TEMPLO DE KARNAK


   Aníbal de Almeida Fernandes, Abril, 2011.

 


Esfinges de carneiros de pedra, ao longo do eixo principal, parecem guardar as ruínas, na fímbria do deserto.

Ressurreição e vida futura, a grande idéia central da imortalidade, o viver no além túmulo, a natureza divina e o julgamento moral dos mortos, tudo isso está registrado na coleção de textos religiosos que é o Livro dos Mortos, cujo verdadeiro nome é “Saída para a Luz do Dia” e é considerado o 1º livro da humanidade.

No Egito, desde 4400 aC., no reinado de Mena o 1º rei histórico do país, 1ª Dinastia, o egípcio esperava comer, beber, e levar uma vida regalada na região em que supunha estar o céu e ali partilharia para sempre, em companhia dos deuses, de todos os gozos celestiais. Já na IV dinastia, 3800 aC., todos os textos religiosos indicam que se proteja o corpo por inteiro, que deve ser mumificado/embalsamado. Amon era um deus local de Tebas com seu santuário fundado na XII dinastia (2500 aC.), significa oculto, e passou a ser um deus de primeiríssima importância nas XVIII, XIX e XX dinastias e, a partir de 1700 aC. foi declarado representante do poder oculto e misterioso que criou e sustenta o universo e o fundiram com os deuses mais antigos e ele usurpou os poderes de Nu, Cnemu, Ptá e vira um deus sagrado senhor de todos os deuses, Amon-Rá, como está no papiro da princesa Nesi-Quensu de 1000 aC.


A partir de 800 aC. declina o poder de Amon.

, o deus Sol, é, provavelmente, o mais antigo dos deuses adorados no Egito, ele velejava pelo céu em 2 barcos o Atet, desde o nascer do sol até o meio dia, e o Sectet, do meio dia até o por do sol. Visto ser Rá o pai dos deuses nada mais natural que cada deus representasse uma fase dele e que ele representasse cada um dos milhares de deuses egípcios, numa explícita alegoria do fundamento monoteísta da religião egípcia.

   TEMPLO DE KARNAK

Foi iniciado por volta de 2500 aC. e terminado por volta de 360 aC. o conjunto de 214 km2 foi expandido através de sucessivos reinados de faraós egípcios em um período de 2.000 anos. O Templo de Karnak dedicado a Amon-Rá era o principal local de culto aos deuses de Tebas e atingiu o seu apogeu durante a XVIII dinastia, após a eleição de Tebas para capital do Egito no Médio Império. Durante a XIX dinastia trabalharam no templo cerca de 80.000 pessoas. O templo esteve submerso nas areias egípcias durante mais de 1.000 anos, antes dos trabalhos de escavação começarem em meados do século XVIII, a enorme tarefa de restauro e conservação continua até aos nossos dias.


Karnak é o conjunto arquitetônico mais imponente do Egito, embora algumas de suas construções hajam desaparecido, por efeito da pilhagem secular de que foram vítimas. Até o fim da civilização egípcia, Karnak se manteve como centro religioso do Império: seu deus, sob a forma solarizada de Amon-Rá, e seus sacerdotes adquirem um poder prodigioso, que chega a ameaçar a própria instituição faraônica. A construção mais importante do conjunto de Karnak é o grande templo de Amon-Rá, cujo plano, muito complexo, testemunha numerosas fases da história dos faraós.

O grande eixo este-oeste é balizado por uma série de pátios e pilares; medindo 103m de largura por 52m de profundidade, até o sancto-sanctorum uma pequena sala cuja entrada só era permitida para o Sumo Sacerdote, onde eu estive após percorrer todo o eixo monumental.


 

Anibal e os pilares da sala hipostila


 

 

 

 

Karnak tem a célebre sala hipostila que encerra uma floresta de 134 colossais pilares numa referencia aos 134 deuses egípcios, conforme os três centros religiosos do Egito que disputavam entre si a análise das questões de religião, os pilares são em forma de enormes pés de papiro, (na sala há um banco onde fiquei sentado e imaginando que mais de 4.000 anos seguidos de história tinham acontecido nesse ambiente). Esses pilares com 21m de altura e diâmetro de 4m, não dão, apesar de maciças, impressão de peso e na parte de cima há janelas, pois a intenção era preparar os crentes que vinham da luz intensa do sol do Egito para a semi-escuridão do átrio até a escuridão do sancto sanctorum onde o Deus morava protegido por centenas de sacerdotes. Na sala hipostila os nomes de Seth I e Ramsés II se vêem inscritos e repetidos indefinidamente.

Cada pilar é tão grande que seriam necessárias seis pessoas com os braços esticados para poder abraçá-lo. A imensidão desse hipostilo é tanta que ofusca a Catedral de Notre-Dame em Paris. Ao tomar essa escala dos próprios deuses, o complexo do Templo de Karnak foi dedicado à Tríade Tebana: o pai Amon, a mãe Mut e o filho Khonsu.


Estátua de Amon



Numerosos edifícios secundários completam a verdadeira cidade que é o grande templo de Amon-Ra: capelas de Osíris, templo de Ptah, templo de Opeth etc.



Obelisco Hatshepsut

No Templo de Karnak ergue-se o mais alto obelisco do Egito, que é um memorial a Hatshepsut, faraó mulher, filha de Tutmósis 1º. Decorado com granito rosa, o obelisco tem mais de 27 m de altura e pesa 340 toneladas. Hatshepsut, a única mulher faraó da história, colocou uma inscrição no obelisco, com uma saudação às eras seguintes: "Vós que vires este monumento nos anos vindouros e falarem disto que fiz..." Até hoje, o obelisco de pedra está bem preservado e sem pichações graças ao faraó sobrinho vingativo de Hatshepsut, Tutmósis 3º. Na tentativa de eliminar qualquer traço deixado por sua tia em Karnak, ele construiu uma parede em frente ao obelisco para escondê-lo. Mas a parede acabou protegendo o obelisco através dos séculos.

Os anais de Tutmés III, nas paredes, registram 20 anos de conquistas e arrolam as plantas e animais exóticos que o faraó trouxe da Ásia.

O complexo de Karnak também inclui um santuário decorado por Alexandre, o Grande, com seu nome escrito em hieróglifos; sem mencionar um pátio onde arqueólogos encontraram escondidas impressionantes 17 mil estátuas de bronze do Templo de Amon.

Karnak também conta com um Lago Sagrado cuja água era usada pelos sacerdotes do templo em um ritual de purificação, as más linguas dizem que era para tomar banho mesmo.

Em uma das margens, há um enorme escaravelho de granito, símbolo de Amon, o deus-sol, para seu renascimento a cada manhã após sua jornada pela noite, hoje em dia anda-se ao redor dele, por 3 vezes, fazendo pedidos quê serão atendidos pelo Deus.


Em Karnak, os deuses do antigo Egito ainda vivem.

 


 


 









 



 

 
















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes