O CAFÉ E SUA PRESENÇA COMO ARMA HERÁLDICA


NOS ESCUDOS DOS BRASÕES DO IMPÉRIO DO BRASIL


 Anibal de Almeida Fernandes, Dezembro 2018


Este trabalho se baseia nas 2 fontes mais rigorosas e confiáveis sobre os Titulares e os Brasões concedidos nos 67 anos do Império Brasileiro [1822-1889] e está focado na representação do CAFÉ na heráldica brasileira, ou com o próprio CAFEEIRO [3], ou apenas com o RAMO [6] do café conforme pesquisa feita nos 239 BRASÕES concedidos pelos 2 Imperadores que foram registrados pelo Instituto Genealógico Brasileiro [IGB] no Livro abaixo:


1ª] Annuário Genealógico Brasileiro: Anno II, 1940



Conforme os 986 TITULARES e seus DECRETOS de concessão registrados na seção Histórica do Arquivo Nacional rigorosamente compilados no Livro abaixo:


2ª] Titulares do Império: Carlos G. Rheingantz, 1960


 


ENFOQUE HISTÓRICO


Foram concedidos 1.211 títulos a 986 titulares (apenas 0,0070% da população) a diferença é porque alguns titulares tiveram mais que 1 título, nos 67 anos do Império do Brasil, (1º Reinado de 1822 a 1831 e o 2º Reinado de 1840 a 15/11/1889), prioritariamente aos fazendeiros (a maior parte cafeicultores), depois aos ocupantes de cargos públicos, aos comerciantes, aos negociantes e, por fim, aos intelectuais e capitalistas.


No Cartório de Nobreza e Fidalguia do Império do Brasil foram registrados apenas 239 brasões, (apenas 0,0017% da população), que eram pagos á parte dos valores gastos com o procedimento para o título.


Pela tabela de 2/4/1860: 


Papéis para a petição do brasão: 366$000=R$ 58.172,00


Registro do brasão: 170$000=R$ 27.020,00


Os valores foram atualizados considerando gr. de ouro a R$ 158,94 [27/12/18]


RESUMO:


1) 3 Brasões contém o CAFEEIRO, os Brasões dos Barões de:


  Avelar e Almeida: Laurindo de Avellar e Almeida


  Bemposta: Inacio Barbosa dos Santos Werneck


  Silveiras: Antonio Tertuliano dos Santos


2) 6 Brasões contém um único RAMO de cafeeiro os Brasões:


Barões:


    Lorena: Estevão Ribeiro de Resende


    Ipojuca: João do Rego Barros


    Goyana [3º]: João Joaquim da Cunha Rego Barros


    Castelo: Manoel Luiz Ribeiro


Visconde Serro Formoso: Francisco Pereira de Macedo


Conde Boa Vista: Francisco do Rego Barros


BARÃO AVELAR E ALMEIDA = CAFEEIRO


  


BARÃO BEMPOSTA = CAFEEIRO


 


BARÃO SILVEIRAS = CAFEEIRO             


  


 BARÃO CASTELO = RAMO 


 



3º BARÃO GOYANA = RAMO  


 



BARÃO IPOJUCA = RAMO


  


2º BARÃO LORENA = RAMO


  


VISCONDE SERRO FORMOSO = RAMO


 



CONDE BOA VISTA = RAMO


 


  


BRASÃO da FAMÍLIA AVELLAR e ALMEIDA


    CONCEDIDO AO BARÃO DE AVELLAR E ALMEIDA


 Este Brasão foi concedido e passado por Carta de Brasão a 22/11/1881, e está registrado no Cartório da Nobreza e Fidalguia do Império do Brasil, Livro II, folhas 9/11, ao Barão de Avellar e Almeida, Decreto de 7/1/1881, o título está registrado no Livro X pág. 70 Seção Histórica do Arquivo Nacional, foi um título concedido pelo Imperador Pedro 2º (Chefe da Casa Imperial do Brasil) ad personam sul cognome, isto é, dado a uma pessoa específica e apoiado sobre o nome da família do titulado. Esta forma de título só é usada quando o Imperador deseja prestar homenagem também à família, dignificando-lhe o nome.


O Brasão tem uma um pé de café e uma abelha como arma heráldica e pode ser usado pela Família Avellar e Almeida sem o Coronel (coroa) e a comenda, que são exclusivos do Barão e não são hereditários, conforme as leis de heráldica e do Direito Nobiliárquico: Fonte Documental: Mário de Méroe, Estudos sobre o Direito Nobiliário, Centauro Editora, São Paulo, 2000, pgs: 24/25/26.


Atenção: só o título sul cognome, caso haja Brasão concedido pelo Imperador [fons honorum], permite hoje em dia o uso deste Brasão pelos familiares, conforme a opinião dos estudiosos do direito heráldico brasileiro.


INTERPRETAÇÃO HERÁLDICA


Este Escudo de Armas deriva diretamente do Brasão da família AVELAR nas cores: vermelho e ouro e estrelas em prata e do Brasão da família ALMEIDA nas cores vermelho e ouro.


Avellar [Sec. XVI] 


Almeida [1/3/1494] 


A legenda Virtude e Honra resume a ética e os princípios da Família Avellar e Almeida.


A Banda diagonal vermelha com 3 estrelas de prata, postas em pala, representa trabalho árduo


A Abelha, à direita, simboliza a operosidade, confirmando o trabalho árduo.


O Cafeeiro, à esquerda, mostra a atividade do Barão de Avellar e Almeida, Laurindo de Avellar e Almeida, que era fazendeiro de café como toda a família AVELLAR e ALMEIDA que, além do Barão de Avellar e Almeida, tem mais outros 5 titulares, todos esses 6 titulares eram ligados à cultura cafeeira iniciada em 1780 na região fluminense:


1)  Barão do Ribeirão, tio 3ºavô de Anibal: também tem brasão


 


2) Barão de Massambará,


3) Barão e Visconde de Cananéia,


4) 2º Barão do Rio das Flores,


5) 1ª Baronesa do Rio das Flores, tia 2ªavó de Anibal. 


A Abelha como arma heráldica:


The Bee: Symbol of immortality and resurrection, the bee was chosen so as to link the new dynasty to the very origins of France. Golden bees (in fact, cicadas) were discovered in 1653 in Tournai in the tomb of Childeric I, founder in 457 of the Merovingian dynasty and father of Clovis. They were considered as the oldest emblem of the sovereigns of France.


        


Túmulo de Childerico, Sec. V



Flor de lis dos Bourbon



Abelha Merovíngea de Napoleão 1º


Segundo Sergio Bisaggio as abelhas decorrem das abelhas em ouro encontradas em 1653, no túmulo do Rei Franco Childerico. Diz ainda que, no túmulo havia muitas jóias de ouro, moedas de ouro, uma espada esplendidamente ornamentada e cerca de 300 abelhas de ouro. O tesouro foi ofertado aos Habsburgo que enviaram como presente a Luis XIV, que não se interessou e mandou para a Biblioteca Real. Na Revolução Francesa essa Biblioteca virou a Biblioteca Nacional da França. Quando Napoleão prepara sua transformação em Imperador dos Franceses teve conhecimento do tesouro e, nas abelhas, viu a inspiração para a substituição da flor de lis dos Bourbon. Dessa idéia surgiram as abelhas como arma heráldica do Brasão do Império de Napoleão 1º, e foram motivo de inspiração para outros brasões inclusive no Brasil Imperial [da Família Avellar e Almeida]. 



NOTAS:


1ª) Outros representantes da flora foram usados nos escudos dos BRASÕES brasileiros: ramo de cana [vários], oliveira [vários], pereira [no Brasão do Duque de Caxias], palmeira, mangueira, amoreira, pinheiro, ramo de tabaco.


Brasão Duque de Caxias


 


2ª) Houve nos 67 anos do Império (2 Reinados): 1.211 Títulos concedidos e 986 Titulares:


 3 Duques


47 Marqueses


51 Condes


235 Viscondes


875 Barões



Fontes pesquisadas para estruturar esse trabalho:


- Estudos sobre o Direito Nobiliário, Mário de Méroe, Centauro Editora, São Paulo, 2000, em especial as pgs: 14, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 38, 43.


-Titulares do Império, Carlos Rheingantz, [1960=REFERENCIA MÁXIMA],  


-As Barbas do Imperador, Lilian Schwarcz, 1996.


-Anuário Genealógico Brasileiro (AGB): anos: I, II [1940=REFERENCIA MÁXIMA], III, IV, V, VII e IX.


# WIKIPEDIA


# http://en.wikipedia.org/wiki/Bee_%28mythology%29


# http://www.napoleon.org/en/essential_napoleon/symbols/index.asp


 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes