Brasil Império e seus 2 Imperadores


Aníbal de Almeida Fernandes, Maio, 2010, atualizado Setembro, 2015.


 1o Reinado: 12/10/1822 até 7/4/1831


1º Imperador = D. Pedro I: Pedro de Alcântara de Bragança e Bourbon, (*12/10/1798, +24/9/1834), Infante de Portugal, Príncipe da Beira a 11/6/1801, Príncipe do Brasil a 20/3/1816, Príncipe de Portugal, Brasil e Algarves, a 9/1/1817, Regente do Reino do Brasil a 22/4/1821, Regente Constitucional do Brasil a 13/5/1822 e Imperador do Brasil a 12/10/1822 sendo coroado a 1/12/1822. Filho de D. João VI, (1767-1826), 27º Rei de Portugal, da Dinastia Bragança, 3ª Dinastia Real Portuguesa iniciada em 1640 e de Carlota Joaquina de Bourbon, (25/4/1777-7/1/1830), filha de Carlos IV, Rei de Espanha, que é descendente de Hugo Capeto, (940-996, era um abade e usava uma capa=capeto), Rei de França em 987, Fundador da 3ª Dinastia Real Francesa (a 1ª Dinastia é a Merovíngia e a 2ª é a de Carlos Magno) que engloba, desde 987, em seqüência continua: os Capeto, os Valois, os Bourbon e os Orleãns.


D. João VI e Carlota Joaquina, tiveram 9 filhos, entre eles: 1 Imperador e Rei, 1 Rei e 2 Rainhas: 1) Maria Teresa, princesa da Beira, mulher de Pedro Carlos, 2) Antonio, morto jovem; 3) Maria Isabel, (rainha) mulher de seu tio Fernando 7º (1784-1833) rei de Espanha; 4) Pedro, 1º Imperador do Brasil e Rei Pedro 4º de Portugal; 5) Maria Francisca, (rainha) mulher de Carlos 5º (1788-1855) rei de Espanha; 6) Isabel Maria, regente de Portugal (1826-1828); 7) Miguel, que pelo casamento com a filha de seu irmão D. Pedro 1º, sua sobrinha, torna-se Rei de Portugal; 8) Maria, morta solteira e 9) Ana Maria, duquesa de Loulé.


Pedro, 1º Imperador do Brasil e Rei Pedro 4º de Portugal:


D. Pedro I casou-se a 1ª vez, a 6/11/1817, com Carlota Josefa Maria Leopoldina Von Habsburgo-Österreich, (*22/1/1797 +11/12/1826), filha de Francisco I, Imperador da Áustria-Hungria e Maria Teresa de Bourbon-Sicílias. Tiveram 7 filhos entre eles D. Pedro II.


D. Pedro I casou-se a 2ª vez, a 2/8/1829, com Amélia Napoleona Beauharnais, duquesa de Leuchtemberg, (*31/7/1812 +26/1/1873), filha de Eugenio Beauharnais, e neta de Josefina a 1ª mulher de Napoleão e também neta de Maximiliano I Rei da Baviera. D. Pedro e Amélia, não tiveram filhos.


A 16/4/1822 é oferecida a D. Pedro I a Coroa da Grécia, recém liberada do Império Turco.


D. Pedro I sucede D. João VI no trono Português, a 10/3/1826, como D. Pedro IV de Portugal, seu 28º Rei. Ele outorga a Carta Constitucional aos portugueses a 29/4/1826, e abdica a 2/5/1826, em favor de sua filha Maria. A 24/8/1826 os liberais de Espanha lhe oferecem a tríplice Coroa do Brasil, Espanha e Portugal. A 7/4/1831 abdica da coroa Imperial Brasileira para seu filho Pedro e embarca para Portugal, com o título de 22º Duque de Bragança, para defender Dona Maria da Glória do seu tio Miguel (irmão de D. Pedro I) que disputa a coroa portuguesa com o apoio dos absolutistas e do dinheiro de Dona Carlota Joaquina que, com a morte de D. João VI, herdou 50 milhões de cruzados em dinheiro e 4 milhões em ouro alem de uma fortuna em brilhantes. D. Pedro proclama a Regência em Portugal, a 3/3/1832, e assume como Regente até as Cortes Gerais da Nação proclamarem a maioridade de sua filha Maria da Glória, a 19/9/1834, que assume o trono como Dona Maria II, 29º Rainha de Portugal que casou 3 vezes:


1º Casamento: com dispensa papal, por procuração, a 29/10/1826 casou-se com seu tio paterno, o Infante D. Miguel (1802-66). O casamento foi dissolvido, ou anulado, a 1/12/1834. D. Miguel I foi forçado a abdicar em favor de D. Maria II através da Concessão de Évoramonte (26/5/1834). D. Miguel parte para o exílio e viveu o resto de sua vida na Alemanha, onde se casou com a Princesa Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, que lhe deu seis filhas e um filho, Miguel, Duque de Bragança. D. Miguel I está enterrado no Panteão dos Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa, para onde foi transladado juntamente com sua mulher D. Adelaide. Os dois ramos só se reconciliaram quase um século mais tarde, quando o rei D. Manuel II, não tendo tido filhos, reconheceu os descendentes de D. Miguel I como seus sucessores. Entretanto, em 1910, Portugal já se tornara uma república. Um dos atuais pretendentes ao trono português, D. Duarte Pio de Bragança, Duque de Bragança, é bisneto de D. Miguel I, por legítima varonia.


2º Casamento: casou em Munique por procuração a 5/11/1834 e em pessoa em Lisboa a 26/1/1835 com o príncipe D.Augusto de Beauharnais. Batizado Augusto Carlos Eugênio Napoleão de Beauharnais, nasceu em Milão a 9/12/1810 e morreria a 8/3/1835 de difteria, no Paço Real das Necessidades, em Lisboa. 2º duque de Leuchtenberg, Príncipe de Eichstadt, feito Príncipe de Portugal pelo casamento e 1° Duque de Santa Cruz no Brasil, feito a 5/11/1829 por seu sogro e cunhado D. Pedro I. Era filho de Eugênio de Beauharnais, filho da Imperatriz Josefina 1ª mulher de Napoleão, e da princesa Augusta da Baviera e irmão mais velho da imperatriz D. Amélia, 2ª mulher de D. Pedro I e madrasta de Maria II.


3º Casamento: Casou com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, baptizado Fernando Augusto Francisco António de Saxe-Coburgo-Gotha, nascido em Viena em 29 de outubro de 1816 e falecido em Lisboa a 15 de dezembro de 1885 no Paço Real das Necessidades, estando sepultado em mosteiro de São Vicente de Fora. O contrato foi assinado no fim de 1835. Meses depois, chegou o marido. Haviam casado em Coburgo por procuração em 1 de janeiro de 1836 e, em Lisboa, em pessoa, na Sé patriarcal em 9 de Abril de 1836. Este passou a Rei Consorte, como Fernando II, em 16 de setembro de 1837, após o nascimento de um filho varão. Regente do reino durante a menoridade do filho Pedro V e, depois da morte deste, até à chegada a Portugal do filho Luís I. Tiveram 11 filhos. Era filho de Fernando Jorge Augusto (Coburgo 1785-1851 Viena) príncipe de Saxe-Coburgo-Gotha e de Maria Antonia Gabriela (Viena 1797-1862 Viena), princesa herdeira de Kohary de Csabrag e Szitna. Viúvo, Fernando casaria de novo em 1869 com sua companheira de longa data, a cantora Elisa Hensler, feita condessa de Edla




  Regência: 1831-1840


 2º Reinado: 23/7/1840 até 15/11/1889


2º Imperador = D. Pedro II: Pedro de Alcântara de Bragança e Bourbon e Habsburgo, (*2/12/1825, +5/12/1891), filho de D. Pedro I e de Carlota Josefa Maria Leopoldina Von Habsburg-Österreich, (1797-1826), filha de Francisco I, (1768-1835), Imperador da Austria-Hungria e de Maria Teresa de Bourbon-Sicílias, (1772-1807). D. Pedro II assume o trono com 14 anos em 1840. Casou-se por procuração, a 30/5/1843, com Thereza Christina de Bourbon-Sicílias, (*14/3/1822 +28/12/1889), filha de Francisco I, Rei das 2 Sicílias e de Maria Izabel de Bourbon, que era filha de Carlos IV, Rei de Espanha. D. Pedro II descende das 2 famílias reais mais importantes da Europa: os Bourbon, que é a 2ª família real mais antiga da Europa descendente de Hugo Capeto, (*938 +24/10/996), ele era abade e usava uma capa=capeto, que foi rei dos francos de 987 a 996, (a 1ª mais antiga é a família real da Dinamarca que descende de Gorm, fal. 940) e os Habsburgo, de origem bem mais recente, porém cujas importantes alianças de casamento criam um Império que chega ao apogeu sob Carlos V (1500-1558) senhor de terras nos 4 cantos do mundo e com um Império onde o sol nunca se punha.


D. Pedro II e Dona Thereza Christina tiveram 2 filhas:


1) Izabel (herdeira do trono) c.c. Conde d'EU, (*1842 +1922), filho de Luis, Duque de Nemours e Maria Amélia de Bourbon-Sicilias e neto de Luis Filipe, Rei dos Franceses (*1773 +1850) c.c. Luisa Maria de Bourbon-Penthièvre. O Conde d'EU é 26º neto, por legitima varonia, de Hugo Capeto, fundador da 3ª Dinastia Real da França.


2) Leopoldina c.c. Augusto, príncipe de Saxe Coburgo Gotha.


 Heráldica no Império do Brasil




Pesquisado por Anibal de Almeida Fernandes, com o objetivo principal de tornar mais clara a interdependência geográfica e familiar das famílias dos Titulares do Império no século XIX, não podemos ignorar que em 1823 havia cerca de 4 milhões de habitantes e em 1889 havia 14 milhões de habitantes no Brasil e ao longo desses 67 anos de Império apenas 986 pessoas receberam títulos, ou seja apenas 0,0070% da população.


Nos 67 anos de Império houve 986 titulares e foram concedidos 1.211 títulos:


3 Duques,   47 Marquêses,   51 Condes,   235 Viscondes,   875 Barões


Foram registrados apenas 239 brasões (apenas 0,0017% a população) no Cartório de Nobreza e Fidalguia do Império do Brasil.


Atenção: A nobreza brasileira não era hereditária, pois todos os títulos foram concedidos ad-personam, isto é, válido apenas para a pessoa agraciada enquanto vivesse e após a morte do titular o título volta ao patrimônio heráldico do Império aí permanecendo in potentia, até ser concedido de novo para quem o Imperador (fons honorum) escolher. Os títulos foram concedidos, prioritáriamente, aos fazendeiros (porém apenas 5 brasões tem o cafeeiro como arma armorial sendo 1 deles, o da minha família Avellar e Almeida) e também, aos ocupantes de cargos públicos, aos comerciantes e negociantes, aos intelectuais e, por fim, aos capitalistas.


Atenção: o título concedido sul cognome (com o nome da família que o Imperador quis homenagear) permite, hoje em dia, o uso do Brasão pelos familiares conforme a opinião dos estudiosos do direito heráldico brasileiro. Fonte:Carlos de Méroe, Direito Nobiliárquico pgs 25/26.


As custas para ser nobre no Brasil, pela tabela de 2/4/1860, tinham os seguintes valores, em contos de reis:


Duque: 2:450$000,   Marquês: 2:020$000,   Conde: 1:575$00,


Visconde: 1:025$000,  Barão: 750$000


Além desses valores, havia mais os seguintes gastos adicionais:


Papéis para o processo: 366$000 e Registro do Brasão: 170$000.


Nota: para atualizar esses valores temos como referência que, em 1860, um conto de réis (1.000$000) comprava 1 kg de ouro.


Em 1871, o uso indevido do título, e/ou brasão, foi considerado crime de estelionato e dava cadeia para os infratores que eram severamente punidos.


# A revista VEJA, da ultima semana de Junho/2015, chama atenção para o crescimento do interesse de se obter Títulos de Nobreza e Brasões de Armas no Brasil, que podem ser obtidos após apresentação de documentos e, através de pagamento em 2 lugares:


#Portugal: Instituto da Nobreza Portuguesa, Lisboa, (cerca de R$ 10.000,00), sendo o fons honorum, D. Duarte Pio, Duque de Bragança, um dos herdeiros do trono Português.





#Brasil: através da Casa Real de Ruanda, como fons honorum.


Nota 1: O Cartório de Nobreza e Fidalguia era um serviço burocrático da Corte Brasileira. Estava subordinado à Mordomia da Casa Imperial, com origens que remontavam a uma determinação feita pelo Príncipe Regente D. João VI, logo que chegou ao Brasil, em 1808. Consistia no lançamento em um livro apropriado, do registro do teor dos decretos das titulações de nobreza feitas pelo Imperador.


Nota2 : Caio Prado Jr. reconhecia que a monarquia, durante os anos de Império, garantiu a unidade e a estabilidade do Brasil, sempre apoiada na aristocracia rural (Oliveira Vianna) que continha em seus quadros o que havia de mais culto no Brasil e evitou exemplarmente a desordem completa de nossos vizinhos sul-americanos, vivendo sob ditadura ou desenfreada demagogia.Fontes pesquisadas para estruturar esse trabalho:


Anuário Genealógico Brasileiro (IGB), Anno II, 1940, São Paulo.


Titulares do Império, Carlos Rheingantz, Rio de Janeiro, 1960.


As Barbas do Imperador, Lilian Moritz Schwarcz, São Paulo, 1996,


As 4 Coroas de D. Pedro II, Sérgio Corrêa da Costa, OESP Gráfica, 1996.


Anuário Genealógico Brasileiro (IGB), Anos: I, III, IV


Estudos sobre o Direito Nobiliário, Mário de Méroe, Centauro Editora, São Paulo, 2000,


Wikepédia: Maria 2ª de Portugal 


 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes