MAÇONARIA, uma pequena história

 

Aníbal de Almeida Fernandes, Março, 2010.

 

Contexto Histórico: a Europa da monarquia absoluta era regida pela lei estamental, um sistema feudal rígido/imóvel que impunha uma sociedade de classes fechadas e estanques onde quem era dono de tudo e todos era o Rei e as pessoas só valiam pela sua origem aristocrática, com os fidalgos (filhos d’algo) com seu sangue nobre hereditário, ou com os nobres feitos por concessão real. Esta situação tornava a sociedade uma prisão de valores estratificados pelo tempo que combatia ferozmente as mudanças sociais.

A maçonaria como agente de mudança social: A burguesia de mercadores de grosso trato cada vez mais rica estava inconformada com sua situação de desprestígio nas Cortes européias e se organizou em Lojas Maçônicas com a intenção de conseguir uma visão liberal do poder e sua inserção social junto ao poder da corte. Na França havia muitos maçons participando da Revolução de 1789 e na Inglaterra havia maçons entre os aristocratas uma vez que, a realeza inglesa com seu Parlamento e liberdade de imprensa não era absoluta como na França, Áustria e Rússia. Em Portugal na época do Marquês de Pombal (1750-1777, reinado de D. José I) o 1º Ministro português que era pragmático e prático houve um período de vibrante agitação social, pois os mercadores ricos compravam facilmente títulos de nobreza escudados na força do dinheiro para escândalo da nobreza de sangue e espada, (que precisava desesperadamente de dinheiro para manter o luxo/fastio da Corte que estava cada vez mais pobre e dependente de receita). A corte e a velha nobreza de solar estavam falidas depois de gastar/esbanjar todo o ouro e diamantes brasileiros, (entre 1750-1760 veio do Brasil 2,5 milhões de toneladas de ouro e 1,5 milhão de quilates de puríssimos diamantes ou 1.094 toneladas de ouro e 3 milhões de quilates de brilhantes), e não sobrou nada !!!! já que o Marques de Pombal reconstruiu Lisboa às custas dessas riquezas brasileiras após o terrível terremoto de 1755, (quando morreram 40.000 pessoas) um verdadeiro tsunami no séc. XVIII como este do sudeste asiático em 2004. A corte se abriu ao novo fluxo do dinheiro e a velha nobreza de solar se mescla com a nova nobreza dos comerciantes com atuação forte da maçonaria. O Grande Oriente Lusitano da Maçonaria, a 1ª Loja Maçônica portuguesa, foi extremamente ativo nesta época com a inserção dos negociantes de grosso trato na nobreza da corte, através da compra de títulos abalando as bases da nobreza secular tanto é que, nesses dois períodos (pombalino de D. José I e o de Maria I), foram criadas quase a metade das casas nobres existentes em Portugal.

A sociedade estamental começou a ser abolida na Revolução Francesa até a ruptura final de 1792 com a abolição da monarquia dos Bourbon e a proclamação da República Francesa, que abole os privilégios feudais e altera a base milenar da sociedade estamental, que é regida pela rígida hierarquia das classes desde o século IX. Em algumas monarquias a sociedade estamental perdurou até o séc. XX, como na Russa que só a aboliu na Revolução de 1917.

Origem da maçonaria: a maçonaria se inspirou na Bíblia, na organização dos obreiros empregados na construção do Templo de Salomão que eram divididos em pedreiros, serventes e mestres que são os 3 graus do Rito Simbólico, sendo que no Rito Francês admite-se 7 graus e o Rito Escocês tem 33 graus.

É o conjunto de graus que forma a estrutura das Lojas Maçônicas tanto de Adoniran que foi o Intendente de Salomão para a Construção do Templo (referencia para o Rito Simbólico e o Rito Escocês) como de Hiran que era um trabalhador tírio com virtude, ciência e sabedoria, (apenas no Rito Francês). Oriente é o lugar do Venerável, Símbolo do Ponto sobre o qual nasce o Sol e onde no Templo de Salomão estava o Santo dos Santos.

A Maçonaria como difusora do conhecimento: na época do Iluminismo europeu séc XVIII/XIX a maçonaria favorecia a difusão da cultura científica e valorizava o conhecimento aplicado para a melhoria do bem estar das nações sem distinção dos governos. Na conquista de Portugal pelo General Junot (cuja conseqüência foi a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808) fazia parte da tropa de ocupação francesa o zoólogo Étienne Geoffroy de Saint-Hilaire que retirou do gabinete (embrião dos futuros museus) de história natural e jardim botânico da Ajuda e de Coimbra, dirigido por Domenico Vandelli naturalista e professor de prestígio, muitíssimos elementos (amostras, espécies, pedras, desenhos, etc) que levou para o Jardin des Plantes de Paris (fundado por Henrique IV em 1593), há uma opinião, não provada, que Saint Hilaire e Vandelli seriam maçons e Vandelli teria favorecido a retirada dos inúmeros itens enviados a Paris para permitir o estudo mais avançado do material levado.

Curiosidade: A ópera de Mozart A Flauta Mágica é considerada um manifesto maçônico do século XVIII pelos símbolos: estrela de 5 pontas, os templos egípcios e a insistência do número 3 (as três mulheres vendadas, os 3 acordes iniciais) e a viagem em busca do conhecimento de Tamino e Pamina.

Maçonaria no Brasil no séc. XIX: a 1ª Loja Maçônica no Brasil foi a Areópago de Itambé em Pernambuco, em 1796. Porém já havia um movimento maçônico em Minas (Tiradentes e os conjurados eram pedreiros livres ansiosos para se livrar das amarras de Portugal) e na Bahia.

No Brasil havia 2 correntes, a de Gonçalves Ledo com o Grande Oriente criado a 28/5/1822 que era liberal e republicana e a do Apostolado de José Bonifácio, que era conservadora e monárquica, porém já tinha um projeto de Constituição política para o Brasil. A 2/6/1822, D. Pedro 1º foi indicado como Arconte-Rei na direção do Apostolado tomando posse à 22/6/1822 com o nome de Rômulo. Depois, D. Pedro 1º entrou como Aprendiz no Grande Oriente com o nome de Guatimozin a 13/7/1822 e 3 dias depois, num golpe de estado de Gonçalves Ledo, foi indicado como Grão-Mestre do Oriente, tomando posse 7 dias após o grito do Ipiranga. Pedro 1º usou ardilosamente a maçonaria para controlar a burguesia que era politicamente muito ativa e rica para fixar no Brasil o seu reino frágil, pobre e contestado furiosamente pelas Cortes de Portugal que não admitiam a perda da Colônia e ameaçavam retomar o Brasil.

Em 1823 Pedro 1º, já Imperador, traiu os Maçons proibindo suas reuniões e atividades. Esta traição nunca foi perdoada pelos maçons que em represália ajudaram no golpe de 7/4/1831 que despachou Pedro 1º para Portugal, deixando o filho no Brasil nas mãos de regentes Brasileiros. Portanto no fim da disputa, José Bonifácio venceu a guerra contra Pedro 1º.

 

Fontes para estruturar esse trabalho:

Informações variadas sobre a maçonaria no Brasil.

O gabinete de curiosidades de Domenico Vandelli, Fundação BNP Paribas.















 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes