INDOCHINA FRANCESA: FEVEREIRO 2014


 Anibal de Almeida Fernandes


 VIETNAM 1 USD = 21.000 DONGS


LAOS 1 USD = 8.000 RIPS


CAMBOJA 1 USD = 4.000 RIELS


Particularidade: todos os guias falam espanhol, pois estudaram em Cuba: veterinária, engenharia e, como não tem emprego digno com salário decente, se sujeitam a serem guias.


A Indochina era a série de países que sofreram influencia da China e da Índia, ou seja, todo esse sudeste asiático incluindo Vietnam, Laos, Camboja, Java, Myamar, Malásia, Indonésia, Cingapura.


A Indochina Francesa só se refere aos países que a França dominou da metade do sec. XIX até depois da 2ª Guerra Mundial: Vietnam, Laos e Camboja e nela, a influencia da China, foi no norte do Vietnam e a influencia da Índia, no sul do Vietnam, Camboja e Laos com 2 influencias religiosas o Hinduísmo com seus 3 grandes deuses: Shiva, Vishnu e Bhrama e o Budismo.


CAMBOJA – Seam Reap: o visto é feito no aeroporto, numa fila em frente a um balcão com 10 funcionários em sequencia, algo medieval. Antes de tudo, precisamos entender que o grande Império da Indochina Francesa foi o Khmer (atual Camboja), o mais importante, mais brilhante e mais original, que do sec. 9 até o sec. 14 dominou essa região com 54 províncias entre Laos e Vietnam, e o próprio Camboja. Foi o poderoso reino de Khmer, que começou com o rei Indravarmam, (877-889), que unificou o país e seu sucessor Yaçovarmam (889-900) que solidifica o reino e Rajendravarm, (944-968) que estabelece a capital em Angkor, que permanece por 12 séculos como capital do reino Khmer, Udayadityavarm (1002-1050) começa a fase áurea do esplendor do Khmer que estabeleceu a cultura nessa região e teve seu extraordinário apogeu nos sec. 11 e 12, com Suryavarm II, (1113-1150), um usurpador, contemporâneo de Frederico Barbaroxa, que aumenta as fronteiras do Khmer sobre o Siam, Anan e Chams, e torna o Khmer poderoso e riquíssimo, ele se imortaliza com a construção de Angkor-Wat, em 37 anos, que é o apogeu da arquitetura khmer, dedicado a Vishnu, como sua tumba (entrada principal a Oeste, que indica o caminho dos mortos),








o mais belo templo entre os 313 templos de Angkor Thom, um templo com 1.500m por 1.300m, circundado por um fosso de 190m de largura. Uma formidável construção com uma simetria clássica e um belíssimo equilíbrio de volumes, culminando com a torre central (65m, a mais alta de todos os 313 templos da cidade), e as 4 torres circundantes para lembrar as montanhas do Himalaia. Nas paredes se veem perfeitos painéis de entalhe na pedra em baixo relevo, que contam com minúcias de filigrana e perfeição de detalhes histórias do rei e as histórias do Mahabharata e do Ramayama (livros sagrados da Índia) num total de quase 1.200m2 de extraordinários painéis com 2m de altura (4 deles com 49m e 4 com quase 100m cada um), eles tem muita semelhança com a arte egípcia na economia dos detalhes e na elegância das linhas da estatuária, até na roupa lembram os egípcios, o que me impressionou é o afã dos visitantes em subir na torre mais alta e ficarem sentados e não, quase ninguém, percorrer com calma esses belíssimos painéis, como eu fiz.



O mais importante rei Khmer foi Jayavarm VII, (1181-1218), rei profundamente budista, que amplia Angkor Thom protegendo-a com 12km de muralhas onde viviam 10.000 pessoas entre o Rei, os nobres, funcionários e escravos, num arremedo da Cidade Proibida de Beijing (Pequim) que se reuniam nas festas/desfiles na praça que ele construiu o terraço dos elefantes e o terraço do Rei leproso, de onde o rei e a corte assistia aos desfiles militares e cívicos, nas festas que reuniam as 10.000 pessoas que moravam em Angkor.



ele constrói o monumental Templo Bayon (com 54 torres, a central é Angkor e as outras 53 torres, as provincias) no centro da cidade, onde moravam 18 grandes sacerdotes, 2.740 oficiantes, 2.202 assistentes e 615 dançarinas, cuja torre mais alta representa Angkor Thom e as outras, representam orgulhosamente as 53 províncias do reino Khmer, em seu apogeu, hoje reduzido apenas ao Camboja com 36 províncias. Seu palácio real é considerado grandioso por Tcheou Ta-kouan, um viajante chinês que o visita em 1296. Depois de Jayavarm VII o Khmer apenas sobrevive convivendo com a decadência, com um fausto que perdura por mais 2 séculos de luxo e requinte. A partir de 1280 começam as invasões dos Thai, (Sião), que futuramente dominarão o Khmer, que desaparece como reino e é absorvido pelo Sião (Tailândia) se perdendo na memória da história.


Contexto histórico: Angkor Thom é grandiosa e muito apurada em sua expressão de sofisticação, que põe no chão a Europa Cristã dessa época, com Portugal sendo fundado (1139 com Afonso Henriques) e a Torre de Londres como casa do Rei, que mais parecia um estábulo com feno no chão para toda a corte dormir. E a aristocracia Khmer vivendo com seu luxo em espaços generosos cercados de água e áreas verdes que lembram o maravilhoso Alhambra (da mesma época) em Granada da Espanha moura. Ankor Thom fica em Seam Reap (Sião derrotado) que tem o nome em homenagem à ultima vitoria do Khmer contra o Sião, que no sec. 16 finalmente domina a região e incorpora a cultura do Camboja e todo o seu esplendor e requinte de dança e musica e roupa para sua corte, fazendo isso de maneira tão radical e completa, que hoje se acha que é do Sião (atual Tailândia) que o Camboja herdou sua tradição!!! Outra questão a ser focada é a religiosidade com os 313 templos em Angkor, sendo que Angkor Wat foi construído em apenas 37 anos e, simultaneamente na Europa, eram construídas as formidáveis catedrais góticas,  Notre Dame, 1190, Reims, 1210, que demoram de 100 a 200 anos para serem construídas, e a extraordinária Saint Chapelle (1245) em Paris, que são o que há de mais extraordinário e sublime na engenhosidade da arquitetura humana, desde as pedras de Stonehenge na Inglaterra e as pirâmides do Egito. Para visitar Angkor é necessário se fazer um passaporte de entrada (6 dias = 40USD) que é cuidadosamente verificado toda vez que vc chega a Angkor.



Seam Reap hoje está com 136 hotéis (em apenas 10 anos) e um intenso turismo, principalmente europeu e asiático, que enche todos os templos e o animadíssimo mercado noturno que vai da 18,00h até as 22,00h onde tem de tudo, comprei excelentes cintos de couro genuíno, por 5USD, a regra é pechinchar bastante, que os preços caem 50%. Atenção: a massagem de 30min nas costas por 4USD é tão boa quanto a massagem de 30USD do Hotel Sokha (5*). Vale a pena um passeio de tuk-tuk (1,30h, 5USD) pela cidade ao entardecer, pois se vê o contraste entre o lado rico e o lado pobre e a feérica iluminação de alguns locais, há vários ocidentais que fazem o passeio de bicicleta. Tem minas de pedras preciosas: rubis mais claros e um tanto quanto transparentes (não achei o vermelho sangue de pombo indiano) e safiras.


Nosso guia Chung foi o único, em toda a Indochina francesa, a expressar o orgulho pelo passado do Reino Khmer e também o simpático Som, gerente do restaurante Lotus do hotel Shoka, que me contou, com emoção, sua ida para Phnon Penh (capital) graças a um primo rico e sua visita ao palácio real, onde vive o atual rei solteiro do Camboja, que é muito amigo da Rússia. Pol Pot destruiu a memória do país, pois dos 7 milhões de habitantes matou 3 milhões, principalmente os mais velhos e os intelectuais, com uma brutal ruptura na tradição oral das famílias formando uma geração sem pais e avós que agora está se reconstruindo como sociedade.


Fonte bibliográfica: Angkor, Hommes  et pierres, Bernard Philippe Groslier, Arthaud, 1956.


VIETNAM – Ho Chi Minh, Hoi Han, Hue, Hanoi, Ha Long: é o maior país da região com 1.700Km de comprimento, na forma de uma letra S e com mais de 3.300Km de litoral o que sempre atraiu os demais países para invadi-lo. É a maior economia da região com um robusto crescimento do PIB de 5% em 2013. O país enche nossa imaginação com a memória da guerra do Vietnam, a lembrança do filme Apocalipse Now e o musical Miss Saigon, aliás Saigon foi incorporada com mais outras cidades na Ho Chi Minh City que é a grande cidade do sul do país:




onde se visitam os tuneis dos guerrilheiros em Cu Chi, que são baixíssimos, estreitos e asfixiantes, mesmo o túnel ampliado para estrangeiro brincar de guerrilheiro não vale a pena, pois os mais altos saem muito abalados.





No Museu de Guerra vale a pena visitar o 2º andar onde estão as fotos mais chocantes, dos crimes de guerra. Do lado de fora uma ótima coleção dos aviões, helicópteros e tanques. A embaixada americana da icônica cena do escape por helicóptero no telhado da embaixada em Saigon foi reconstruída e um alto muro esconde tudo. O mais emocionante de Ho Chi Minh é atravessar uma rua, pois o transito de muitas motos (6.000.000), alguns carros e pouquíssimos ônibus é absolutamente caótico, a gente tem que atravessar andando sem parar, enquanto as dezenas de motos desviam e nos deixam passar, é uma prova de fogo de tirar o fôlego. Nosso guia era um antigo combatente tanquista (tanque de guerra) na guerra contra o Pol Pot (Khmer Vermelho) e, apesar de odiar os americanos, estava muito animado com a entrada do Vietnam na economia de mercado que tem melhorado a vida da população que agora já pode comprar as motos Honda (as motos chinesas anteriores eram de péssima qualidade), o Vietnam é o maior exportador de arroz do mundo, com mais de 50 variedades de arroz. Hoi An é simples, pobre e bucólica, visitamos uma fábrica de seda, Thai Long CO, onde foi o melhor lugar para comprar seda de ótima qualidade e por preço aceitável. Ficamos no Hotel Anantara (5*), d’onde saímos a pé para andar pela cidade, numa rua de comercio que desemboca na Ponte Japonesa e, dela, para o antigo bairro dos japoneses.



Andamos de triciclo à noite (8USD, 1,30h), a cidade parece um presépio com as arvores cheias de balões iluminados e, muito ocidental, principalmente jovens em alegres bandos, andando pelos bares e pequenos shows que acontecem, é uma festa maravilhosa. Huê é muito interessante com sua Cidade Celestial (cópia reduzida da Cidade Proibida de Beijing) com muito pouca coisa restaurada e, como sofreu bombardeio tem muita coisa destruída completamente, é decepcionante, o que mais vale a pena é a maquete de como era. As tumbas dos imperadores Tu Duc e Khai Dinh são bastante atrativas.




Hanoi é uma animada cidade, o passeio de triciclo no meio do transito louco é emocionante.





Vi o show Puppet, das marionetes na água (tipo teatro negro de Praga) onde  todos os turistas vão, as cadeiras são para asiáticos de 1,50m de altura, foi torturante ficar 1,00h sentado. Chama atenção o tipo de casa padrão em terreno com 5m de largura e 3 andares, no térreo um comércio (nos bairros mais chiques já virou garagem = Toyota ou Honda) e moradia nos andares, a explicação dada pela guia Le (que amava  Ho Chi Minh e está decepcionada e impotente com a atual situação política com muita corrupção e nada para o povo),  é o altíssimo custo do m2 de terreno = 50.000 USD. Há um culto a Ho Chi Minh, que mostra a casa dele, tipicamente vietnamita e muito simples,



onde ele morava nas cercanias do Palácio Presidencial, uma grande construção feita pelos franceses e pintada numa cor amarela, muito forte, que se reproduz em todo prédio oficial e escolas em todo o Vietnam, um pavilhão destaca os carros que ele recebeu dos russos.



É obrigatória a visita ao Museu da Etnologia do Vietnam que mostra a diversidade dos tipos vietnamitas e apresenta roupas e casas, vale a pena. Fomos para a famosa Baia de Ha Long considerada patrimônio mundial hospedado num barco numa viagem que dura 2 dias, onde tem a Caverna Surprise considerada uma das 7 maravilhas naturais do mundo, é realmente espetacular, porem o sobe e desce em degraus desiguais apavora, mas vale a pena, eu tive o apoio do jovem Bing (funcionário do barco em que dormimos) que, com eficiência e discrição, me ajudou a descer os malditos 360 degraus, dei-lhe 5 USD de gorjeta e ele abriu um sorriso de orelha a orelha .


Caverna Surprise






Baia de Ha Long




Na bandeira, a cor vermelha significa o sangue do vietnamita derramado nas guerras e a estrela amarela que é um só povo



Nosso guia foi enfático em afirmar que o vietnamita não tem nenhum respeito ou interesse pelo antigo rei, que foi morto pelo regime, com exceção de 2 descendentes que fugiram para a França e outros que são pessoas comuns no país. Uma curiosidade Templo é sempre em homenagem a uma pessoa real, Pagoda é sempre para um tipo de Deus.





LAOS - Luang Prabang: o visto é feito no aeroporto numa fila confusa. O Laos é o primo pobre da região, a começar com a Laos Airlines que tem aviões franceses a hélice e cadeiras para asiáticos com 1,50m de altura, mas é muito gentil e decente, pois oferece lanche e almoço a bordo, a mesquinha Vietnam Airlines, que opera com AB 321, só dá garrafa de água.


Hotel em Luang Prabang



O Laos foi o país mais bombardeado e sua gente é a mais pobre e sofrida, o país não tem litoral, nem nada que de dinheiro, ou seja, dá pena e aflição. A grande referencia para a imaginação é a viagem pelo Mekong (2,00h para ir contra a corrente) até a Caverna dos 1.000 budas e 1,00h para voltar, é um rio largo e com águas barrentas.




A grande aventura foi um passeio de 1,30h de elefante (40USD) por terra e rio, aliás o nosso elefante assuou a tromba em nossas pernas sujando toda a roupa, os pelos parecem espinhos e machucam a pele e o nosso era bem temperamental.




A seda é diferente do Vietnam, pois é feita manualmente e é bem mais grossa, parece com a seda dos ternos que fiz em Bangkok, que o Armani e o Ferragamo usam. A cidade fica às margens do Meckong. Ficamos no Hotel Sada (5*), visitamos inúmeros templos dedicados à Buda, todos muito enfeitados, um deles com a árvore da vida que mostra a formação do mundo, é grande a presença de nativos rezando e apresentando pratos de comida para Buda que, quase sempre, está sendo reverenciado por um monge com seus cantos.









Como o país é muito pobre a religiosidade aflora como saída para o dia a dia. Acordamos de madrugada para ver o passeio dos monges antes do nascer do sol, eles recebem comida dos turistas em longas, e silenciosas filas com suas roupas cor laranja, a maior parte muito jovens e alguns bem gordinhos. Como não há trabalho a única alternativa dos jovens para receber educação e comida é entrar nos templos como estudantes e lá ficarem ao longo da vida.






O palácio real é deplorável, parece uma casa de fazenda grande. O rei morreu e os descendentes estão na França e o laociano não tem nenhum respeito ou interesse pelo antigo rei.


 



SUGESTÃO PARA A VIAGEM AÉREA:


 


SP > DUBAI SÃO 13,00h – DUBAI > HO CHI MIN SÃO 9,00h


HO CHI MIN > DUBAI SÃO 10,00h DUBAI > SP SÃO 15,00h


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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes