A GENEALOGIA COMO FATOR BÁSICO NA FORMAÇÃO DA PÁTRIA





Somos, concretamente, restos de estrelas animados de consciência.


 


Para começar, pensemos na presença do homem na terra nos últimos 12 mil anos. De 10 mil a.C. até o ano 1800 da era cristã, a expectativa de vida no nosso planeta ficou estável e próxima a apenas 25 anos de idade.





Autor: Anibal de Almeida Fernandes


 


Texto inicial: Maio 2002, última atualização: Janeiro, 2017.




GENEALOGIA: é o hábito de relacionar os ancestrais para torná-los conhecidos e qualificar o indivíduo perante seus pares, isso funcionou como a base elementar na formação das civilizações: Sumeriana, Egípcia, Hindu, Chinesa, Japonesa, Grega e Romana, que da célula unifamiliar evoluem até chegar à constituição da pátria mãe.







INÍCIO DA HISTÓRIA HUMANA: O HOMEM começa a ser HOMEM quando passa a enterrar os seus mortos. Este é o marco divisório entre os hominídeos (hominídeos, como é conhecido o grupo ao qual pertence o homem e seus parentes fósseis que saíram da África rumo à Eurásia) e o primeiro homem e ocorreu há cerca de 40.000 anos atrás, antes mesmo da prática da agricultura, que só aparece cerca de 12.000 aC., após a ultima era glacial, tanto com o Homo sapiens (2.000 calorias/dia) que continuou até hoje como o homem moderno do séc. XXI, tanto com o Homo neandertal (5.000 calorias/dia) que se extinguiu há 30.000 anos. Essas 2 espécies se separam há 500.000 anos atrás. Os cientistas compararam o genoma neandertal com o de cinco humanos modernos procedentes da África Meridional e Ocidental, assim como de França, China e Papua Nova Guiné. Também foi comparado com o genoma do chimpanzé, cujo DNA é 98,8% idêntico ao humano. Na comparação, o neandertal mostrou-se geneticamente idêntico ao humano moderno em 99,7%, e ao chimpanzé em 98,8%. O antepassado comum do chimpanzé com o humano moderno e seu primo neandertal remonta a 5 ou 6 milhões de anos atrás.  


Agora o conceito para o início do homem é a criatividade que fez nascer há 100.000 anos na África/Oriente Médio, algumas peças e acompanhou os viajantes que saíram da África há 60.000 anos e se dispersaram pela terra inteira, até fazer aflorar a extraordinária arte que estamos encontrando agora e que nos espanta pela beleza, requinte e sofisticada qualidade.


Blomboa cave: 75.000 anos 




 1ª assinatura humana 37.000 anos


 


1) O início da civilização: A terra era propriedade privada da família e foi garantida pela religião desde o alvorecer da civilização, pois era na terra que a família assentava o túmulo dos ancestrais que era o altar do lar para reverenciar esses ancestrais mortos, que eram os deuses do lar, os Manes. Esta terra devia ser protegida, e preservada através dos tempos, pois ela recebia os mortos familiares que são os deuses pertencentes à própria família. A religião ordenava que o altar do lar estivesse fixo no chão e que o túmulo não fosse jamais destruído ou deslocado. O ritual de oferecer uma refeição sobre o altar dos ancestrais mortos, que são os deuses do lar, é a mais antiga forma conhecida de ato religioso no mundo e existe até hoje principalmente no Oriente.


São 2 os fatos estabelecidos solidamente no início de qualquer sociedade: a família é formada pelo culto aos seus ancestrais mortos e pela propriedade da terra onde estão enterrados esses ancestrais, sempre guardada pelos deuses Termos que fixam os seus limites sendo que esses ancestrais mortos são os deuses do lar da religião doméstica de cada família, esta terra deve ser preservada e protegida para todo o sempre. Uma linha sagrada e intransponível separava e limitava a propriedade dos campos de cada família através da marcação feita, ou por pedras ou por árvores, os Termos e os Marcos. Isso ocorreu entre os hindus, etruscos, romanos, sabinos e gregos.

2) Conceitos de família: Na Grécia a terra (propriedade) pertence aos que já morreram, é lá onde está o túmulo dos ancestrais da família, que é o que dá a identidade familiar, e deve ser guardada para os que vão nascer. Não existia a desapropriação e o confisco da terra só ocorre em conseqüência do exílio do cidadão. A dívida a alguém é paga com o próprio corpo do homem que é devedor e vira escravo, pois a terra é da família dele, não é do homem que fez a dívida. O direito da propriedade é inviolável e supera qualquer outro. Para o pagamento da dívida apenas se podiam vender os bens, nunca a propriedade familiar. Nestas sociedades patriarcais a filha solteira ou casada herda muito menos que o filho homem, no máximo a terça parte. Se for filha única herda a metade dos bens, desde que haja um testamento específico lhe outorgando essa metade. O filho mais velho herdava a propriedade e tinha a obrigação de continuar a praticar o culto os deuses do lar. A propriedade não era adquirida pelo trabalho, mas recebida pela exigência religiosa do continuísmo do culto doméstico aos Manes do lar que é a célula mater na formação da família, ou seja, a propriedade é sagrada e serve ao culto dos ancestrais mortos da família.

3) Culto aos mortos: tanto na Grécia, como em Roma e na Índia, a filha não pode cumprir o 1º e mais sagrado dever que é o culto aos ancestrais mortos através de uma série de repastos fúnebres que devem ser feitos continuamente pelo filho homem. Na Índia este ritual está bem caracterizado na Lei de Manu, o 1º Homem, que é o similar indiano do Noé cristão, pois ele salva a humanidade e os animais do dilúvio mandado por Shiva para purificar a terra, ele escreve a lei para reger todos os homens agrupados de acordo com a qualidade da energia espiritual e material que predomine neles. A Lei qualifica o parentesco não pelo ato físico do nascimento, mas sim, pelo culto familiar aos ancestrais mortos que são comuns. O chefe da família 2 vezes por mês, oferece o repasto fúnebre aos ancestrais apresentando um bolo de arroz cozido (chamado pinda) aos Manes de seu pai, relacionando-os até a 7ª geração, depois, oferece o bolo aos Manes de sua mãe,relacionando-os até a 5ª geração. Dois chefes de família que tenham entre todos esses ancestrais, pelo menos um em comum, são considerados parentes de grau sapinda, o que os deixa impedidos de casar os filhos entre si. Além da 7ª geração paterna e da 5ª geração materna se retroagem os ancestrais até a 14ª geração, porém, nesse caso, a libação se faz apenas com a oferta de água, e nesse caso há um parentesco de grau samanôdaca.

4) Castas da Índia: vinculado ao hinduísmo, que é a religião praticada por 85% dos indianos, temos o sistema hierárquico de castas na Índia com uma história de 3.000 anos que resiste às tentativas oficiais de extingui-lo. Em sua origem, ele tinha 4 castas divididas de acordo com os valores espirituais e materiais de cada uma delas na sociedade. No topo da pirâmide estavam os brâmanes, (cor branca e metal ouro) que eram ou sacerdotes ou intelectuais, criados a partir da boca do deus Brahma. Dos braços saíram os aristocratas, governantes e guerreiros, chamados de xátrias (cor vermelha e metal prata). Comerciantes e agricultores, os vaixiás (cor ocre/marrom e metal bronze) foram criados a partir das coxas de Brahma. Por fim, dos pés nasceram os sudras (cor cinza escuro e metal ferro), os operários responsáveis pelo trabalho manual. Mais tarde surgiu uma quinta categoria os dálits, os "intocáveis", vindos da poeira da terra sob os pés de Brahma, que passaram a desempenhar as tarefas impuras. Esse grupo e os integrantes de uma série de tribos indianas também são chamados de sem-castas e formam cerca de 24% da população do país, o equivalente a 260 milhões de pessoas e hoje participam de importantes cargos no governo.

5) Família: essas crenças particulares que cercam o culto aos deuses do lar, permitem um estado social onde a família vive isolada e independente. A estrutura familiar baseada no culto aos Manes, tem o uso do patronímico que perpetua o gens (nomem) e quando os ramos familiares se tornam independentes, ganhando uma individualidade, esses ramos adotam o sobrenome (agnomem). Porem cada pessoa sempre teve seu nome próprio.

A família se estabelece com o seu ramo primogênito, mais os ramos secundários, seus escravos, seus servos e seus clientes formando uma associação de pessoas. Quando as famílias se uniram, logo conceberam uma divindade superior às suas divindades familiares particulares (os Manes) e ergueram um altar comum a todas as famílias.

As várias famílias formam as fatrias ou cúrias,

As várias fatrias formam a tribo.

A aliança das tribos (que mantém os próprios cultos particulares) faz nascer à cidade que, apesar de manter os cultos particulares das várias tribos que a compõem, cria um culto comum a todos.

O mesmo acontece com o funcionamento político, pois apesar de continuar a coexistir uma infinidade de pequenos governos tribais, sobre eles se coloca um governo comum. Assim sendo, a cidade que nasce do conjunto das tribos era apenas uma confederação, sem nada interferir na intimidade das famílias que a compunham, e que ainda se administram a si próprias, guardando uma hierarquia patriarcal/doméstica particular com suas leis e responsabilidades privadas. 

Exemplo atual: algo muito similar à estrutura das famílias que formam as tribos Pashtun, compostas por cerca de 25 milhões de pessoas que vivem na inóspita região de montanhas e cavernas entre o Afeganistão e o Paquistão no Waziristan e em Peshawar e se relacionam até hoje sob as rígidas leis de um antigo código tribal de honra chamado Pashtunwali, em pleno século XXI, baseado nos atributos da honra de um homem que são: ouro, terra e mulheres e na sua honradez que deve ter: hospitalidade, dar asilo a qualquer um, mesmo que seja inimigo e o direito de fazer justiça e se vingar. O sistema de tribos foi preservado na constituição do Paquistão, após a independência em 1947, a fim de impedir que os maliks (chefes tribais) oficiais criassem o território independente do Pashtunistão. A lei paquistanesa normal não se aplica às Áreas Tribais Federativamente Administradas. Os maliks oficiais cooperavam com os agentes políticos governamentais que controlam quem recebe bolsas, vistos para viagens ao exterior e auxílio alimentar durante as secas. Os maliks oficiais recebiam regularmente contratos governamentais para a construção de estradas, escolas e hospitais. Há diversas histórias sobre os casos de corrupção e de obras de baixa qualidade que resultaram dessa prática. Até recentemente, apenas os maliks oficiais podiam votar nas eleições. O sistema de punição tribal coletiva criado pelos britânicos permaneceu em vigor. NYT (Rod Norland 12/9/15): Num país que sempre se orgulhou do Pashtunwali, rigoroso código de conduta que confere privilégios de hóspede até mesmo aos inimigos, muitos afegãos começam a enxergar a recente onda de ataques por infiltrados como mais um sinal de declínio moral causado por quase quatro décadas de guerra.



Na Grécia, que é o embrião do estado moderno de hoje, cada grego era membro de uma família, uma fatria, uma tribo, uma cidade. Havia um ritual a ser seguido para a inserção social da criança que nascia:

1ª etapa: 10 dias após o nascimento a criança era admitida na família.

2ª etapa: alguns anos mais tarde a criança é admitida na fatria.

3ª etapa: aos 16 ou 18 anos o jovem apresenta-se para ser admitido na cidade, através de uma cerimônia ritual onde faz um juramento obrigando-se a respeitar a religião da cidade. Após esse juramento o jovem é considerado um cidadão.

As grandes famílias patriarcais gregas eram semelhantes às clãs célticas e tinham, cada uma, o seu chefe hereditário, ou sacerdote ou juiz. Essas famílias aparecem na história a partir de 1600 a.C., como os Cécrops de Atenas, que são uma das 12 associações familiares que, muito mais tarde, serão unidas por Teseu (que é o herói mítico grego que mata o Minotauro e liberta a Grécia do jugo de Creta) e formam a cidade de Atenas, no alvorecer do Estado Grego.


6) Evolução do conceito de família: Com a queda do Império Romano, a 4/9/476, com a deposição do Imperador Rômulo Augusto, que era apenas uma criança, por Odoacro que tem origem bárbara, (ou da Esquiria, ou de Herul), porém já é cristão e considerado um patrício romano sob o nome de Flávio, ele conhecia os segredos de Roma e até meses antes servia no mesmo regimento que agora vencia. Odroaco ao morrer a 15/3/493 é sucedido por Teodorico, rei dos Ostrogodos e, a partir daí, segue-se uma série infindável de chefes bárbaros que se alternam brevemente no poder. Essa época de frenética agitação política/cultural que inaugura a Idade Média destrói essa estrutura centenária de família já inserida na sociedade romana, que era muito mais lastreada no parentesco advindo do culto aos ancestrais mortos comuns uma vez que, só eram parentes entre si os que faziam oferendas aos mesmos antepassados, e deixa de lado a consangüinidade já que, um irmão e uma irmã de sangue não eram mais parentes, pois essa irmã ao se casar, passa a adotar os ancestrais do marido como sua família, de fato e de direito, e se desliga do seu parentesco de sangue, como vemos no estudo feito sobre a família romana dos Cipiões:

Cipião Emiliano e seus primos de 1º grau os irmãos Caio e Tibério Graco, não são mais considerados parentes entre si, pois apesar de todos os 3 serem netos de Cipião, o Africano, de quem tem o mesmo sangue, apenas Cipião Emiliano é considerado da família dos Cipiões por descender de um filho homem de Cipião, o Africano, enquanto que os irmãos Tibério e Caio passam a ser da família dos Sempronios, pois são filhos da filha Cornélia deste mesmo Cipião, o Africano, pois Cornélia ao se casar com Sempronio Graco, se insere na família dos Sempronios passando a cultuar os seus ancestrais o que faz com que Cornélia e seus 2 filhos, deixem de descender de Cipião, o Africano e passam a ser da família dos Sempronios. 

Na baixa Idade Média apenas se tinha o nome de batismo, situação que perdura até o século XII. No século XII, começa a ser usado o patronímico e aparece o primeiro registro heráldico, documentado pela história, que ocorre quando Henrique 1º da Inglaterra concede, em 1127, ao seu genro, Geoffrey Plantageneta (Anjou), um escudo azul decorado com 3 pequenos leões dourados. O neto deste Geoffrey, William Longespee, Conde de Salisbury, falecido em 1226, está enterrado na catedral de Salisbury e tem gravado sobre sua tumba, um escudo idêntico ao de seu avô Geoffrey, numa prova inconteste da hereditariedade do escudo na família, que inicia um costume/tradição heráldica que persiste até hoje em dia. O patronímico aparece sempre ligado ao nome da terra de origem do indivíduo e, daí, evolui para o sobrenome.

Tem um exemplo dessa ligação terra=nome em minha família Arantes graças à documentação histórica registrada de meu 13º avô, João de Nantes/Arantes, século XV, Portugal, cujo nome vem do nome desta vila de Nantes do Conselho de Chaves, que pertencia à Casa dos Duques de Bragança. Esse João, nasc. cerca de 1460, era Cavaleiro Fidalgo de sangue e espada, Senhor da Quinta de Romay, Morador da Casa Real, e foi designado a 2/1/1488, Condestável (=Ministro de Guerra) dos Espingardeiros d’El Rei Dom João II (1455-1495). João de Nantes/Arantes tem o seu sobrenome evoluindo para Anantes, Danantes, até se fixar em Arantes no século XVII, cuja grafia perdura até hoje nessa linhagem de mais de 500 anos de história, tanto em Portugal como no Brasil onde se estima a existência de 30.000 Arantes, e deu o nome ao título do Barão de Arantes e depois Visconde de Arantes de Antonio Belfort Ribeiro de Arantes, meu tio-trisavô, no Império do Brasil, (1822-1889).

7) A genealogia como formadora da Pátria: O conhecimento/respeito/descrição da seqüência dos ancestrais, ou seja, a genealogia dos nossos avós, é um conceito inserido em todas as grandes civilizações do mundo: Sumerianos, Egípcios, Hindus, Chineses, Japoneses, Gregos e Romanos todos, sem exceção, tem o hábito de relacionar os seus ancestrais para torná-los conhecidos e qualificarem o indivíduo perante seus pares e isso funcionou como a base elementar na formação dessas civilizações que, da célula unifamiliar, evoluem até chegar à constituição da pátria mãe.

Os escribas reais da Suméria em 2000 a.C., desolados com a derrota e a queda da 3ª Dinastia de Ur, frente aos conquistadores de Isin, restauram o orgulho nacional da Suméria fazendo os registros dos reis Sumerianos desde antes do dilúvio, num códice de apenas 5 reis que reinaram durante 241.200 anos (?) e mais 19 dinastias, pós-dilúvio, que reinaram até chegar à derrotada 3ª dinastia de Ur, sempre exaltando o glorioso, e inigualável, passado dos Sumerianos frente aos aventureiros conquistadores.

Essa abordagem  delirante/mítica/grandiosa/teatral/intencional da genealogia aparece em todas as grandes Casas Reais/Imperiais do mundo, é ela que faz os Faraós e os Imperadores da China e do Japão descenderem de um deus numa seqüência milenar e contínua. Há uma desvairada mistificação do passado que é sempre romanceado e atinge o ápice com a Casa Imperial dos Habsburgo, que é muito mais recente que a Casa Real da Dinamarca que é a Casa Real mais antiga da Europa, pois começa com Gorm falecido em 940, ou a 3ª Casa Real de França, que começa com Hugo Capeto (abade que usava uma capa=capeto) em 987, falecido em 996, mas justamente por ser de origem muito mais recente os Habsburgo quiseram superar as mais antigas em grandeza. A Casa Imperial dos Habsburgo, (dinastia que reinou sobre a Áustria de 1218 a 1918), escolheu como lema A E I O U = Austriae est imperare orbi universo (=Cabe à Áustria comandar o universo) e que, na época de Carlos 5º (*1500 +1558), por pouco não foi bem-sucedida no seu intento ao possuir um Império onde o sol não se punha. A Dinastia começa com Rodolfo 1º (*1218 +1291) e atinge um paroxismo de grandeza comMaximiliano 1º (*1459 +1519), eleito Rei de Roma em 1486 e se auto elege Imperador do Sacro Império Romano em 1508. Ele faz publicar uma autobiografia em 3 volumes: Theuerdank, Weisskunig e Freydal, que retroage os ancestrais dos Habsburgo até os Reis Judeus, os Príncipes de Tróia, os Imperadores de Roma e relaciona como seus avós mais de 100 santos, num completo delírio imaginativo, pois ele era obcecado por genealogia e a usava como um instrumento político de propaganda de sua Casa de Áustria visando mostrar ao mundo que a missão dos Habsburgo ia alem da Europa e deveria atingir o mundo inteiro.

The Habsburgs: Andrew Wheatcroft pg 95.


Os samurais japoneses, antes de um combate entre pares, recitam sua genealogia para o oponente, que faz o mesmo para assim se qualificarem entre si e glorificar/honrar os próprios antepassados com mais essa luta entre iguais.

Na Amazônia Brasileira, toda tribo indígena mantém seus registros genealógicos por tradição oral e o cacique passa a cada jovem da tribo, a história dos seus pais, dos seus avós e da sua tribo para que ele os conheça, os honre e os perpetue e se orgulhe de ser quem é.

Nota: Caio Prado Jr. reconhecia que a monarquia, durante os anos de Império, garantiu a unidade e a estabilidade do Brasil, sempre apoiada na aristocracia rural (Oliveira Vianna) que continha em seus quadros o que havia de mais culto no Brasil e evitou exemplarmente a desordem completa de nossos vizinhos sul-americanos, vivendo sob ditadura ou desenfreada demagogia.

Uma vez entendido esse conceito de continuidade genealógica pode-se definir que:

Família: é o conjunto de pessoas que reverenciam os mesmos ancestrais mortos.

Fatria: é o conjunto de famílias.

Tribo: é o conjunto de fatrias.

Cidade: é uma associação religiosa e política de um conjunto de tribos.

Urbe: é o santuário comum dessas tribos, um lugar de reunião que permite o culto ao deus comum a todas as tribos que compõem a cidade. É o lugar do ato religioso da cidade.

Minha Pátria, (terra patrum): é a terra onde estão os Manes (os deuses do lar, os ancestrais mortos) de minha família, ou seja, a minha pátria é a terra onde estão enterrados os meus ancestrais mortos.

Por tudo isso se vê que, há uma cultura genealógica arraigada/inserida nas mais diversas civilizações, tanto nas ocidentais como orientais, em qualquer estágio cultural em que se encontrem, e que é essa cultura, iniciada/baseada/apoiada na genealogia dos ancestrais mortos, que nos faz individualizar/identificar/marcar a nossa presença no mundo sempre através dos nossos ancestrais, nos inserindo neste fluxo/corrente/seqüência imemorial, e contínuo, que nos traz desde a origem do homem, no alvorecer da vida no planeta, até o presente e segue para sempre através de um filho que nos continua e que nos levará para o futuro sem limite da história, pois é o registro da seqüência genealógica da família que nos remete para a imortalidade na aventura sem fim da civilização.

8) Teorias: Darwin: os milhões de espécies de plantas, animais e micro-organismos que vivem e já viveram sobre a Terra descendem todos de um ancestral comum, que surgiu há mais de 3 bilhões de anos. O DNA, a substância presente no núcleo de todas as células portadora de hereditariedade, torna essa idéia real em sua simplicidade. Os organismos não são como são em obediência a um desígnio superior. Ao contrário, sua diversificação resulta do entrechoque de eventos inteiramente naturais, sobretudo mutações genéticas e modificações na natureza, ao longo do tempo.

É imperativo para se entender o fluxo genealógico e sua importância na história da humanidade analisar que cada um de nós tem 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós, 32 4ºs ravós, 64 5ºs  avós, etc, etc, numa progressão geométrica que nos dá 500 milhões de 28ºs avós, ou seja, cada um de nós, hoje vivo, tem um número maior de 28ºs avós do que a população da terra a meros 800 anos atrás! Racionalizando este fato científico/matemático pode-se afirmar que esse fluxo contínuo de avós nos transforma a todos em parentes com um ancestral comum através do qual somos primos em algum grau de todos os seres humanos existentes na terra no dia de hojenestas três hipóteses:

1ª A famosa Eva mitocondrial considerada tecnicamente a ancestral comum a todas as linhagens femininas existentes hoje em dia teria vivido há 140.000 anos atrás.

Nota: DNA mitocondrial, ou mtDNA, material genético presente nas mitocôndrias, as usinas de energia das células. É mais fácil extrair mtDNA de ossos antigos porque há 8.000 cópias dele em cada célula, contra apenas uma do DNA "principal", o do núcleo.

Rhode/Olson/Chang (Nature, Set/04): primos de centésimo grau, apenas 100 gerações atrás, ao tempo entre Akhenaton 1450 a.C. e o Império Romano.

Richard Dawkins (The Ancestor’s Tale): primos de milésimo grau, 1.000 gerações atrás, em 30.000 a.C. por considerar que algumas linhagens humanas ficaram isoladas na Oceania e Américas o que atrasou e dificultou a miscigenação entre elas. 


Uma reflexão mais cuidadosa sobre isso, nos remete à origem dos tempos, a uma consanguinidade inicial já provada cientificamente uma vez que, foi traçada geneticamente através do cromossomo masculino Y passado de pai para filho, sem interferência da mãe, e que nos remete para um ancestral masculino comum, apelidado de Adão que saiu da África há 60.000 anos atrás e de quem descendem todos os homens modernos.

É esse Adão Homo sapiens real e primevo, que se renova, se combina, se adapta, se aprimora, se supera, sempre sem degenerar, numa sequência contínua e inesgotável em sua marcha dinâmica para o futuro sem fim, formando um tecido humano comum a todos nós o qual, sob certo enfoque, dá a imortalidade a cada um de nós que tenha um filho por conter, em si próprio, e em sua descendência, essa herança genética, esse cromossomo Y, que irá perpetuá-lo até o fim dos tempos, não importando a que raça e segmento sociocultural pertença.


Bibliografia usada para estruturar esse trabalho: 
Somos, concretamente, restos de estrelas animados de consciência. Marcelo Gleiser, FSP Ciência, 19/12/10. 



Para começar, pensemos na presença do homem na terra nos últimos 12 mil anos. De 10 mil a.C. até o ano 1800 da era cristã, a expectativa de vida no nosso planeta ficou estável e próxima a apenas 25 anos de idade. Rodolfo Landim, FSP, Mercado, 02/02/13. 



Estudos sobre o Direito Nobiliário, Mário de Méroe, Centauro Editora, São Paulo, 2000, em especial as pgs: 14, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 38, 43. 



Genealogia Paulistana, de Luiz Gonzaga da Silva Leme, (*1852 - †1919) 


Título Moraes: Volume VII, Pgs: 3, 25 e 56.


Volume VII pg 3 > Moraes: Esta família teve princípio em Balthazar de Moraes de Antas, 12º avô de Anibal, que de Portugal passou a S. Paulo onde casou com Brites Rodrigues Annes f.ª de Joanne Annes Sobrinho, que de Portugal tinha vindo a esta capitania trazendo solteiras três filhas, que todas casaram com pessoas de conhecida nobreza. 
Pedro Taques, de quem copiamos esta notícia sobre os Antas Moraes e que por sua vez copiou-a do título dos Braganções na livraria de José Freire Monte Arroio Mascarenhas em 1757. 




 






Kirokitia (Chipre), um extraordinário sitio arqueológico datado de 8.500 anos aC. ou seja, 3 vezes mais antigas do que as pirâmides egipcias!!! com casas da época recuperadas, com 2,30m a 4,60m de diametro, com aberturas para ventilação e uma delas com 1 cadaver enterrados dentro, é uma tremenda experiência, porém é apenas para quem gosta: Las divisiones internas de cada choza dependían del uso que se le daba. Tabiques bajos, plataformas de trabajo, descanso o depósito. Tenían hornos, presumiblemente para cocinar y calentarse, bancos para sentarse y ventanas. En muchos casos hay evidencia de colunas para sostener un piso superior. Se cree que las cabañas eran como habitaciones, varias de las cuales estaban agrupadas alrededor de un patio abierto, y juntas formaban una sola casa.  Se cree que la población de la aldea estuvo entre 300 y 600 habitantes. Las personas tenían una estatura bastante corta: 1,61 m (hombres) y 1,51 m (mujeres). La mortalidad infantil era altísima, y el esperanza de vida era de cerca de 22 años de edad. Los muertos se enterraban acurrucados, directamente debajo de los pisos de las casas. En algunos casos se les dejaban provisiones, por lo que se cree que dentro de sus propias casas tenían algún tipo de culto a los antepasados. Resultado de imagem para khirokitia chipre


FSP/NYT-21/10/16: Soloneshnoye, na Rússia,  caverna DenisovaQuem a visita vê a história humana se desabrochar: escavações arqueológicas de sedimentos a até 7 metros revelam 22 diferentes camadas culturais ao longo de 282 mil anos de habitação. Todos os humanos modernos de ascendência não-africana carregam de 1% a 2% de genes neandertais. Embora seja provavelmente o resultado de encontros no Oriente Médio ou em outros lugares, o genoma do osso do dedão encontrado na caverna de Denisova deixou essa linhagem mais evidente. "É um sítio extremamente importante", disse em uma entrevista por telefone Svante Paabo, um geneticista do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária em Leipzig, Alemanha, que sequenciou o genoma denisovano. Segundo um modelo novo de evolução, amplamente apoiado por cientistas, diferentes tipos de humanos primitivos, incluindo neandertais, teriam se reproduzido entre si e deixado seus vestígios genéticos com muitos de nós hoje. Essa é uma teoria conhecida na literatura científica como uma "mistura entre humanos arcaicos e anatomicamente modernos. "O mais completo genoma neandertal decodificado até hoje veio de um osso de um dedão do pé encontrado aqui. E os ossos de um novo tipo de hominídeo, os denisovanos, até o momento só foram encontrados nesta caverna, que deu nome a eles. As evidências genéticas em humanos modernos são inconclusivas a respeito de detalhes, de acordo com Paabo, o geneticista, mas a ausência de vestígios neandertais no DNA materno mitocondrial sugere que neandertais machos mantinham relações sexuais com humanas fêmeas.



A Cidade Antiga, Fustel de Coulanges.

The Sumerians, Leonard Wooley.

The Art of Heraldry, Peter Gwynn.

Civilization of the Midlle Ages, Norma F. Cantor.

The Germanic Invasions, Luccien Musset.

Eleanor of Aquitaine, Amy Kelly.

The Habsburgs, Andrew Wheatcroft.

Nantes, ou Anantes ou Danantes Que Hoje He Arantes, Padre Marcelino Pereira, sec. XVIII.

Um espelho distante, Bárbara Tuchman, Jose Olympio, 1999.

História do Brasil, Empreendedores, pg. 53, Jorge Caldeira, Mameluco, 2009, SP.

Isto É Dinheiro/410, 20/07/05, e Isto É Dinheiro/412, 3/8/05.

# Carta Capital, 6/4/05, A Grande Família, pgs: 10 a 15.

# Time Magazine, The Future of Medicine, pgs. 24 a 49, January, 11, 1999. # Time Magazine, What Makes You Who You Are, pgs. 51 a 57, June, 2, 2003. # Time Magazine, The 160.000 Year Old Man, pgs. 68 a 70, June, 23, 2003.

# Veja, Eles tem tudo em comum, pgs. 73, e 74, Edição 1.804, 28/5/03. # Veja: Edição 1.760, 17 de Julho de 2002, Sahelanthropus tchadensis.

# National Geographic, Who Were the Phoenicians, pgs. 26 a 49, October 2004. National Geographic, December, 2004, pgs 11 a 27. # National Geographic, December, 2004, pgs 11 a 27. # National Geographic September 2007, pgs 32 a 59. # National Geographic, What Darwin Didn´t Know February, 2009, pgs. 38 a 73. # National Geographic, The Others Humans, Neanderthals Revealed, October/08, pg 36 a 59.

# Folha São Paulo, Mundo, 16/7/07, Pax Americana, jornalista e historiador Cullen Murphy. # Folha São Paulo, Ciência, 19/11/04, Primata Ancestral, 13 milhões de anos. # Folha de São Paulo, Editorial, Darwin 200, 10/2/2009. # Folha São Paulo, Ciências, 13/2/09, Genoma do neandertal e Competição: Neandertais > viveram na Europa e em parte da Ásia e os seres humanos considerados modernos a divergência entre eles ocorreu há 500 mil anos aproximadamente. De forma geral, podemos dizer que houve uma pequena contribuição dos neandertais para a variação encontrada na espécie humana, o genoma desse hominídeo é 99,5% semelhante ao dos humanos modernos. # Folha São Paulo, Ciências, 31/10/08: O DNA mitocondrial é aquele contido nas mitocôndria, as usinas de energia da célula. Como só é passado de mãe para filhos, é uma boa ferramenta para revelar linhagens genéticas. Ötzi, a múmia da Idade do Bronze achada nos Alpes italianos, não tem nenhum parente vivo, segundo um estudo publicado hoje. O veredicto foi dado por cientistas italianos e britânicos, que seqüenciaram parte do DNA do homem do gelo. O grupo liderado por Franco Rollo, da Universidade de Camerino, Itália, seqüenciou o genoma mitocondrial completo da múmia de 5.300 anos. É a seqüência do tipo mais antiga já obtida de um ser humano moderno. O que o genoma mitocondrial de Ötzi revelou foi que a múmia pertence a uma linhagem própria. Apesar de se encaixar do chamado haplogrupo (conjunto de linhagens) K1, que deu origem a diversas linhagens humanas na Europa, ele é diferente de todas as sublinhagens existentes hoje (K1a, K1b e K1c). Rollo e seus colegas afirmam que ele pertence a um ramo até agora desconhecido, que eles chamaram de K1ö, ou "ramo de Ötzi".

# Le Monde, 11/10/05.

# The Ancestor´s Tale: Richard Dawkins.

# Douglas Rhode/Steve Olson/Joseph Chang (Nature, Set/04).

# Veja, O Berço da Humanidade, 13/5/2009.

# Folha de São Paulo: 4/9/2009.

# Veja, Nosso parente reencontrado, 31/3/2010

# National Geographic, Veiled Rebellion, December 2010, pgs 28 a 53.

# Folha de São Paulo Ciências, 7/5/2010: Agora é oficial: neandertais e humanos anatomicamente modernos se acasalaram e produziram descendentes férteis há mais de 50 mil anos. A descoberta deixou os pesquisadores surpresos. Embora a ciência já soubesse que homens modernos e Neandertais coexistiram no período de 30 mil a 45 mil anos atrás, nenhum sinal de cruzamento foi detectado na análise do DNA mitocontrial de nossos parentes evolutivos, nem em qualquer outro estudo genético. Tanto que muita gente julgava que as espécies não eram capazes de gerar, juntas, descendentes viáveis. O dado vem da primeira análise do genoma dos neandertais, a ser publicada na revista "Science" por uma equipe internacional de pesquisadores, com mais de 60% do material genético dos neandertais "lido" em laboratório, após a extração de DNA de três mulheres neandertais da Croácia, ficou claro que ao menos algum grau de mistura aconteceu. Isso porque, ao comparar os dados dos neandertais com o genoma de pessoas de hoje, a semelhança em várias trocas de "letras" de DNA é elevada. Isso aparece, no entanto, apenas em pessoas de ascendência européia ou asiática. A explicação: é provável que os neandertais e os humanos modernos tenham se encontrado no Oriente Médio entre 80 mil e 50 mil anos atrás, antes de o Homo sapiens se espalhar mundo afora. Os descendentes seriam os humanos da Ásia e da Europa, cujo DNA carregaria entre 1% e 4% de contribuição neandertal. Na África, a mistura não teria ocorrido.

Lei Sálica:

A "sucessão" nos povos germânicos, recém-instalados nas antigas províncias do Império Romano, e depois tornados governantes e cristinianizados,"não obedecia a um padrão comum" ou seja era a mais variada possível e dependia mais da vontade do chefe de cada clã do que de algum costume tradicional unificado. No geral, a "mãe germânica" influenciava o marido já velho na escolha do seu sucessor porque entre eles "a mulher gozava de grande liberdade de ação e poder de influência" - o que nunca existiu na Grécia clássica, mas que evoluiu na Roma imperial. Na cultura romana, a mulher podia ser/fazer tudo. Somente não podia pertencer ao Senado. Submetidos à influência da Igreja romana na alta idade média, naturalmente que houve grande choque cultural e a Igreja acabaria por "enterrar" - no tempo - quase todos os costumes deles que iam contra os ensinamentos dos Evangelhos. Na interpretação da época, à mulher não cabia outro papel que submeter-se à vontade do marido e criar os filhos. Na passar dos séculos desde o desmoronamento da Roma imperial, não foram poucos os conflitos e guerras que surgiram por causa dessa "sucessão desorganizada e sem padrão definido originária da cultura germânica: reinos se dividiam quase sempre dando lugar a outros. Tanto é que esse fato é a causa maior do atraso na formação dos "estados nacionais". Inocêncio III, expoente da Igreja por volta do ano 1200, profundo conhecedor do Direito Romano, e considerado como o maior legislador da idade média, procurando por fim nessa discórdia, pela primeira vez na História coloca no papel (ou formaliza) o direito de sucessão nos reinos cristãos - o direito da progenitura e a exclusão das mulheres (estas apenas vão transmitir o direito de sucessão) e dos incapazes - evidentemente baseado no Antigo Testamento. E tais regras acabariam de prevalecer em todo o mundo conhecido. O fato de se excluir a mulher da sucessão é, antes de mais nada, um costume ancestral germânico, especialmente dos francos. Mas não o era, por exemplo, em Constantinopla. O que Inocêncio III fez para a humanidade foi consolidar no Direito a Lex Salica(na idade média essa Lei era mais abrangente), mas ele vai "a um meio termo" e reconhece a ela - a mulher - a capacidade de, per si, transmitir "os direitos de sucessão". Fonte primária Dario Zagotta, 2012

 


 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes