SER FAZENDEIRO: administrar o tempo e a terra num relato baseado em declarações e fatos reais do Império do Brasil e República. Anibal de Almeida Fernandes, 4ºneto de Manoel de Avellar e Almeida Vassouras, Setembro – 2015



Brasão Barão Avellar Almeida, 1881


O Brasão pode ser usado pela Família Avellar e Almeida sem o Coronel (coroa) e a comenda, conforme as leis de heráldica e do Direito Nobiliárquico. Um detalhe a ser destacado: o Brasão contém um pé de café e uma abelha como arma heráldica. Fonte Documental: Mário de Méroe, Estudos sobre o Direito Nobiliário, Centauro Editora, São Paulo, 2000, pgs: 24/25/26.


O apogeu da produção cafeeira fluminense foi de 1830 a 1880 e, nesses 50 anos, equivaleu em média a 70% da produção brasileira que equivalia a 50% do total das exportações do Império e equivalentes a 50% da produção mundial. Essa produção gerou uma extraordinária riqueza para os fazendeiros fluminenses que souberam aproveitá-la muito bem, construindo suas casas, como palácios rurais, e mantendo um trem de vida onde, o luxo, o requinte e o fausto eram os apanágios corriqueiros desses ricos fazendeiros que são a grande maioria dos Barões do Café, agraciados por D. Pedro II no 2º Reinado, (1840-1889). São eles que financiam a guerra contra o Paraguai de 1864 a 1870 com cerca de 40.000 brasileiros mortos e são o esteio do Império se constituindo numa aristocracia genuinamente rural, de caráter imperial.  


A Cidade Colonial: Nelson Omegna, pg 277



Eles são conseqüência direta do estímulo premonitório de D. João VI, distribuindo as sementes que mandara vir d'África e da facilidade com que a planta se desenvolve, inicialmente, nas terras de Rezende e daí, para o Vale Fluminense. Do êxito das plantações de Rezende vai o café para as Zonas da Baixada Fluminense, Vale do Paraíba e a zona montanhosa do centro da província fluminense e começam a surgir os extensos campos verdejantes dos cafezais que, no apogeu do 2º Reinado, chegaram a conter 500 milhões de pés de café, o ouro verde do Império. O Embaixador Raul Fernandes (1877-1969), primo de Anibal, foi ministro das Relações Exteriores (1946-1951) durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, e novamente ministro no governo de João Café Filho (1954-1955), filho insigne de Vassouras, RJ, assim fala do café:


"o café, no Vale do Paraíba, era uma das colunas mestras da economia do Império; as outras esteiavam-se nos canaviais de Campos da Bahia e de Pernambuco. A riqueza das 3 províncias não era só o dinheiro com que elas abasteciam o Tesouro Imperial, mas, também, as elites formadas na sua opulência para as artes, a ciência, a política e que deram, nas últimas décadas do Brasil monárquico, o maior contingente para o verniz de civilização com que elas brilham na história nacional".


A rotina da vida numa fazenda de café começava cedo, antes das 5 horas, acordando as pessoas e predispondo-as para a jornada diária. Foi essa a rotina dos fazendeiros pioneiros da região fluminense: primeiramente, pôr a mata virgem abaixo, depois: plantar, colher, exportar. Depois, era produzir muito e despender pouco consigo mesmo e com a família, apenas o estritamente necessário, o imprescindível, e assim conseguia-se alcançar a abastança. E, só então, vinha o palacete nos fundos de uma extensa fila de palmeiras imperiais, cercado de jardins, com capelão e mordomo como os barões medievais, porém, sem nunca esquecer a vida dura do passado que era sempre recordada com emoção, como nos relatos do 1º Barão do Rio das Flores, (tio 2ºavô de Anibal).


1º Barão Rio das Flores


As fazendas tinham, em média, 120 alqueires (mineiros/goianos), sendo o alqueire equivalente a 48.400 m2. Para os grandes proprietários as fazendas tinham, em média, de 250 a 600 alqueires e os latifundiários possuíam 2 sesmarias, ou mais, que tinham, cada uma, a área em torno de 1 légua quadrada, que equivale a 4.356 hectares. Segue uma cronologia histórica da produção cafeeira baseada em Eloy de Andrade, Gilberto de Barros Leite e Eduardo Coelho de Lima.


1852-1857: a exportação do café fluminense é 92% do total exportado pelo Brasil, enquanto que Santos exporta apenas 6%.


Oliveira Viana assim descreve o patriciado fluminense: Não tinha esse, o fluminense, nem o orgulho do paulista, nem o democratismo do mineiro. Era mais fino, mais polido, mais socialmente culto pela proximidade, convívio e hegemonia da Corte, cuja ação o absorve. O polimento urbano lhe corrigiu a rusticidade e pela finura, pelo senso do meio-termo, acabou por desempenhar, no Sul, o papel dos atenienses da política e das letras.


1890: o Encilhamento causado por Rui Barbosa e sua enorme desordem financeira, atingem em cheio o que restava dos antigos fazendeiros que, já muito endividados e com terras cansadas que nada valem, ficam nas mãos dos bancos e agiotas que adjudicam as terras e o café cede espaço para o gado leiteiro vindo de Minas.


1894: a produção fluminense de café despenca para 20% da produção brasileira. Diante dessa feroz decadência fluminense o desgosto dos proprietários, novos e antigos, teve outra consequência, mais prejudicial à lavoura: os fazendeiros do Império moravam em suas fazendas, nelas procuravam ter todo conforto e vangloriavam-se da sua profissão; posteriormente não. Tudo isso, na República, acaba e o novo fazendeiro, filho ou neto do pioneiro, prefere viver no conforto das cidades entregando muitas vezes a prepostos, sem qualificação ou interesse, a tarefa de administrar os colonos e as terras cansadas e já muito desvalorizadas.



1899: há uma 2ª invasão mineira atrás de terras fluminenses, agora baratas para pastagem do gado de corte e leite e o êxodo das famílias dos antigos fazendeiros de café segue firme para outras regiões que possam dar oportunidades de sobrevivência. Assim desapareceram os antigos predicados que caracterizavam os velhos fazendeiros: a rija resistência, a tenacidade, a ambição de um título nobiliárquico; o amor apaixonado àquele pedaço de terra. Os fazendeiros do Império tinham orgulho de sua profissão, recebida como um legado que deviam honrar, como seus pais e seus avós fizeram percorrendo a cavalo, com orgulho, prazer e alegria as suas terras. A decadência expulsa do lugar os proprietários, eles queimam suas fazendas de terras exaustas por qualquer preço aviltante e as famílias se dispersam e, com o passar do tempo, esmaece e acaba a memória deste passado, o conhecimento desta época de fausto e requinte, que teve uma qualidade de luxo e requinte sem igual em qualquer outra província brasileira nos 67 anos do Império.


Nesta 1ª crise do café no Brasil, (que voltará em 1929 tão devastadora como esta), nas 2 crises se percebe como o fato gerador a mudança do cenário sócio econômico da elite do país, no caso desta de 1889 a mudança do Império escravocrata para a República e no caso de 1929 será a mudança do que restava do sistema agrário para o sistema industrial/urbano. Há uma correspondência, inequívoca, entre a força da província fluminense com o seu poderio econômico alicerçado no café e a força do Império Brasileiro dos Bragança, pois enquanto a província foi poderosa o Império brilhou e quando a província enfraquece o Império acaba. É a 1ª Crise do café em terras fluminenses, provocada pela exaustão das terras e pela abolição da escravidão, que provoca a ruptura do Império e leva à República em 1889.


A lavoura ... arrasta-se entre as hipotecas e as penhoras escravizda ao juro do agiota .... as grandes fortunas vão se dissolvendo o cambio cambaleando como um ébrio tresnoitado .... (Anais da Câmara dos Deputados de Sao Paulo, 1901, pg. 595).


1902: Rebelião Monarqista


Em Franca, Araraquara, Taquaritinga, Itatinga, Jaboticabal, São Carlos, Araras, Casa Branca, Mogi-Mirim, Espírito Santo do Pinhal, fazendeiros de café monarquistas, que tinham influencia nos municípios, inconformados com a crise provocada pelas brigas internas da politica republicana (PRP) e o desinteresse do partido pelo café, articulam um movimento Monarquista para depor o Presidente Campos Salles, que leva à eleição de Jorge Tibiriça, em 1903, para Presidente do Estado e uma mudança do enfoque republicano para a Lavoura do café que leva ao Convenio de Taubaté em 1906.


1913: descrição do êxoxo na análise de Harvard, USA


VASSOURAS a Brazilian Coffee County, 1850-1900 Stanley Stein, Harvard University, 1957


 



1928/32 > fim de uma era


A produção fluminense de café some para apenas 3,47% da produção brasileira. A produção paulista chega à média de 60.043.000 arrobas/ano no período de 1928/32, entretanto, o crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929 devasta a elite cafeeira paulista que queima as safras de café sem compradores para evitar o custo da estocagem de um produto que nada mais valia e o fantasma da crise de 1889 ressurge com ferocidade e devastação destruindo, novamente, as fortunas, as famílias e o cenário social.


FAZENDA BAGUARY, Família Arantes-Araraquara, vendida em 1938


Autor: Anibal de Almeida Fernandes (*1944), neto de Joaquim e Bernardina.


Situada no Distrito de Américo Brasiliense, sesmaria do Rancho Fundo, em Araraquara, SP, com cerca de 400 alqueires paulista, foi preparada para a cultura do café pelo casal, Joaquim (1866-1937) e Bernardina (1869-1936) Arantes de Almeida, avós de Anibal, vindos do Rio de Janeiro, em 1890, após a queda da Monarquia e a total decadência do café fluminense com a exaustão das terras que empobreceu as famílias de cafeicultores do Império. No auge da produção teve muitos milhares de pés de café e ajudou a criar os 12 filhos do casal entre eles 3 filhos que, após a morte, são nome de rua em Araraquara: Mário Arantes de Almeida (estudou na Bélgica, 1911-1914, advogado, Prefeito e Vereador), Luiz Arantes de Almeida (médico) e Bernardino Arantes de Almeida (advogado). Após a morte de Joaquim em 1937, a Baguary foi vendida em 1938, conforme o Formal de Partilha de 11/3/1937 registrado no Cartório do 2º Ofício da Comarca de Araraquara, ainda com 90.000 pés de café, 9 grupos de casas de colonos, com 2 moradias cada grupo, 2 casas para camaradas, casa para administração, casa sede da fazenda, casa de máquina com tulha e máquina de beneficiar café, 120 cabeças de gado vacum, 26 cabeças de porcos, 3 cavalos, um caminhão Chevrolet, um caminhão Graham Brothers, 3 automóveis marca Ford, safra de 2.300 arrobas de café, barracão para veículos e pomar de 200 jabuticabeiras. Essa venda encerra a saga cafeeira da família em 158 anos, que começara em Vassouras em 1780 com o 4ºavô de Anibal, Manoel de Avellar e Almeida. As fotos, abaixo, mostram a queima do café da Baguary, em 1938, assistida por membros da família Arantes de Almeida num nefasto ritual que se repetia desde o crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929, que solapou as bases financeiras da aristocracia cafeeira paulista mudando toda a hierarquia social de São Paulo e marcando o fim da época da sociedade agrária dos barões do café que dominava o cenário político desde o Império. Na Frente estão sentadas: à esquerda a mãe de Aníbal: Anna, (1907-1987), a tia Alzira (1900-1984), de luto pela morte de vovô Joaquim e uma amiga. Lado Esquerdo em pé, de terno branco e gravata borboleta, tio Orlando (1914-1959). Lado Direito em pé, de calça branca, paletó e chapéu escuros, tio Joaquim (1905-1977) que está atrás de minha irmã Rachel (1930-2013) e minha irmã Ana Maria (1928-1999) sentadas ao lado de Raphael Luíz, (é filho de Washington Luís Pereira de Souza, 13º Presidente do Brasil), que era colega de tio Orlando no Largo São Francisco, que foi testemunha do nascimento em 1943, em Araraquara, de Washington Luís Pereira de Souza Neto, filho de Raphael Luiz.


 



1938: Queima de café da Fazenda Baguary, Araraquara, SP


 Proprietário: Familia Arantes de Almeida 





Genealogia Paulistana, de Luiz Gonzaga da Silva Leme, (*1852 - †1919)

Título Moraes: Volume VII, Pgs: 3, 25 e 56.

Volume VII pg 3 > Moraes: Esta família teve princípio em Balthazar de Moraes de Antas, 12º avô de Anibal, que de Portugal passou a S. Paulo onde casou com Brites Rodrigues Annes f.ª de Joanne Annes Sobrinho, que de Portugal tinha vindo a esta capitania trazendo solteiras três filhas, que todas casaram com pessoas de conhecida nobreza.

Pedro Taques, de quem copiamos esta notícia sobre os Antas Moraes e que por sua vez copiou-a do título dos Braganções na livraria de José Freire Monte Arroio Mascarenhas em 1757.


The Bee: Symbol of immortality and resurrection, the bee was chosen so as to link the new dynasty to the very origins of France. Golden bees (in fact, cicadas) were discovered in 1653 in Tournai in the tomb of Childeric I, 49ºavô de Anibal, founder in 457 of the Merovingian dynasty and father of Clovis. They were considered as the oldest emblem of the sovereigns of France.




















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes