ILHA DE PÁSCOA = EASTER ISLAND = RAPA NUI


FEV-MAR 2015


ANIBAL DE ALMEIDA FERNANDES


O QUE IMPRESSIONA NA CHEGADA À ILHA DE PÁSCOA NO POR DO SOL (SAÍMOS ÀS 18,15h DE SANTIAGO, PELA LAN CHILE) É O ESTRANHO POR DE SOL COM DEZENAS DE CUMULUS NIMBUS ENORMES E PRETOS E OUTRAS NUVENS QUE SÃO HORIZONTAIS E COMPRIDAS TAMBÉM COMPACTAS E PRETAS NADA SE VÊ DA ILHA, POIS O AEROPORTO ESTÁ NUMA PONTA ESTREITA E VAI DO OCEANO AO OCEANO.


O ASPECTO TRIANGULAR VEM POR CONTA DE SUA FORMAÇÃO GEOLÓGICA QUE É RESULTADO DE 3 VULCÕES PRINCIPAIS: POIKE (3 MILHÕES DE ANOS) RANO KAU (2,5 MILHÕES DE ANOS) E O TEREVAKA O PTO MAIS ALTO DA ILHA COM 511m (300 MIL ANOS)  E 70 CONES SECUNDÁRIOS DANDO 172km2 DE SUPERFÍCIE TOTAL,


ANTES DE TUDO, É PRECISO DEFINIR O QUE É O MUNDO POLINÉSIO/MAORI QUE ESTÁ NUM ENORME TRIANGULO NO PACIFICO TENDO O HAVAÍ NA PONTA DO NORTE E A NOVA ZELÂNDIA E A ILHA DE PÁSCOA NAS PONTAS DO SUL. NESSA IMENSA ÁREA ESTÃO OS POLINÉSIOS COM SUAS TRADIÇÕES, LÍNGUA E DIALETOS.



Isolada no meio do Pacífico Sul, a 3.700 quilômetros da costa do Chile (país ao qual pertence) e a 4.200 quilômetros da Polinésia Francesa, a Ilha de Páscoa – ou Rapa Nui – é considerada a ilha habitada mais remota do mundo. Para chegar lá, são cerca de cinco horas de voo a partir de Santiago. Os chilenos, no entanto, não foram os primeiros colonizadores.  Esse papel coube aos polinésios, que teriam atracado por lá entre os séculos 4 e 5 (ainda que haja correntes que apontem para o século 8), e deixaram impressas para sempre as suas marcas culturais na língua, na dança e na comida da ilha.


A ORIGEM DO POVO RAPA NUI É LENDÁRIA E IMERSA EM MISTÉRIO, ESTABELECIDA POR UMA EXPEDIÇÃO DE UM GRUPO POLINÉSIO (TALVEZ VINDO DAS ILHAS MARQUESAS) PARA COLONIZAR NOVAS TERRAS. ERA CHEFIADA PELO REI HOTU MATU’A, E FORAM GUIADOS POR TARTARUGAS, QUE OS CONDUZIRAM À ILHA NO SEC. IV, OU VIII OU XIII TRAZENDO ESPÉCIES VEGETAIS E GALINHAS; O NOME É POR CONTA DE UMA ILHA CHAMADA DE RAPA DE ONDE ELES VINHAM, QUE ERA PARECIDA COM A ILHA DESCOBERTA QUE, POR SER MUITO MAIOR FOI CHAMADA DE RAPA NUI (NUI =GRANDE). COM O TEMPO A POPULAÇÃO CRESCEU E SE ORGANIZOU EM UMA CIVILIZAÇÃO COMPLEXA E SOFISTICADA, QUE TEM 2 FASES HISTÓRICAS: 1ª DOS MOAIS E 2ª DOS HOMENS PÁSSAROS. A POPULAÇÃO CHEGA A 25.000 hab. COMPOSTA POR 10 CLÃS QUE DIVIDEM A ILHA E A OCUPAM DE MANEIRA ORGANIZADA, COM OS DIRIGENTES DE CADA CLÃ HABITANDO O LITORAL E OS TRABALHADORES O INTERIOR.


SEUS ALTARES AHU SÃO CONSIDERADOS OS MAIS ELABORADOS EM TODA A POLINÉSIA, SENDO QUE, O DE TONGARIKI COM 220m DE COMPRIMENTO E 15 MOAIS EM PÉ MUITO BEM ESCULPIDOS É BASTANTE IMPRESSIONANTE, ALIÁS, QUANDO O AVIÃO DECOLA ELE DÁ UMA VOLTA SOBRE A ILHA E PASSA SOBRE ESSES 15 MOAIS.



MOAIS: (TALVEZ 700 ANOS) OS MAIS ANTIGOS SÃO DO SEC. VIII, CHEGAM ATÉ 5m A PARTIR DO SEC. XIII SÃO ENORMES, ATÉ 20m., E MUITO DETALHADOS, DEPOIS DO SEC. XV CESSA A FABRICAÇÃO DE MOAIS. O PODER NA ILHA ERA EXERCIDO PELOS CHEFES DE CADA UM DOS 10 CLÃS, QUE ERAM OS INTERMEDIÁRIOS ENTRE OS DEUSES E A POPULAÇÃO E DEVIAM PROTEGE-LA E ALIMENTÁ-LA; OS MOAIS REPRESENTAVAM CADA UM DESSES CHEFES (HÁ CERCA DE 900 MOAIS, APENAS 1 DELES AGACHADO E TODO REDONDO), OS MOAIS ESTÃO SEMPRE DE COSTAS PARA O MAR E OLHANDO PARA A ILHA. OS CHEFES DE CLÃ ERAM RESPONSÁVEIS PELO CONTROLE DA COMIDA (HÁ VÁRIOS GALINHEIROS DE PEDRA PELA ILHA) E DOS PEIXES QUE DISTRIBUÍAM PARA A POPULAÇÃO, MANTENDO AS FORÇAS DOS TRABALHADORES QUE EXECUTAVAM OS MOAIS, QUE OS REPRESENTAVAM E, COM ISSO, MANTINHAM A POPULAÇÃO OCUPADA E ALIMENTADA SEM DISPUTAS PERIGOSAS. PORÉM, COM O AUMENTO POPULACIONAL E A ESCASSEZ DOS RECURSOS NATURAIS DA PEQUENA ILHA, ACONTECE UMA FASE DE DIMINUIÇÃO DA COMIDA GERANDO REVOLTAS E O PODER DOS CHEFES DIMINUI E COMEÇAM AS GUERRAS ENTRE OS CLÃS, QUE DESTROEM OS MOAIS DOS ADVERSÁRIOS JOGANDO-OS COM OS OLHOS NO CHÃO (QUE ELIMINA O PODER DO MOAI), GERANDO UMA ÉPOCA DE CAOS, DESTRUINDO A SOCIEDADE DOS MOAIS. A CONSTRUÇÃO DOS MOAIS COMEÇAVA COM A RETIRADA DOS BLOCOS DE ROCHA VULCÂNICA EM RANO RARAKU, DEPOIS A LAPIDAÇÃO DO BLOCO FORMANDO A ESTÁTUA QUE ERA ENTÃO DESLOCADA ATÉ O PTO. FINAL DO AHU DO CLÃ, HÁ 2 TEORIAS: ROLANDO SOBRE TRONCOS OU BALANÇANDO SOBRE SUA BASE CONVEXA PUXADA POR 3 CORDAS; OS MOAIS TINHAM UM PUKAU QUE É A REPRESENTAÇÃO DO LONGO CABELO ENROLADO SOBRE A CABEÇA, QUE ERA UM SINAL DE IMPORTÂNCIA E DISTINÇÃO DO PERSONAGEM REPRESENTADO, ASSIM COMO AS LONGAS UNHAS. O PONTO MAIS IMPORTANTE DOS MOAI ERA QUANDO ELE RECEBIA OS OLHOS, POIS COM ELES ADQUIRIA VIDA E ASSUMIA A FUNÇÃO DE PROTETOR DO CLÃ E EMISSÁRIO DOS DEUSES, ESSES OLHOS FORAM ROUBADOS, POIS ERAM DE MATERIAL BRILHANTE. AINDA HOJE HÁ CERIMÔNIAS DO POVO RAPA NUI EM FRENTE AOS MOAIS.


ATENÇÃO: TODOS OS MOAIS TEM TRONCO, PORÉM ALGUNS ESTÃO ENTERRADOS APENAS COM A CABEÇA DE FORA, E APENAS UM DELES ESTÁ AJOELHADO E TEM PÉS.


 


HOMENS PÁSSAROS: (TALVEZ 200 ANOS) DEPOIS DESSE CAOS COM A DESTRUIÇÃO DOS MOAIS, HÁ A SUBSTITUIÇÃO PELA SOCIEDADE DOS HOMENS PÁSSAROS, TANGATA MANU, COM CADA CLÃ COMPETINDO PELO DOMÍNIO DE TODA A ILHA POR APENAS UM ANO. ESSES ESCOLHIDOS DOS 10 CLÃS, NUMA PROVA DE FORÇA E DESTREZA, TINHAM QUE OBTER O 1º OVO DO MANUTARA E COM ISSO GARANTIAM O PODER POR UM ANO PARA O SEU CLÃ. AS ESCULTURAS RETRATAM HOMENS COM CABEÇA DE AVE.


A ILHA FOI DESCOBERTA PELO OCIDENTE EM 1722 NO DIA DA PÁSCOA, E NO SEC. XIX SOFRE INVASÃO DOS PERUANOS QUE ESCRAVIZAM OS RAPA NUIS LEVANDO 1.000 DELES PARA O PERU, DONDE VOLTAM APENAS 30 COM DOENÇAS QUE SE ESPALHAM E PRATICAMENTE DIZIMAM A POPULAÇÃO RAPA NUI. ATUALMENTE VIVEM 6.000 PESSOAS NA ILHA DAS QUAIS 3.000 SÃO RAPA NUIS (POR PAI OU MÃE) E 3.000 PESSOAS DE VÁRIAS NACIONALIDADES, COM OS CHILENOS CONTINENTAIS COMO MAIORIA.


PERCORREMOS A ILHA E VIMOS OS MOAIS E OUVIMOS TODAS AS HISTÓRIAS SOBRE A ILHA, CONTADAS POR UMA JOVEM GUIA CHAMADA NILZA, RAPA NUI POR PARTE DE MÃE E AVÓ, QUE AMA SUA TRADIÇÃO E NOS EXPLICAVA COM INTELIGÊNCIA, COMPETÊNCIA, EMOÇÃO, CANTO E DANÇA A GRANDEZA PASSADA DE SEU POVO, QUE AINDA HOJE CULTUA AS 2 DATAS IMPORTANTES DO ANO: O COMEÇO DO INVERNO E O COMEÇO DO VERÃO, COM COMPETIÇÕES, CANTOS E DANÇAS PARA ETERNIZAR SEU PASSADO DE DESBRAVADORES ORGULHOSOS DE SUA CULTURA POLINÉSIA.


 


O HOTEL HANGA ROA ECO VILLAGE, ONDE FICAMOS, É UMA BELEZA, DE NOSSO QUARTO TÍNHAMOS A VISÃO DO MAR SEM FIM COM UM POR DO SOL ESPETACULAR. O PROJETO DO HOTEL SE INSPIRA NO CENTRO CERIMONIAL DOS HOMENS PÁSSAROS EM RANO KAU E SUAS PAREDES SÃO DE UMA MASSA VULCÂNICA ESCURA. 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes