Viagem – RÚSSIA: 2000 


Aníbal de Almeida Fernandes, Fevereiro, 2010.


Helsinque é uma aldeia decepcionante, sem nada para ver ou fazer, tem uma praça com o parlamento, um jardim com esculturas, um Shopping imenso que servia para os ricos políticos/militares russos fazerem compras de tudo de bom e do melhor que tinha no Ocidente na época do comunismo, ou seja, o povo passava fome e privações e os chefes políticos se locupletavam gastando desvairadamente, tem um bonde pitoresco e tem uma igreja de arquitetura muito interessante construída na rocha Temppeliaukion, o resto é provinciano.


# vai de ônibus p/Vaalinaa que é um entreposto na fronteira com a Rússia onde há um pequeno supermercado para fazer compras (comida e água), é sortido e vale a pena trocar o dinheiro aí, pois pagam melhor o cambio que na fronteira russa, tive que fazer xixi atrás na floresta, pois não tinha W.C. funcionando????


# vai de ônibus com outro motorista (russo de acordo com a norma turística) p/Viborg onde se faz alfândega russa, há a revista na gente e no ônibus pelos meninos militares russos (18 a 22 anos) fazendo cara de mau e com aqueles quepes enormes que os fazem parecer cogumelos verdes, pois essa moçada quando está contrariada pode atrasar o ônibus até 4,00h. é pura encenação teatral de guerra fria, pois eles precisam desesperadamente de nossos US$ dólares, mas cumprem o papel de assustar os turistas como verdadeiros profissionais de teatro e isso faz parte do frisson da entrada na ex-Cortina de Ferro.


# vai de ônibus p/São Petersburgo por uma estrada simplíssima que esconde o horizonte com vegetação alta de ambos os lados para que não se veja nada das eventuais instalações militares (é o que o guia conta com cara séria).


São Petersburgo é uma cidade lindíssima e extraordinária que exibe a riqueza e o poderio do passado dos Czares e com vários palácios espetaculares graças a czarina Yelizaveta Petrovna (filha de Pedro o Grande e a 5ª sucessora no trono) que junto ao arquiteto italiano Rastrelli e o pintor Rotari ampliaram e embelezaram os vários palácios de São Petersburgo pintando-os de cores fortes, entre eles o de Pedro o Grande (amarelo) onde ela se fez pintar no teto da enorme galeria de festas totalmente coberta de torneados barrocos de madeira pintados com ouro e o de Catarina a Grande (azul) com a enorme fachada de mais de 1.000m. Palácios: Hermitage/Museu: fica em São Petersburgo é verde e imenso e com uma coleção extraordinária, são mais de 3.000.000 de obras da melhor qualidade: atenção, ver os impressionistas franceses no último andar, vale a pena. O Hermitage começou em 1764, quando Catarina, a Grande, mandou o arquiteto Yuri Velten construir um museu privado para abrigar o que existia de arte na Rússia, ela começou comprando 225 pinturas de Frederico, o Grande, da Prússia, que precisava de dinheiro após a Guerra dos 7 Anos e mandou agentes pela Europa para comprar coleções, o que colocou a Rússia no rumo dos marchands da época, o de Pedro o Grande, em Tsarkoe Selo que é amarelo, com a maior galeria/sala do trono ocidental toda branca e ouro com 1.100 m2 (só perde para a sala de recepções da Cidade Proibida em Pequim que tem 2.300 m2, a de Versalhes tem apenas 720m2) e o de Catarina a Grande, em Tsarkoe Selo todo azul e com uns detalhes como gárgulas, é um horror arquitetônico (mas, mais uma vez, temos que lembrar que as cores são vitais para essa gente que tem 9 meses por ano de bruma e nevasca) tem uma fantástica coleção de porcelana chinesa Ming (azul/branco que a guia se apressa em dizer que é a maior do Ocidente) e a sala de ouro+âmbar (realmente formidável e a 8ªmaravilha do mundo conforme dizem os russos) e a enorme Catedral de São Basílio com enormes pilares de pura malaquita (pedra semi-preciosa verde) e uma fantástica cúpula que só perde para São Pedro em Roma, isto tudo mostra a tremenda riqueza dos czares que tinham muito ouro (riquíssimas minas na Sibéria) e gastavam como loucos; ida a um super jantar no Taleon Club com um cassino funcionando a pleno vapor e a máfia russa encarando a gente com ódio/suspeita/desprezo, na saída vários Rolls Royce, Bentleys e Jaguares do último tipo e nas ruas as velhas e as crianças nos param na rua se ajoelham e pedem comida/dinheiro é aflitivo/constrangedor!!!!! Cuidado, pois tem trombadinha roubando nas ruas. Atenção: em São Petersburgo, que é uma cidade concebida com o melhor conceito arquitetônico do séc. XVIII com a ajuda do arquiteto Italiano Carlo Rossi tem o 1o shopping center do mundo, construído em 1756.


# vai para/Novgorod a 1ª capital russa também tem um Kremlin (fortaleza) onde estão enterrados os Romanovs (ultima dinastia imperial russa que reinou por 304 anos, de 1613 até ser metralhada em Ekateremburgo, a 17/1/1918, por ordem de Lenin e agora foi santificada pela igreja Russa, pois o russo tem enorme orgulho de seu passado imperial e ama seus Czares) tem igrejas muito bonitas e com pinturas excelentes, impressiona a quantidade de velhos e jovens em profunda concentração mística enquanto rezam.


vai p/Moscou começou em 1147 como um entreposto comercial criado no entroncamento dos rios Neglinnaya e Moscou, que era conectado às várias terras da região que se estranhavam politicamente. Em 1156 para proteger o local, foi construída uma fortaleza, na colina hoje conhecida como o Kremlin, que ao tempo do Grão Duque Vladimir Yuri Dolgorukiy começou a ser chamada de Moscou e depois torna-se a capital do Grão Ducado de Moscou. Durante 150 anos se sucedem os Grãos Duques: Daniel, Ivan I, o Kalita, Dimitry Donskoy, Pete, Alexiy e Sergio de Radonezh, todos eles originários de Moscou e com a firme intenção de unificar a Rússia.


Com Ivan IV, o Terrível, Moscou atinge a sua maioridade política, pois ele consegue centralizar o governo a partir de meados do século XVI e ao vencer os tártaros do leste, consolida o seu poder como o Czar de todas as Rússias, o que comemora construindo a Catedral de São Basílio que fica à esquerda da Praça Vermelha, tida como um dos mais belos edifícios religiosos da arquitetura ortodoxa que se conhece, para celebrar a vitória russa sobre os Canatos de Astracã e Kazan, ela é muito decorada no interior com flores pintadas o que a fazem chamar de Jardim do Éden, as paredes tem 3 m. de espessura e dizem que era usada como o cofre do Czar e dos nobres muito ricos. Há uma lenda que diz que Ivã gostou tanto da catedral que mandou cegar o arquiteto para não fazer mais nenhuma outra igual, porém em São Petersburgo tem uma parecidíssima.


Moscou é uma cidade imensa e belíssima com largas avenidas (algumas tem 16 pistas 8 para ir e 8 para voltar, construídas nos locais das antigas muralhas e fossos de proteção). A Praça Vermelha e o Gum (enorme shoping center) são os destaques e a Igreja de São Basílio (abandonada e usada como banheiro na parte externa) é horrível com sua arquitetura que lembra o Joãozinho 30 do Carnaval carioca. O Kremlin é fantástico, estupendo, formidável, uma verdadeira cidade e os museus são os mais ricos que eu já vi: jóias, peças, roupas, móveis, carruagens tudo da melhor qualidade e numa tremenda quantidade a explicação é a seguinte:


no dia seguinte da revolução foi baixado um decreto pelo governo que proibia qualquer roubo ou destruição e tudo foi preservado apesar da intensa luta entre a facções revolucionárias, e o russo até hoje tem um tremendo orgulho/respeito/admiração pelo seu passado Imperial, seus czares e sua história de conquistas: a águia bicéfala do Brasão dos Romanovs significa que olha para os domínios russos do Ocidente e do Oriente.


Na França o ódio grotesco do povo na revolução destruiu TUDO!


No Brasil a endêmica falta de instrução/cultura do povo/governo fez o Império ser esquecido e ridicularizado em toda mídia e não há nenhum respeito/reconhecimento/interesse pelas tradições/histórias das famílias do Império.


Nesse ponto a Rússia é o melhor exemplo de respeito pela historia, passado e tradições que eu conheço.


Rússia: 9 monarcas Romanov durante o século XVIII:


Com a morte em 1725 de (1) Pedro, o Grande, (1672-1725) instaura-se uma intensa luta pelo poder com 8 monarcas se sucedendo e, alguns deles, apenas com tênues ligações ao sangue Romanov. A sucessão começa com sua mulher (2) Catarina I, seguindo para seu neto (3) Pedro II, seguindo para sua sobrinha (4) Anna Ivanovna, seguindo para seu sobrinho-bisneto (5) Ivan VI Antonovich, Príncipe de Braunscheweig-Luneburg, seguindo para sua filha (6) Yelizaveta Petrovna, seguindo para seu outro neto (7) Pedro III, Príncipe de Golstein-Gottorp (que é da mesma Casa Real dos reis suecos Adolf Friedrich, Gustav III e Gustav IV Adolf), seguindo para a mulher de seu neto Pedro III, (8) Catarina II, a Grande, (1729-1796) Princesa de Anhalt-Zerbst (que é sobrinha de Adolf Friedrich Golstein-Gottorp, prima de Gustav III e prima 2ª de Gustav IV Adolf, da Suécia, com quem ela pretendeu, sem sucesso, casar sua neta predileta Alexandra Pavlovna) Czarina de todas as Rússias de 1762 a 1796 e seguindo para seu bisneto (9) Paulo I.


É importante destacar que nesses 100 anos houve 5 monarcas homens e 4 monarcas mulheres, porém as mulheres reinaram 67 anos, ou seja, em 67% do século XVIII a Rússia machista foi governada por mulheres e a maior delas, Catarina II (Anhalt-Zerbst) a Grande, sem ter nada de sangue Romanov.


O último Czar Romanov foi Nicolau II que, a 15/3/1917, em plena revolução, renuncia por si e pelo seu filho Aléxis ao trono Russo, após 304 anos de poder da Dinastia Romanov, (1613-1917). Nicolau a mulher Alexandra (neta da Rainha Vitória da Inglaterra) e 5 filhos: Alexei, Olga, Tatiana, Maria e Anastácia foram assassinados no porão da casa Ipatiev, em Yekaterinburg a 17/1/1918, por ordem de Lenin. Recentemente foram resgatados pela história oficial russa e canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa.


 


 

 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes