarquias absolutas centralizadas onde o Rei manda em todo o reino e os grandes nobres feudais começam a perder seu poder pessoal e iniciam a sujeição ao poder central, pois abandonam seus domínios e se inserem na vida da Corte onde o rei é o dono de tudo sem limite ou oposição. Os próprios Reis passam a controlar o armorial e estabelecem suas próprias autoridades heráldicas (rei de armas) para o rígido controle e organização das armas e brasões dos súditos. Na Inglaterra a Coroa estabelece o Colégio Inglês de Armas, em 1484, (o 1º do mundo) que tem a prerrogativa de dar, confirmar e regular as armas e brasões dos cavaleiros ingleses o que influencia toda a heráldica da Europa com os seus reis de armas incrementando as armas que adquirem o aspecto de obras de arte como os brasões feitos por Thomas Wriothesley (1505-1534), pg 96. Os reis de armas ingleses desse período analisaram todas as armas, selos e timbres para compatibilizar, e confirmar, toda essa simbologia heráldica e os novos brasões e anéis de sinete incorporam esses detalhes, sendo que os suportes são de uso restrito apenas aos pares do reino (companheiros do Rei na formação do reino).

Em Portugal, cerca de 1500, D. Manoel manda fazer uma análise no armorial e na nobreza do reino e escolhe as 72 maiores famílias do reino e seus brasões que são registrados na Sala dos Brasões do Palácio de Sintra, como uma referência de qualidade para qualificar a aristocracia portuguesa.

O uso de quartéis no escudo pg 93 parece ter sido introduzido na Inglaterra por Eleanor de Castela, mulher de Eduardo I.

Com a dinastia Tudor (1485 a 1603), na Inglaterra, com o famoso Henrique VIII, fal. 1547, a heráldica atinge o seu período mais rico e mais criativo usando os desenhos geométricos da Idade Média, porém, incorporando coisas do mundo aos novos brasões, pois se inspiram na fauna e na flora, e até em monstros, tudo isso aparece no soberbo Heraldisher Atlasde Herr Ströhl.

Por séculos as armas armoriais foram apanágio/propriedade dos senhores feudais e serviram como marcas de qualificação, distinção e identificação para toda a sociedade estamental (onde a origem e antiguidade do nome era o que distinguia o indivíduo e o inseria no contexto social) e, hoje em dia, apesar de não mais ter uma conotação de casta social ou militar, ainda dão prestígio a grupos empresariais ou instituições e se transformaram nas importantíssimas marcas que valem bilhões de US$ dólares.

6º) Outros Paises:

A Holanda e a Suíça são inigualáveis em seu controle da heráldica e é marcante o orgulho com que as famílias holandesas respeitam/cultivam os seus brasões.

A Itália tem uma heráldica que reflete a dinâmica conturbada da sua história com sucessivos invasores: alemães, franceses, espanhóis, austríacos, que deixaram as suas marcas na heráldica italiana. Mas apesar de todas essas influencias, os italianos criam um brasão típico, em forma de amêndoa ou de cabeça de cavalo. As famílias que tem papas entre os seus membros incorporam a tiara papal e as chaves cruzadas em seus brasões.

A Hungria tem uma heráldica semelhante à da Áustria e Alemanha, com 2 particularidades: a 1ª é o uso de símbolos associados às guerras com os turcos (entre os sec. XV e XVIII) que é um orgulho nacional e a 2ª é a escolha de armas extravagantes para os brasões.

A Polônia é diferente de toda a Europa por incorporar em suas armas, signos rúnicos pré-heráldicos.

A França tem uma rica heráldica no ancien regime (até a Revolução de 1789). Luís XIV regulamentou rigidamente o uso dos brasões cobrando de 20 a 40 libras conforme o grau de nobreza dos brasões que se manteve até ser interrompido em 1789. Porém 15 anos após, ressurge com força a nova heráldica imperial de Napoleão que é marcada por armas e detalhes das campanhas napoleônicas.

7º) Fauna:

Os animais mais usados são:

O leão é o animal mais usado, e importante, ele é o 1º registro heráldico histórico. Aparece no escudo de Geoffrey Plantageneta em 1127. Entre os 195 escudos relacionados no Herald’s Roll, do sec. XIII, aparecem 43 leões, 3 águias, 3 peixes, 1 urso, 1 coruja, 1 grifo e 1 cegonha. Os dois primeiros reis ingleses a usarem a heráldica foram Ricardo Coração de Leão, fal. 1199, e William I, o Leão da Escócia, fal. 1214, e ambos têm leões em seus brasões.

O 1º grande Selo Real é de Ricardo da Inglaterra que é registrado historicamente em 1189 com 1 leão como arma, em 1195 aparece outro selo real com 3 leões. No séc. XIII começam as regras para normalizar as armas armoriais nos brasões, expl: o leão tem que estar sobre 2 patas e a cabeça de perfil, porém houve um problema com os leões do brasão real inglês que estão sobre 4 patas e com a cara para a frente e foram, por isso, batizados de leopardos da Inglaterra. Porém, no séc. XV, os reis de armas concluíram que o leopardo se origina do cruzamento adúltero do leão com o pardo, (provavelmente um cheetah), e, portanto não é digno/condizente para o rei da Inglaterra usar 3 bastardos em seu brasão e, por isso, os leões da Inglaterra passam a ser chamados de leões em guarda, para distingui-los dos leões sobre 2 patas.

A águia (pg 30) é a mais importante das aves, é muito usada na Idade Média e tem nos céus a mesma importância que o leão tem na terra.

O golfinho (igual ao delfim=pg 101), era muito usado e sua importância nos mares, equivale à do leão em terra e à da águia no céu. Guarnece o brasão do herdeiro do trono francês, o Delfim de França.

Outros animais:

Em 1510 aparece no brasão de Robert Lord um tragopam, pg 36 que é um pássaro himalaio que apresenta uns pequenos chifres, e não se tem idéia do porque de tal excentricidade??? em pleno séc. XVI.

As serpentes pg 36 aparecem na heráldica da época Tudor, porém outros répteis são raríssimos.

Em 1552 aparece um peru, pg 37 adornando o elmo do brasão de Robert Cooke of Midham. Nota: o peru veio da América para a Europa com os espanhóis e, para a Inglaterra com Catarina de Aragão.

Em 1591 aparece no brasão de John Brown of Spexall uma ave do paraíso, pg 37 e ela é desenhada sem pernas (pois voava eternamente .... daí, paraíso).

A pantera aparece no brasão de Jane Seymour 3ª mulher de Henrique VIII, morta em 1537, pg 75.

O tigre pg 69.

O castor pg 32 que reza a lenda que, quando perseguido, se castra a si próprio com seus dentes (parecendo saber que os seus testículos são muito valorizados para o tratamento médico).

O elefante, pg 81 freqüentemente com um castelo nas costas.

Os insetos, aracnídeos e crustáceos, foram de uso muito limitado na época medieval e no período Tudor, com algum destaque para: o gafanhoto (pg 43) e o besouro (pg 43).

Os camaleões (pg 41) e os sapos (pg 42) esses, sempre de perfil ou de frente. Uma questão intrigante sobre sapos como arma armorial é o brasão do rei Faramundo, ancestral dos reis merovíngeos (ele é considerado bisavô de Clovis, séc V d.C., fundador da 1ª Dinastia real de França), que mostra 3 sapos em um campo negro pg 31. A dinastia merovíngea dá muita importância aos sapos dando-lhes qualidades místicas e vem dessa época as histórias de fadas com o sapo virando um príncipe no final. Vem daí, também, o costume dos flamengos na guerra dos 100 anos, chamarem os franceses de froggy, (sapo). Aqui se pode intuir uma possibilidade histórica, pois como o sapo vive nos rios, entre as Íris aquáticas, pode haver nisso uma explicação para a evolução do sapo do brasão de Faramundo, para as flores de lis do brasão real de Luiz VII de França, da 3ª Dinastia Real de França, 700 anos depois (item 10).

 

O cavalo pg 112 aparece muito raramente na heráldica, pois era considerado um animal subserviente e, portanto, sem nenhum apelo de bravura.

O macaco pg 92.

O antílope pg 68.

O arminho, pequeno rato da Armênia, (branco com a cauda negra) é muito usado desde o início da heráldica no séc. XII, principalmente na Bretanha.

O veiro (vair) é um gato africano, cinza azulado, com a pele usada nos mantos reais, e muito usado na heráldica a partir do séc. XII e aqui cabe uma nota de amplo interesse:

houve um erro na tradução da antiga história da Cinderela e os seus famosos sapatos de Vair (pele de veiro) foram erroneamente traduzidos por Verre (vidro) e se consagrou esse erro grosseiro, como os famosos sapatinhos de cristal !

Nos séc. XVI, XVII, XVIII, as armas armoriais são muito convencionais, usa-se muito o lobo, o urso e o falcão. A raposa, por ser pouco nobre em suas qualidades, quase não é usada.

No séc. XX aparecem o salmão, a truta, o peixe papagaio, o peixe voador e o peixe sol.

O escorpião é muito usado no séc XX. A aranha está ausente das armas armoriais, apesar de fazer uma correspondência com o nome de família Web ou Webber.

8º) Flora:

Os reis de armas começam a utilizar as flores para adornar as Cartas que outorgam os brasões aos cavaleiros a partir do séc. XV (pg 55).

A Rosa, é a mais importante arma floral na heráldica inglesa, sendo correspondente ao leão na terra, à águia no céu e ao golfinho na água. A rosa, na cor dourada, foi trazida para a heráldica inglesa por Eleonor de Provence, mulher de Henrique III (1216-1272) e logo foi adotada, pelo filho mais velho do casal, o futuro rei Eduardo I. O 2º filho do casal, o Conde de Lancaster, usou também uma rosa, porém de cor vermelha para se diferenciar do irmão, Eduardo I. A rosa vermelha se incorporou ao condado de Lancaster e, posteriormente, ao ducado de Lancaster. Nesse meio tempo aparece a rosa branca, adotada pela família Mortimer, de quem descende Ricardo Plantageneta, duque de York, que disputará o trono inglês na sangrenta guerra das rosas entre a rosa branca dos York e a rosa vermelha dos Lancaster.

Brasão dos Tudor: 1485 a 1603


 Os trevos de 4 ou 5 folhas são conseqüências da rosa na heráldica e podem ser considerados como sendo a forma simplificada da rosa.

A flor de lis (pg 50) é a mais importante arma floral na heráldica francesa e é objeto de uma grande controvérsia, pois aparece nas armas de várias famílias, sem nenhuma ligação entre si, em toda a Europa Ocidental. A flor de lis veio para a Inglaterra quando Eduardo III (1327-1377) reivindicou o trono da França e em 1337 as colocou em seu brasão dividido em quartéis com os leões ingleses e as flores de lis francesas, esse brasão real inglês se manteve até 1801. A tradição diz que, Clóvis, Rei dos Francos, (fundador da 1ª dinastia real francesa, a Merovíngea, no séc. V, d.C.) recebeu a flor de lis como um presente divino por sua conversão ao catolicismo em 496. Porém, a versão mais provável é que, tendo sido encurralado pelos godos próximo ao rio Reno, em uma batalha decisiva para seu futuro, percebeu que, num trecho do rio, florescia uma grande quantidade de Íris, o que era sinal que o rio dava pé para o exército atravessar e escapar para a segurança e, como disso resultou em sua vitória, Clóvis adotou a Íris, na forma da flor de lis, como sua arma e insígnia. No séc. XII Luiz VII associa a flor de lis ao brasão real da França, o que pode ser uma correspondência ao seu nome, flor de Luiz. Dizem também que Luiz VII, na 3ª Cruzada, 1096, ficou atraído pela flor de lis islâmica e a usou em seu brasão, porém isso é considerado muito improvável, pois o Islã não contribuiu em nada para a heráldica européia, com exceção do manto e o cordão de cabeça estilizados que adornam todos os brasões e que podem ser interpretados tecnicamente como uma proteção para o elmo contra o calor do sol mediterrâneo.

As árvores são raríssimas na heráldica até 1700. No Smith’s Ordinary, que é um registro heráldico do séc. XVI aparecem 900 brasões e, apenas 7 árvores inteiras aparecem entre as armas. As árvores quando aparecem estão, no geral, limitadas a uma correspondência com o nome de família. Porém a partir do séc. XVIII aumenta o uso de árvores como armas armoriais.

Temos no séc XIX no Brasil o cafeeiro no brasão de 5 famílias brasileiras: dos Barões de Avellar e Almeida (brasão abaixo), Bemposta, Vargem Alegre, Silveiras e do Visconde de Aguiar Toledo.


  Este Brasão foi concedido por Carta de Brasão em 1881, e está registrado no Cartório da Nobreza e Fidalguia do Império do Brasil, Livro II, folhas 9/11, ao Barão de Avellar e Almeida, Decreto de 7/1/1881, cujo título está registrado no Livro X pág. 70 Seção Histórica do Arquivo Nacional. É um título concedido ad personam sul cognome, isto é, dado a uma pessoa específica e apoiado sobre o nome da família do titulado. Esta forma de título só é usada quando o Imperador deseja prestar homenagem também à família, dignificando-lhe o nome. O Brasão tem uma abelha e um pé de café como arma heráldica e pode ser usado pela Família Avellar e Almeida sem o Coronel (coroa) e a comenda, que são exclusivos do Barão e não são hereditários, conforme as leis de heráldica e do Direito Nobiliárquico: Fonte Documental: Mário de Méroe, Estudos sobre o Direito Nobiliário, Centauro Editora, São Paulo, 2000, pgs: 25/26.



As folhas (pg 54) tiveram pouca importância na heráldica medieval, porém a partir de 1700 elas aparecem com maior intensidade. Hoje em dia é muito usada a folha do maple canadense,que fora em 1860, incorporada ao brasão do Regimento do Príncipe de Gales no Canadá e depois é posta na bandeira do país.

As frutas são reservadas para quando há coincidência entre elas e os nomes de famílias, com 2 exceções:

Romã: que, com suas numerosas sementes, alude às sementes do saber.

Avelã: já que a sua árvore tem uma conotação pré-cristã, pois a aveleira é considerada a árvore do discernimento na época pré cristã.

Os vegetais foram ignorados na heráldica, com exceção do alho poró de Gales, que remete às cores da libré da dinastia Tudor, verde e branca, que são uma referencia a Llewelyn, o Grande, vestido em roupas de seda verde e branca. Mais tarde Eduardo, o Príncipe Negro, ordena que se façam uniformes e chapéus bicolores, em verde e branco, para o seu exército galês no que parece ter sido a primeira vez, na história de guerra européia, que um exército combateu uniformizado. Apesar do alho poró ser descrito como o emblema nacional de Gales ele aparece, apenas, no tempo dos Tudor.

Há, também, a mandrágora (pg 56) que teve um limitado interesse, pois se considera que a forma da raiz parece com a figura humana e quando é retirada da terra emite um ruído, como um guincho, que enlouquece quem o ouve.

9º) Monstros:

O uso de monstros nas armas armoriais deve ser creditado principalmente à literatura medieval sobre monstros que era baseada num trabalho de Physiologus que, numa data incerta entre o séc. II e o sec. V d.C., escreveu um livro sobre monstros sem diferenciar fatos reais de fantasias imaginárias o que fez com que os leitores aceitassem o grifo (pg 73) e o unicórnio (pg 63) como animais tão reais como os que os cercavam na vida real.

O unicórnio, que é popular nos séculos mais recentes, é uma raridade na heráldica medieval, por ser ligado à imagem de Cristo e os primeiros reis de armas consideravam o seu uso uma blasfêmia. Os tais chifres de unicórnio que transitavam pelas cortes européias são, provavelmente, originados do chifre espiralado da pequena baleia narval que habita o Ártico que é de fino marfim. Esse chifre (foto NGM) era considerado a mais forte proteção contra o veneno e a doença e há séculos tem fascinado e intrigado a humanidade. Essas presas, de até 3 metros de comprimento, foram vendidas como chifres de unicórnio em eras passadas, geralmente por um valor equivalente a várias vezes seu peso em ouro, já que lhes eram atribuídas propriedades mágicas. No século XVI, a rainha Elizabeth I recebeu uma dessas presas avaliada em 10 mil libras esterlinas que equivalia ao preço de um castelo. E uma lenda austríaca dá conta de que o imperador Carlos 5º pagou uma grande dívida nacional com duas presas do animal. Há duas teorias para a origem do unicórnio:

1ª: vem de um tipo de antílope do deserto árabe chamado oryx.

2ª: vem do rinoceronte indiano.

Há uma lenda medieval que ensina como capturar um unicórnio: para isso é necessária uma virgem, de preferência nua, que vai para a floresta sozinha e aguarda a chegada do unicórnio que virá até ela, deitará a cabeça em seu colo e a seguirá para onde ela for.

O leão e o unicórnio brigam entre si e a origem dessa inimizade é mitológica, pois o leão é o símbolo do sol um deus masculino dos povos indo-europeus, e o unicórnio é o símbolo da lua, uma deusa feminina para esses mesmos povos que, na origem dos tempos, eram governados por um regime matriarcal e usavam o unicórnio em suas moedas e selos sempre conjugado com a lua crescente. A identificação do unicórnio com uma deusa, pode ter gerado a lenda medieval da virgem que o captura e o cristianismo usou essa lenda e adaptou-a, identificando a virgem com a Virgem Maria e o unicórnio com Cristo.

Os monstros foram usados, ocasionalmente, no início da heráldica, porém a partir do séc. XV, com a necessidade de prover animais como suportes para os brasões, os monstros se transformam na principal fonte artística de suportes para a heráldica.

O grifofoi o 1º monstro a ser usado, aparecendo no selo de Ricardo, Conde de Essex, em 1167. O bestiário medieval explica que o grifo tem o tamanho e a força de 100 águias e tem a competência de apanhar, e carregar, um touro em cada garra. O grifo inicial (pg 59) da heráldica era uma figura composta, numa combinação simbólica entre a águia, rainha das aves, e o leão, rei dos animais. Pode haver uma origem inspirada em um fóssil de dinossauro, expl: o Protoceratops da Ásia central onde ele era abundante. O grifo é, também, o guardião das minas de ouro que se encontram escondidas nas altas montanhas onde eles fazem o ninho. Há uma lenda de que os grifos tiveram uma luta com os cavalos da Scynthia que tentaram roubar o ouro das minas. Como conseqüência, há uma grande antipatia entre grifos e cavalos o que encorajou os cavaleiros medievais a usar escudos com grifos para assustar os cavalos dos oponentes. Globos feitos de ovos de grifos eram cotadíssimos nas cortes medievais européias e eram, provavelmente, feitos de ovos de avestruz pela generalizada falsificação existente. No séc. XX o grifo é usado na heráldica, sempre associado a pessoas, ou instituições, ligadas com as finanças.

O dragão apareceu no inicio da heráldica, permanecendo, como o grifo, inalterado por vários séculos com exceção de mais um par de pernas que ganharam no séc. XV, introduzidos, provavelmente, pelos reis de armas. Por causa dessa mudança os dragões com 2 pernas chamam-se wyvern (pg 61) e os com 4 patas chamam-se de dragões (pg 68). O dragão pode ter uma origem inspirada em fóssil de dinossauro que alguma tribo Indo européia tenha encontrado, por expl: os restos de um Tyrannosaurus rex. O dragão, associado com a heráldica, tem uma história antiga, ele veio para a Bretanha trazido pelos exércitos romanos que o usavam como insígnia para as suas coortes (regimentos militares). Os romanos se inspiraram nas insígnias dos Dácios que conquistaram no séc. II, d.C., e que se chamavam de dracones tendo asas e fogo nas ventas. Dos romanos passa para os gauleses cuja palavra draig, ou dragão, é sinônimo de líder. As armas atribuídas ao rei Uther Pendragon (dos lendários Cavaleiros da Távola Redonda), são 2 dragões verdes com coroas de ouro sobre um campo de ouro.

A harpia, pg. 65.

O cocktrice, (pg 62) também é um monstro que aparece na heráldica, ele tem cabeça de galo e asas de réptil é pequeno, com 6 polegadas, porém é muito venenoso sendo mais mortal que a cobra píton, e é considerado o rei das cobras. Em 1180, Alexander Neckham explicou que o coktrice se originou de um ovo de um velho galo incubado por um sapo.

10º) Cores:

As cores mais usadas na heráldica são: azul (realeza, majestade), vermelho (coragem, intrepidez), preto (dor, modéstia), verde (esperança, abundância).

As cores menos usadas são: azul celeste, púrpura, vermelho escuro, laranja.

11º) Metais e Peles:

Ouro (riqueza, força, constância) e a prata (inocência, virgindade, pureza).

Arminho (campo de prata com caudas negras) e o Veiro (campânulas em prata e azul).

12º) Reis de Armas Ingleses: relacionados a partir da fundação do Colégio Inglês de Armas em 1484.

a) Garter King of Arms: John Writhe (1478-1504), Thomas Wriothesley (1505-1534) que era filho de Writhe, William Segar (1604-1633) e outros, do séc. XV até hoje.

b) Clarenceux King of Arms: Thomas Benolt (1511-1534), Thomas Hawley (1536-1557), William Hervey (1557-1567), Robert Cooke (1567-1593) e outros, do sec. XVI até hoje.

Nota: Wriothesley e Benolt foram os mais criativos, e inspirados, Reis de Armas. Em seu período de atividade eles criaram os timbres e os incluíram em todos os brasões concedidos e usaram, de maneira muito restritiva, os suportes, (quase sempre apenas para os pares do reino, num hábito que persiste até hoje).

Nota: em 1984, no 500º aniversário da fundação do Colégio Inglês de Armas, foram concedidos 191 brasões.

Em 1988, Elizabeth II da Inglaterra criou uma autoridade heráldica para o Canadá independente do Colégio Inglês de Armas fundado em 1484, que foi o 1º em toda a Europa.

Na Inglaterra entre 1647 e 1700 foram concedidos 182 brasões, entre eles 7 mostram animais exóticos: 3 cegonhas (já extintas na Inglaterra), 2 pavões, 1 camelo e 1 urubu.

Na Inglaterra entre 1950 e 1970 foram fornecidos pelos Reis de Armas ingleses, 1.254 brasões, (dos quais, 17 tinham o canguru e, também, aparecem: zebra, girafa, bisão, castor e um koala).

13º) Heráldica em Portugal

Em Portugal, D. Manoel 1º, o Venturoso, (1469-1521), 14º Rei de Portugal (1495-1521), foi quem ordenou que se organizasse em Portugal um núcleo heráldico para os escudos de armas das famílias nobres, (quase que simultaneamente ao Colégio Inglês de Armas fundado em 1484) que organizou/corrigiu e mandou registrar os Brasões. Foram qualificadas com destaque 72 famílias como as mais ilustres e importantes do Reino, tendo como diferencial honra, história e bens e os seus Brasões foram pintados no teto da Sala dos Brasões do palácio de Sintra.

São estes os 72 brasões pintados no teto da Sala dos Brasões do Paço Real de Sintra:

Aboim, Abreu, Aguiar, Albergaria, Albuquerque, Almada, Almeida (brasão abaixo, que data de 1/3/1494), Andrade, Arca, Ataíde, Castro, Castro (da Penha Verde), Cerveira, Coelho, Corte Real, Costa, Coutinho, Cunha, Eça, Faria, Febos Monis, Ferreira, Gama, Góios, Góis, Gouveia, Henriques, Lemos, Lima, Meneses, Miranda, Mota, Moura, Nogueira, Noronha, Pacheco, Pereira, Pessanha, Pestana, Pimentel, Pinto, Queiróz, Ribeiro, Sá, Sampaio, Sequeira, Serpa, Silva, Sotomaior, Azevedo, Barreto, Bethancourt, Borges, Brito, Cabral, Carvalho (brasão abaixo), Castelo-Branco, Lobato, Lobo, Malafaia, Manuel, Mascarenhas, Meira, Melo, Mendonça, Sousa, Tavares, Távora, Teixeira, Valente, Vasconcelos, Vieira.

 

Brasão Almeida de 1494

 


Brasão Carvalho, sec. XVI


 

Consta que existiram três livros de brasões em Portugal:


1] o 'Livro Antigo dos Reis d’Armas' de António Godinho, escrivão da Câmara Real, que teria desaparecido quando um terremoto destruiu o Cartório da Nobreza;


2] o 'Livro do Armeiro-Mor', com data de 15 de agosto de 1509, de João Rodrigues, Rei de Armas de Portugal;


3] e o 'Livro da Torre do Tombo' do Bacharel Antonio Rodrigues, também Rei de Armas de Portugal. 



14º) Heráldica no Brasil


O Cartório de Nobreza e Fidalguia era um serviço burocrático da Corte Brasileira. Estava subordinado à Mordomia da Casa Imperial. Ao funcionário encarregado do ato desses lançamentos  era dado o nome de Escrivão de Nobreza e Fidalguia, e era também da sua competência a expedição das Cartas de Nobreza e Fidalguia, documento que, assinado pelo Imperador e por um dos Ministros de Estado, certificava e comunicava a graça da mêrce ao recebedor. Existiu também o cargo de Rei de Armas Principal, que tinha suas funções ligadas ao Cartório de Nobreza e Fidalguia. A ele estavam sujeitas as conferências dos pedidos de brasões, seus registros históricos e documentais, provas de veracidades genealógicas e o respeito das regras da heráldica. Era esse quem desenhava as armas e expedia, assinando ele mesmo, as Cartas de Brasões. Geralmente belos documentos, caprichosamente caligrafados e artisticamente iluminados, em forma de folhetos encadernados ou diploma. Tudo começou com a vinda em 1808 com D. João VI de um Rei de Armas, Izidoro da Costa Oliveira, que fez o 1º Livro da Nobreza que abrange parte do tempo do 1º Reinado (12/10/1822 até 7/4/1831) e, infelizmente, está perdido, ele foi condecorado por D. Pedro I com a Ordem Imperial do Cruzeiro.

Nos 67 anos de Império do Brasil, tivemos 2 Reis de Armas conhecidos. Entre o 1º e o 2º Reinado, tivemos, Posidônio Carneiro da Fonseca Costa que foi Escrivão de Nobreza e Fidalguia durante muitos anos, que enlouqueceu no fim da vida. Morreu em 1854 aos 38 anos. Em 1848 os livros e papéis que estavam em seu poder, que remontavam do período de D. João VI e ao 1º Reinado desapareceram misteriosamente do Cartório de Nobreza e Fidalguia, esse fato dificulta o registro de títulos concedidos durante o 1º Reinado.


Brasão da Casa Imperial do Brasil

Posteriormente no 2º Reinado foi nomeado como Rei de Armas Luís Aleixo Boulanger , falecido em 1873,reconhecido artista franco-português, professor imperial de caligrafia de D. Pedro II, de suas irmãs e de suas filhas, que se anunciava no Almanaque Laemmert da época como:


familiarizado com os trabalhos de heráldica, encarrega-se de solicitar do governo de S. M. o Imperador, licença para o uso de Brasões de Armas, fazer cartas de nobreza e fidalguia, com desenhos conforme os apelidos ou compor armas novas.

Boulanger, ao longo dos anos, tentou incansavelmente recuperar o teor das antigas cartas expedidas, razão de só existir, até o ano de 1872, um único livro sobre o período anterior à sua magistratura, que continha apenas 121 registros de títulos e brasões, especialmente os que constavam no chamado Livro VI do cartório. Uma cópia desses registros foi enviada ao visconde de Sanches de Baena. É com base nessa pesquisa de Boulanger, nos apontamentos do visconde de Sanches de Baena, e na documentação existente no Arquivo Nacional, que os barões de Vasconcelos iniciaram o seu Arquivo Nobiliárquico Brasileiro. Porem o documento definitivo sobre os vários títulos brasileiros é o livro, Titulares do Império, de autoria de Carlos Rheingantz, de 1960 que levantou os dados diretamente no Arquivo Nacional. Por não ser hereditária a nobreza brasileira não havia o recurso natural/automático de transmitir aos descendentes do titular, nem o título nem o brasão que pertenciam ao Imperador. Alem disso, era exigido o pagamento de vultuosa quantia para se tornar nobre quem fosse interessado, mesmo sendo o filho do titular falecido, fato pelo qual se explica que raramente o título possuía mais de um representante e porque, em muitos desses casos, o sucessor não era parente do primeiro titular.


Nota: Caio Prado Jr. reconhecia que a monarquia, durante os anos de Império, garantiu a unidade e a estabilidade do Brasil, sempre apoiada na aristocracia rural (Oliveira Vianna) que continha em seus quadros o que havia de mais culto no Brasil e evitou exemplarmente a desordem completa de nossos vizinhos sul-americanos, vivendo sob ditadura ou desenfreada demagogia.


Nota: a população do Império era de 4 milhões em 1823 e cresceu para 14 milhões em 1889 e apenas 986 pessoas, nos 67 anos do Império, receberam títulos do Imperador, ou seja, só 0,0070% da população e foram concedidos apenas 239 Brasões, ou seja, apenas 0,0017% da população recebeu brasão.


15º) Conclusão: a persistência da heráldica

Na Idade Média a organização sistêmica da heráldica se desenvolveu muito mais como parte da cultura geral européia do que como uma cultura nacional de cada país (ou seja, era uma atividade globalizada que servia para integrar TODA a aristocracia cristã européia), assim sendo, os cavaleiros europeus, graças à filiação à Igreja, à obediência aos ideais da Cavalaria e à participação nos Torneios e nas Cruzadas adotaram a heráldica dentro de um contexto comum e reconhecido por toda a elite européia. Podemos afirmar que o brasão de cada cavaleiro funcionava como sua marca específica/pessoal, como seu destaque social e foi o 1º passaporte diplomático internacional permitindo a sua identificação em todas as Cortes da Cristandade, ou seja, a heráldica era uma organização supra-nacional perfeita que usava o brasão em toda a Europa cristã e cujas armas dos respectivos escudos, eram sempre pessoais a cada cavaleiro e regulamentadas pelos reis de armas sob a chancela final do soberano que lhe concedera tais armas. Tudo isso dentro de uma estrutura organizacional rígida, com leis e regulamentações próprias sempre com uma fiscalização legal específica de alcance global, viabilizando o reconhecimento da elite da época entre si e para o povo e cujo significado precípuo de dar destaque social persistiu através dos séculos até hoje, tanto é que em 1984, 500 anos após a fundação do Colégio de Armas da Inglaterra, ainda atrai o interesse social da elite e foram concedidos 191 brasões novos aos interessados que conseguiram se qualificar e pagar para obtê-los.

A palavra globalização, data de 1949, mas ela mudou de sentido. Ela nasceu da campanha do "cidadão do mundo" Garry Davis, que havia renunciado, em 19 de novembro de 1948, ao seu passaporte americano em favor de um governo mundial. Sua mensagem era: todos os habitantes do planeta eram convidados a se inscrever num registro e as comunidades territoriais a se globalizar.






16º) Heráldica no Sec. XXI: 


 








É necessário destacar que a heráldica medieval (séc. XI) foi o berço inicial de todas as MARCAS e LOGOTIPOS que infestam o mundo hoje em dia e valem bilhões de US$ dólares:


 



Outro ponto a ser destacado é a altíssima qualidade milenar dos símbolos medievais que atingem até hoje o inconsciente coletivo da raça humana, assim os 3 leões dados em 1127 por Henrique 1º da Inglaterra ao genro Plantageneta e a série de sinetes que identificavam os membros da nobreza analfabeta do séc. XII, que só se interessava pela guerra, com suas representações feitas há 1.000 anos atrás, perduraram através da marcha do desenvolvimento social e se transfiguraram na fabulosa indústria da propaganda com suas marcas bilionárias e que mantém o mesmo significado para a humanidade hoje em dia, pois ainda estamos convencidos que uma flecha sugere velocidade, um leão sugere força e um castelo sugere solidez.


 







Fontes pesquisadas para estruturar este trabalho: 





Estudos sobre o Direito Nobiliário, Mário de Méroe, Centauro Editora, São Paulo, 2000, em especial as pgs: 14, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 38, 43.
The Art of Heraldry, Origins, Symbols and Designs, de Peter Gwynn Jones. Barnes & Noble Books, Singapore, 1998. Atenção: as páginas com as ilustrações usadas no trabalho são identificadas pelos números verdes para quem tiver o livro localizá-las.


Genealogia Paulistana, de Luiz Gonzaga da Silva Leme, (*1852 - †1919)

Título Moraes: Volume VII, Pgs: 3, 25 e 56.

Volume VII pg 3 > Moraes: Esta família teve princípio em Balthazar de Moraes de Antas, 12º avô de Anibal, que de Portugal passou a S. Paulo onde casou com Brites Rodrigues Annes f.ª de Joanne Annes Sobrinho, que de Portugal tinha vindo a esta capitania trazendo solteiras três filhas, que todas casaram com pessoas de conhecida nobreza.

Pedro Taques, de quem copiamos esta notícia sobre os Antas Moraes e que por sua vez copiou-a do título dos Braganções na livraria de José Freire Monte Arroio Mascarenhas em 1757.





http://en.wikipedia.org/wiki/Bee_%28mythology%29


http://www.napoleon.org/en/essential_napoleon/symbols/index.asp


The Bee: Symbol of immortality and resurrection, the bee was chosen so as to link the new dynasty to the very origins of France. Golden bees (in fact, cicadas) were discovered in 1653 in Tournai in the tomb of Childeric I, founder in 457 of the Merovingian dynasty and father of Clovis. They were considered as the oldest emblem of the sovereigns of France.


 




# A revista VEJA, da ultima semana de Junho/2015, chama atenção para o crescimento do interesse de se obter Títulos de Nobreza e Brasões de Armas no Brasil, que podem ser obtidos após apresentação de documentos e, através de pagamento em 2 lugares:


#Portugal: Instituto da Nobreza Portuguesa, Lisboa, (cerca de R$ 10.000,00), sendo o fons honorum, D. Duarte Pio, Duque de Bragança, um dos herdeiros do trono Português.





#Brasil: através da Casa Real de Ruanda, como fons honorum.


Nota 1: O Cartório de Nobreza e Fidalguia era um serviço burocrático da Corte Brasileira. Estava subordinado à Mordomia da Casa Imperial, com origens que remontavam a uma determinação feita pelo Príncipe Regente D. João VI, logo que chegou ao Brasil, em 1808. Consistia no lançamento em um livro apropriado, do registro do teor dos decretos das titulações de nobreza feitas pelo Imperador.


Nota2 : Caio Prado Jr. reconhecia que a monarquia, durante os anos de Império, garantiu a unidade e a estabilidade do Brasil, sempre apoiada na aristocracia rural (Oliveira Vianna) que continha em seus quadros o que havia de mais culto no Brasil e evitou exemplarmente a desordem completa de nossos vizinhos sul-americanos, vivendo sob ditadura ou desenfreada demagogia.



Revista Genealógica Brasileira, Ano III, 1942, pgs: 383 a 397.

Um espelho distante, Bárbara Tuchman, Jose Olympio, 1999.

Titulares do Império, Carlos Rheingantz, 1960.

Folha de São Paulo, Folha Dinheiro, 6/10/05.

Folha de São Paulo, Folha Dinheiro, 9/10/05.

Folha de São Paulo, Folha Ciências, 14/12/05.

Folha de São Paulo, Folha Dinheiro, 28/7/07.

Folha de São Paulo, Folha Dinheiro, 6/12/07.

Folha de São Paulo, Folha Dinheiro, 5/1/09.

Isto É Dinheiro/410, 20/07/05.

Isto É Dinheiro/412, 3/8/05.

Carta Capital, 6/4/05.

National Geographic, December, 2004, pgs 11 a 27, December 2005, pgs 96 a 101.

Max Gueringuer, Rádio CBN, 29/11/05.

Gazeta Mercantil, 10/1/2008.

Veja Sao Paulo Viaja no Luxo, Junho 2010.

Folha de São Paulo, Mercado, 10/10/14. 

 

















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes