SAGA DO CAFÉ e a TRAJETÓRIA DOS MEUS AVÓS


Da 1ª Crise de 1889 à 2ª Crise de 1929


Autor: Aníbal de Almeida Fernandes.



Texto inicial: Julho, 2008, última atualização: Setembro, 2017


 


Minha intenção é resgatar o conhecimento do papel de meus avós, e sua relevância para a construção da nação, nos 3 períodos da história do Brasil: colonia, império e república.

 Nasce o sol no cafezal

 


Relato a trajetória da família Avellar e Almeida ligada ao café desde Vassouras, RJ, que passa a ser Arantes de Almeida em Araraquara, SP, com Joaquim Rodrigues d’Almeida, avô de Anibal: n. a 23/6/1866, f. a 25/2/1937, e Bernardina Ribeiro do Valle Avellar e Almeida Carvalho de Arantes, avó de Anibal: n. a 25/8/1869, f. a 18/7/1936, que são primos e casados a 30/1/1889, em Valença, RJ, falecidos em Araraquara, SP. Quando eles chegam em 1890, em Araraquara, SP, já são a 4ª geração ligada ao café, desde Manoel de Avellar e Almeida, 4º avô de Anibal. Meus avós seguem uma trajetória geográfica/financeira emblemática, pois reproduzem exemplarmente a trajetória geográfica/financeira do café no Brasil, desde o começo do Império em 1822 até a Crise de 1929, ou seja, do Império na região fluminense para o Eldorado paulista na República.


Início: do Sec. XVIII até 1929


Tudo começa com Manoel de Avellar e Almeida, (1767-1848), 4º avô de Anibal que é o Patriarca da Família Avellar e Almeida de Sacra Família do Tingá e Vassouras (RJ), aí radicada desde o séc XVIII e que cresceu e prosperou sempre ligada á cultura do café.


O casal Manoel e Susana de Avellar e Almeida, 4ºs avós de Anibal, era dono da Fazenda Boa Vista do Mato Dentro. O casal tem o inventário nº 435 da Caixa nº 90 do Centro de Documentação Histórica da Universidade Severino Sombra, de Vassouras, informado nas pgs 280, 281, 282 e 305 do livro E o Vale era o escravo, do autor Ricardo Salles. 


VASSOURAS a Brazilian Coffee County, 1850-1900 Stanley Stein, Harvard University, 1957: pg. 41




A família Avellar e Almeida, nos 67 anos de Império, teve 7 descendentes com títulos concedidos pelo Imperador Pedro II, tudo por conta do prestígio/riqueza advindo do café: Barão do Ribeirão, Barão e Visconde de Cananéia, Barão de Massambará, 2º Barão do Rio das Flores, Barão de Avellar e Almeida (cujo Brasão pode ser usado pela família, pois o título foi dado sul cognome), 1ª Baronesa do Rio das Flores e a 1ª mulher do Barão de Werneck.



# A Banda diagonal vermelha com 3 estrelas de prata, postas em pala, representa trabalho árduo o que se confirma na # Abelha, à direita, simbolizando operosidade# O Cafeeiro, à esquerda, mostra a atividade do Barão de Avellar e Almeida Laurindo de Avellar e Almeida que era fazendeiro de café como toda a família AVELLAR e ALMEIDA. # A divisa em latim Virtute et Honore significa VIRTUDE E HONRA, que é uma confirmação dos valores éticos e sociais da família Avellar e Almeida.



BRASÃO da FAMÍLIA AVELLAR e ALMEIDA


Este Brasão foi concedido por Carta de Brasão em 1881, e está registrado no Cartório da Nobreza e Fidalguia do Império do Brasil, Livro II, folhas 9/11, ao Barão de Avellar e Almeida, Decreto de 7/1/1881, cujo título está registrado no Livro X pág. 70 Seção Histórica do Arquivo Nacional. É um título concedido ad personam sul cognome, isto é, dado a uma pessoa específica e apoiado sobre o nome da família do titulado. Esta forma de título só é usada quando o Imperador deseja prestar homenagem também à família, dignificando-lhe o nome. O Brasão tem um pé de café e uma abelha como arma heráldica e pode ser usado pela Família Avellar e Almeida sem o Coronel (coroa) e a comenda, que são exclusivos do Barão e não são hereditários, conforme as leis de heráldica e do Direito Nobiliárquico: Fonte Documental: Mário de Méroe, Estudos sobre o Direito Nobiliário, Centauro Editora, São Paulo, 2000, pgs: 25/26.


 Vassouras, a Brazilian Coffee County, 1850-1900, editado pela Harvard Historical Studies.




Meus avós conviviam em Vassouras/Valença com os demais membros da Família Avellar e Almeida que, alem de prestígio na cidade, tinha inserção na Corte do Rio de Janeiro tanto é que, em 1876 nosso primo Bernardino, Visconde de Cananéia, convidou e recebeu a visita da Princesa Isabel e do Conde d’Eu por uma semana em seu palacete (que existe até hoje em Vassouras, atualmente como Prefeitura) estando presentes meus avós: Joaquim e Bernardina com 10 e 7 anos de idade respectivamente. Todo esse passado que minha mãe registra, em carta para mim, em Agosto de 1975, e que me instigou na procura de meu passado.




Meus avós, após a queda da monarquia (1890) vieram em direção a Araraquara, SP, por conta da devastadora decadência de Vassouras e de toda a região cafeeira fluminense, cujas terras estavam completamente exauridas e não valiam mais nada, e as famílias na miséria; eles passaram pelo Rio de Janeiro e, junto com os Barões de Muritiba, (a Baronesa era madrinha de crisma de minha avó Bernardina), eles foram ao Baile da Ilha Fiscal, vovó Bernardina com um vestido amarelo de seda de Macau e com um colar de ouro e esmeraldas, pois as senhoras deviam se vestir com as cores do Império (este vestido até 1948, foi conservado por minha tia Alzira, em Araraquara).


Foto Baronesa Muritiba, Paris, 1890.



1890: procurando por boas terras para o cultivo do café meus avós chegaram, pela principal artéria de escoamento da produção agrícola de São Paulo, a Cia Paulista de Estrada de Ferro, em Araraquara, (SP), considerada a 5ª zona cafeeira do Estado que, junto à 4ª zona, Ribeirão Preto, que tem, a partir de 1905, uma grande produção de café superando a decadente 2ª zona cafeeira de Taubaté. Em Araraquara, minha aovó grávida perdeu um filho, provavelmente em consequência das aflições da mudança radical de situação de vida numa terra estranha e sem referências familiares e sociais. Perto da cidade, eles arrendaram a fazenda Baguary que posteriormente foi comprada, (a venda do colar de esmeraldas ajudou, pois nessa época do Encilhamento provocado pelo Rui Barbosa a economia estava um caos completo e os antigos Barões na miséria) e meu avô Joaquim voltou a plantar café que é o que ele sabia e gostava de fazer.


Fazenda Baguary situada no Distrito de Américo Brasiliense, sesmaria do Rancho Fundo, em Araraquara, SP, com cerca de 400 alqueires paulista, foi preparada para a cultura do café pelo casal, Joaquim e Bernardina Arantes de Almeida, avós de Anibal. Após a morte de Joaquim em 1937, a Baguary conforme o Formal de Partilha de 11/3/1937 registrado no Cartório do 2º Ofício da Comarca de Araraquara tinha 90.000 pés de café, 9 grupos de casas de colonos, com 2 moradias cada grupo, 2 casas para camaradas, casa para administração, casa sede da fazenda, casa de máquina com tulha e máquina de beneficiar café, 120 cabeças de gado vacum, 26 cabeças de porcos, 3 cavalos, um caminhão Chevrolet, um caminhão Graham Brothers, 3 automóveis marca Ford, safra de 2.300 arrobas de café, barracão para veículos e pomar de 200 jabuticabas. Um hábito da época era: na época de jabuticaba convidar os amigos para ir à fazenda chupá-las direto do pé, como é a melhor maneira de saborear a melhor fruta do mundo. A Baguary foi vendida em 1938.


1892: Precavido e desconfiado com a cultura do café, por conta de sua terrível débâcle no fim da monarquia que destruíra as famílias dos Barões de Café fluminenses, vovô Joaquim abre a 13/4/1892 uma casa comercial, para ter também outra fonte de renda (abaixo o documento do Registro oficial do estabelecimento).



1900: com as boas rendas do café, o casal passa a ter filhos, a intervalos de 1,6 anos. Foram 12 filhos vivos no total: 6 homens, alguns estudaram no Colégio São Luiz em Itu, (eu tenho fotos de 1906) e 6 mulheres: Luisa (1891), Mário (1893), Maria (1898), Alzira (1900), Isaura (1902), Joaquim (1905), Luis (1906), Anna (1907, mãe de Anibal), Esther (1910), José (1911), Bernardino (1912), Orlando (1914).


Os filhos: Mário, Joaquim, Luis e José estudaram no Colégio São Luis, fundado em Itú, SP, em 1867, visando os filhos de fazendeiros, até a mudança para São Paulo em 1918.


Colégio São Luiz 1906






Nesta foto de 1900, meus avós já tem 4 filhos: sentada Bernardina, com Alzira no colo, Mário dando a mão para Joaquim, Maria sentada ao lado de Luisa, em pé.




1911: meu avô Joaquim que era um homem muito moderno, e com grande visão do futuro, manda o filho mais velho Mário para a Europa estudar engenharia em Liège, na Bélgica, um grande centro de estudos europeu, entre seus colegas estava o futuro Conde Matarazzo e um Silva Prado.


1914: Mário (abaixo o diploma de 1913) volta pelo vapor Alcântara em Setembro de 1914, pois teve que abandonar os estudos e voltar para o Brasil por causa da 1ª Guerra Mundial e Luiz que deveria seguir o irmão em Liège, não mais irá. Mário foi prefeito e Vereador em Araraquara e representante do OAB na região, sua banca de advocacia era a maior da cidade. Porém, o mundo começa a mudar, pois a ordem agrária começa a ceder espaço para a era industrial subvertendo a ordem social que viera do Império, com os Barões do Café e sua hierarquia, mesclada de requintada cultura e maneiras/usos de convívio social reproduzindo os hábitos da corte.




Colegas de Liége - 1912, Mário é o 2º da esquerda para a direita sentado no sofá 


   Volta de Liége - 1914, Mário é o 2º da direita para a esquerda na 1ª fila   


1915: com a superprodução de café, e a 1ª guerra mundial que atrapalha a exportação, meu avô que era um homem muito esperto e perspicaz, deve ter pressentido alguma mudança econômica no ar, pois o casal parou de ter filhos e, num movimento inteligente e estratégico, meu avô mudou o seu enfoque econômico diminuindo bastante a quantidade dos pés de café plantados e passou também, a criar gado e com o capital recebido na venda das safras de café e do gado, começou a comprar terrenos, e o Grande Hotel de Araraquara que, em 1929, hospeda os oficiais do exército, que fazem manobra em Araraquara (abaixo carta do general Alexandre Leal, Chefe do Estado Maior do Exército do Brasil a 4/11/1929, agradecendo meu avô pela hospedagem).



Todos os 6 filhos homens estudaram em cursos universitários: Mário (iniciou engenharia em Liège, Bélgica, se formou advogado a 7/12/1923, eu tenho o diploma do Largo São Francisco), Bernardino e Orlando se formaram em advocacia, no Largo de São Francisco (SP), e Luiz (médico a 17/10/1935, abaixo o diploma da Praia Vermelha). Mário, Luiz e Bernardino são nomes de ruas em Araraquara.



e José se formaram em Medicina na Praia Vermelha (RJ), e Joaquim abandonou o curso de medicina e cuidou da casa comercial.


1916: a superprodução do café já era uma realidade.


1918, com a geada de 1918 há um interregno de bonança e o café, com grandes excedentes no Porto de Santos, duplicou de preço e é todo vendido permitindo ao governador/presidente Altino Arantes, (primo-2º de minha bisavó Ana Margarida de Arantes) um governo cheio de realizações em São Paulo (1916-1920).


Araraquara: Casa de Joaquim, avô de Anibal, (atualmente é Imobiliária)




1925: foi feita a última venda vantajosa da safra de café da Baguary, já com bem menos pés plantados, nos estertores finais da cultura cafeeira paulista e com o dinheiro apurado:


> VOVÔ, tia Maria e tio Mário foram para a Europa ver a Exposição de 1925 em Paris e voltaram pela Espanha e Portugal onde ficaram em casa de parentes Rodrigues d’Almeida, que tinham uma bela casa apalaceada no Porto com empregados com libré.


> VOVÓ visitou Vassouras com alguns dos outros filhos e se assustou/amargurou com a terrível decadência, pois lá encontrou poucos remanescentes empobrecidos das antigas famílias conhecidas, uma vez que os demais tinham se dispersado pelo Brasil afora.


Até 1925 as filhas vestiam-se para as festas com roupas que vinham de Paris e os saraus eram com champagne e bons tintos franceses, com boas conversas e música, os rapazes tocavam violino e as moças tocavam piano, num arremedo de corte no sertão. A porcelana para uso diário era Vista Alegre branca (eu tenho a sopeira e a molheira), que vinha de Portugal às dúzias, uma vez que havia um contrato de fornecimento direto para vovô, sempre com o monograma R. Almeida da Família gravado, pois eram 12 filhos e a quebradeira da louça era enorme. A porcelana de festa era Limòges = francesa (eu tenho o aparelho de chá que a tradição oral familiar diz que foi usado pela Princesa Izabel, na sua estada com o Conde d’Eu, no palacete do nosso primo o Visconde Cananéia, em 1876, para confirmar essa tradição analisei as 37 marcas Limòges, desde o sec. XVIII, e encontrei a marca J. Poyat, a partir de 1842, que é a única entre as 37 com o L na cor verde da marca como está na minha louça, o que corrobora a tradição oral familiar) e Maestricht = holandesa (eu tenho a sopeira). Os cristais eram Saint Louis, franceses, (eu tenho várias peças).





Crise de 1929 e durante os anos seguintes até 1938


A partir de 1920, o café já estava encalhando pela superprodução, e chegou um momento que não havia mais onde estocar as safras colhidas nas fazendas, e pagar pelos silos de armazenagem era muito caro, pois não havia nenhuma perspectiva de venda e, com a terrível crise mundial, a solução foi queimar as safras sem comprador, para desespero dos fazendeiros que ficam na miséria tendo que vender as jóias das esposas para sobrevivência e, no auge da crise de 1929, alguns se suicidam (eu tenho fotos sufocantes e emblemáticas de minha família junto a um dos filhos do presidente Washington Luiz, assistindo a queima do café da fazenda Baguary em 1937).


Apesar de estar com uma situação econômica bastante diversificada Vovô foi se amargurando, com a situação geral sem futuro e esperança, que se refletia no enorme desemprego, a crônica falta de dinheiro, e a ausência de possibilidade de melhoria econômica gerando o desespero na sociedade paulista, e vovô vivendo pela 2ª vez o mesmo terrível descalabro econômico/social, que vivera na mocidade em Vassouras/Valença, a partir de 1880 até a queda da monarquia em 1889, com a terra ficando sem nenhum valor e os antigos Barões do café na miséria, vovô começou a definhar, pois tinha na atividade agrícola o seu principal interesse e atividade, numa perfeita integração com a terra e o café.


Nessa fase pós crash de 1929 onde não havia dinheiro na praça, a família rapidamente se adapta/insere no contexto de uma realidade negativa de, fazenda deficitária e sem futuro, casa comercial (gerenciada pelo filho Joaquim), com pouca venda dada a inadimplência dramática dos fazendeiros e Hotel com pouca procura (gerenciado pela filha Alzira e o marido), alguns dos filhos estavam trabalhando, tio Mário tinha a melhor banca de advocacia de Araraquara e era o presidente da 5ª Sub-Secção da OAB, ele entra na política, foi delegado, Prefeito (1931-32) e vereador, (a partir de 3/4/1936) em Araraquara, abaixo o diploma e, quando ele morreu, o Scalamandré Sobrinho faz constar na Câmara de São Paulo, a 29/7/1958, um voto de pesar á família, abaixo: cópia do requerimento de nº 486/58), diploma de delegado, publicação do jornal O Imparcial de Araraquara, diploma do Largo de São Francisco de 1923.







Tio Luiz mora no Rio e é tisiologista conhecido, assistente do Prof. MacDowell, e faz experiências com o uso do Raio X que, por ser no início da técnica, não tem proteção e ele morre de leucemia em 1948, tio José termina o curso de medicina e vai ser médico do serviço social do Estado e depois se estabelece como professor titular da Faculdade de Odontologia de Araraquara, (tendo por assistente Mariquita Vilaça Correa Leite, minha professora de biologia e mãe de Ruth Cardoso, ex-primeira dama), algumas filhas davam aulas de francês e piano para manter os 2 irmãos mais novos, Bernardino e Orlando, ainda estudando advocacia no largo de São Francisco, onde Rafael Luís Pereira de Souza, Bacharel em Direito (filho do Washington Luiz 13º Presidente do Brasil) era colega de Orlando Arantes de Almeida que foi testemunha do nascimento em 1943, em Araraquara, de Washington Luís Pereira de Souza Neto, filho de Raphael Luiz. Rafael freqüentava a casa de meus avós em Araraquara e está numa das fotos da queima do café da Baguary.


Luisa, a filha mais velha, morreu em Fevereiro de 1936, vovó Bernardina em Julho de 1936, com esses 2 terríveis golpes, quase simultâneos, e como a situação econômica estava muito deteriorada, vovô desabou e em Fevereiro de 1937, 1 ano após a morte da filha Luisa, vovô Joaquim morreu de desgosto.


Entre 1935 e 1944 foram destruídos voluntariamente 547.969.980 cafeeiros no Estado de São Paulo.


Após a morte de meu avô, os 6 filhos homens muito abalados com a sucessão de fatos trágicos/graves na família se reuniram e chegaram à conclusão que, com as terras sem valor, o café era uma perda de tempo sem recuperação possível e impediram que os cunhados continuassem com a fazenda Baguary, (Formal de Partilha, Cartório do 2º Ofício, Araraquara, 7/8/1937)onde ainda registram-se 90.000 pés de café e safra ensacada de 2.300 arrobas, que foram queimadas) e a venderam porteira fechada para um árabe que pagou a compra com a madeira que mandou cortar das matas da fazenda que hoje está em outras mãos e é fazenda de cana como quase toda a região, antes produtora de café. O pomar de 200 jabuticabeiras ao redor da casa grande foi eliminado.


A foto abaixo mostra a queima do café da Fazenda Baguary, em 1938, assistida por membros da família Arantes de Almeida num nefasto ritual que se repetia desde o crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929, que solapou as bases financeiras da aristocracia cafeeira paulista mudando toda a hierarquia social de São Paulo e marcando o fim da época da sociedade agrária dos barões do café que dominava o cenário político desde o Império. Na Frente estão sentadas: à esquerda a mãe de Aníbal: Anna, (1907-1987), a tia Alzira (1900-1984), de luto pela morte de vovô Joaquim e uma amiga. Lado Esquerdo em pé, de terno branco e gravata borboleta, tio Orlando (1914-1959). Lado Direito em pé, de calça branca, paletó e chapéu escuros, tio Joaquim (1905-1977) que está atrás de minha irmã Rachel (*1930 +2013) e minha irmã Ana Maria (*1928 +1999) sentadas ao lado de Raphael Luíz, (é filho de Washington Luís Pereira de Souza, 13º Presidente do Brasil), que era colega de tio Orlando no Largo São Francisco, que foi testemunha do nascimento em 1943, em Araraquara, de Washington Luís Pereira de Souza Neto, filho de Raphael Luiz.







A família Arantes de Almeida teve uma completa inserção na sociedade araraquarense, inclusive, os filhos, Mário, Luís e Bernardino são nomes de ruas de Araraquara.


A saga cafeeira que começara no Sec. XVIII com os Avellar e Almeida, em Vassouras RJ, terminou definitivamente para os Arantes de Almeida com a venda da fazenda Baguary em Araraquara SP, em 1938, com 158 anos de história, e nenhum descendente de meu avô Joaquim voltou a se relacionar com a cultura cafeeira que, desde o séc. XVIII, esteve profundamente inserida na atividade dos vários ramos da família.


Apesar de minha família não ter mais nenhum contato com o café desde 1938, minha filha se casou com um rapaz cuja família tem fazenda de café e gosta do que faz, assim sendo, o meu neto Enrico Arantes de Almeida Alonso (*15/10/2010), que é 6º neto de Manoel de Avellar e Almeida (4º avô de Anibal), graças ao pai dele (Felipe Augusto Alonso) e ao seu bisavô paterno (Geraldo Alonso), foi a 8ª geração contínua ligada à cultura cafeeira até sua última colheita em 2013 cultivada em Bragança, SP, encerrando a saga cafeeira de Enrico com 233 anos contínuos de história, atualmente plantam milho. Mas a ligação com a terra brasileira continua, considerando o 14ºavô de Enrico, Balthazar de Moraes (de Antas) que veio para o Brasil em 1556, dono de terras no Ipiranga e Juiz em São Paulo em 1579, Enrico em 2014, tem a terra brasileira no sangue por 461 anos (1556-2017), em 16 gerações contínuas.





2013: Enrico trabalhando no terreiro de café na última safra


Fontes pesquisadas para estruturar este trabalho:




Histórias de família, fonte primária: tios Mário, Alzira, Esther, fazenda Baguary, Araraquara, SP.


# Marcas Limòges pesquisadas para confirmar a veracidade da tradição oral sobre o aparelho de chá herdado por Anibal.





1930, Os Órfãos da Revolução, Domingos Meirelles, Editora Record, 2006, que é a base principal de informação dos dados técnicos que quantificam o trabalho. Produção de café: pgs: 332, 333, 431, 638, a exportação em 1927 de 15.115.000 de sacas é 2/3 do consumo do café no mundo, ou seja, o total consumido é de 15.115.000 dividido por 2  e depois vezes 3 dá: 22.672.500 sacas.


Grupos qualitativos e disputa sem qualidade, artigo de Carlos Alberto de Melo, Cientista Político, doutor pela PUC-SP, Professor de Sociologia e Política do Ibmec São Paulo.


Alcântara Machado (AM), José de, - Vida e Morte de Bandeirante, São Paulo, Martins, 1972.


A Cidade e o Planalto, Gilberto Leite de Barros, Martins, 1967, I Tomo, em especial as pgs: 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16,17, 19, 21, 22, 23, 27, 28, 29, 35, 36, 37, 38, 40, 41, 44, 45, 49, 53, 54, 57, 60, 82, 83, 85, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 123, 124, 164, 168, 169, 173, 174, 180, 186, 188, 191, 193, 196.


As Ferrovias de São Paulo 1870-1944, Flávio Azevedo Marques de Saes, Hucitec, 1981, em especial as pgs: 43, 52, 53, 66, 67, 79, 85, 97, 98.


O problema do Café no Brasil, Antonio Delfim Neto, IPE, 1981, em destaque as pgs: 59, 68, 76, 96, 101.


O Leopardo de Tomaso de Lampedusa.


Omegna (NO), Nelson, A Cidade Colonial, Brasília, Ebrara, 1971.


Bueno (EB), Eduardo, Naufrágios, Traficantes e Degredados, Rio de Janeiro, Objetiva, 1998.


Brasil: uma História, Eduardo Bueno, Atica, 2003.


Barões e Escravos do Café, Sonia Sant´Anna, 2001.


A Coroa, a Cruz e a Espada Eduardo Bueno, RJ, Objetiva, 2006.


Café e Ferrovias Odilon Nogueira de Matos, 4ª Edição, 1990, pgs: 29 a 34.


O feudo, Luiz Alberto Moniz Bandeira, RJ, Civilização Brasileira, 2ª edição, 2007Brasil.


Tragédia em Wall Street, Aventuras na História, Julho 2008, Editora Abril.


Genealogia Paulistana, de Luiz Gonzaga da Silva Leme, (*1852 - †1919)

Título Moraes: Volume VII, Pgs: 3, 25 e 56.

Volume VII pg 3 > Moraes: Esta família teve princípio em Balthazar de Moraes de Antas, 12º avô de Anibal, que de Portugal passou a S. Paulo onde casou com Brites Rodrigues Annes f.ª de Joanne Annes Sobrinho, que de Portugal tinha vindo a esta capitania trazendo solteiras três filhas, que todas casaram com pessoas de conhecida nobreza.

Pedro Taques, de quem copiamos esta notícia sobre os Antas Moraes e que por sua vez copiou-a do título dos Braganções na livraria de José Freire Monte Arroio Mascarenhas em 1757.

 



500 Anos de Sabor, Eda Romio ER, 2000.


. Baile da Ilha Fiscal: 9/11/1889 > D.Pedro II, José Murilo de Carvalho, pgs: 212/213, Cia das Letras, 2007.


4.500 convidados: 90 cozinheiros, 150 garçons,


consumo de: 500 perus, 800kg de camarão, 1.200 frangos, 12.000 sorvetes, 10.000l de cerveja 258 caixas de vinho e champagne.


 VASSOURAS a Brazilian Coffee County, 1850-1900 Stanley Stein, Harvard University, 1957:


retrata de maneira clara e objetiva o começo, formação e início da decadência de Vassouras, quando terminam as matas virgens para derrubar e plantar e a rotina míope dos vassourenses que não adubam ou cuidam de proteger a terra onde plantam; e eu nunca tinha lido sobre a confusão e decadência que causou a implantação da estrada de ferro (D. Pedro II) para as vendas e comércio da estrada de terra (Estrada da Polícia). Também me impressionou a mudança das tropas de mulas (cada uma com 9 arroubas) que custavam 33%!!!!!!!!! do que valia o café para transportá-lo até o Rio e quando chega o trem que facilita tudo e fica rei o carro de boi que carregava 100 arroubas até as estações e derruba o custo do transporte e a perda de café e mulas nos constantes acidentes anteriores e Vassouras fica riquíssima e muito sofisticada no seu modo de vida.


Pg 226 os escravos entre 1857-58 valem 73% do valor da fazenda.


Pg 246 em 1882 o escravo é o que vale nas fazendas, pois tem liquidez e as terras estão exauridas.


Pg 247 as propriedades em 1888 desvalorizam 10 vezes em relação a 1860 e o escravo tem valor zero na composição do valor das fazendas.


Pg 251 estima m 500.000 escravos libertos em maio/1888.


pg 260 estima em 500 mil contos de réis a necessidade de dinheiro.


Pg 286, 287, 288: o pasto invade os cafezais e o êxodo das famílias dos antigos fazendeiros segue firme.


Pg 293


em 1825 > 1US$ dolar = 1 conto de reis e passa a equivaler em:


1850 > 0,58US$ dólar = 0,58 conto de reis


1900 > 0,19US$ dólar = 0,19 conto de reis


Pg 294 estima em 1900 > 17.319.556 hab. a população do Brasil


Pg 295 estima em 1887 > a existência de 637.602 escravos


   Nota: O scholar de Princeton, Stanley J. Stein, em seu livro Vassouras, a Brazilian Coffee County, 1850-1900, editado pela Harvard Historical Studies, na pg. 121, informa que os grandes clãs familiares de Vassouras eram: Correa e Castro, Werneck, Ribeiro de Avellar, Paes Leme, Teixeira Leite e Avellar e Almeida.




http://www.napoleon.org/en/essential_napoleon/symbols/index.asp


The Bee: Symbol of immortality and resurrection, the bee was chosen so as to link the new dynasty to the very origins of France. Golden bees (in fact, cicadas) were discovered in 1653 in Tournai in the tomb of Childeric I, founder in 457 of the Merovingian dynasty and father of Clovis. They were considered as the oldest emblem of the sovereigns of France.





 


  


 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes