FAMÍLIA RIBEIRO DE AVELAR


Aníbal de Almeida Fernandes, Setembro, 2010.

NOTA: não há parentesco conhecido entre as famílias Ribeiro de Avelar e Avellar e Almeida:

# família Avellar e Almeida de Vassouras, cujo Patriarca é Manoel de Avellar e Almeida (4º avô de Anibal) filho de Manoel Coelho de Avellar e Maria Rosa de Almeida todos naturais e batizados na freguesia de São Pedro da Ponta Delgada da Ilha das Flores, Bispado da Freguesia de Angra de Heroísmo, Açores, com 7 titulares:

barão Ribeirão, barão Avellar e Almeida, barão Massambará, visconde Cananéia,1ª mulher do barão Werneck, 1ª baronesa Rio das Flores, 2º barão Rio das Flores,

# família Ribeiro de Avelar de Paty do Alferes, cujo Patriarca é Antônio Ribeiro de Avelar (não há origem identificada deste sobrenome Avelar) nasc. na vila de Alenquer, Lisboa, filho de João Rodrigues e de Paula da Cruz, tendo, também, 7 titulares:

barão Capivari, 2º visconde Ubá, barão Guaribú, Visconde Paraíba, barão São Luiz, 2ª baronesa Pati do Alferes, 2ª baronesa de Muritiba.

Antônio Ribeiro de Avelar, junto com o seu irmão José Rodrigues da Cruz (tio do barão de Capivari), ambos são filhos de João Rodrigues e de Paula da Cruz, fundou a importante fazenda de Pau Grande em Paty do Alferes, cuja imponência da casa com 17 janelas de frente, das quais 16 com balcão de ferro, e o enorme engenho, cuja moenda foi feita por um mecanico que o Marquês de Pombal enviou ao Brasil,  impressionou Saint Hilaire em 1816 e a fazenda já em 1810 tinha café, como informa Taunay.

Antonio Ribeiro de Avellar c.c. Antonia da Conceição, filha de Braz Gonçalves Portugal e Francisca Antonia da Conceição tiveram vários filhos em quantidades e nomes diferentes conforme os 4 autores abaixo pesquisados:

a) Francisco Klors Werneck, o casal teve 9 filhos:

1) Joaquina, (*1/4/1775), em 1794 c.c. Luiz Gomes Ribeiro que é o Patriarca da família Gomes Ribeiro de Avelar, pais de 14 filhos:

1) Cláudio, barão de Guaribú, 2) Francisco, 3) Luiza c.c. João Barboza dos Santos, 4) José, 5) Joaquina, 6) João Gomes Ribeiro de Avelar, visconde de Paraíba, 7) Manoel, 8) Maria Isabel, 2ª baronesa de Paty do Alferes, 9) Paulo, barão de São Luiz, 10) Margarida, 11) Leocádia, 12) Felisberta, 13) Cláudia, 14) Quintiliano.

(Nota: no AGB, Ano IV, pg. 235/6 o Mons. Antonio Ferreira Santos registra 13 filhos: Quintiliano, Manoel, Francisco, Paulo, Margarida, Joaquim, Felisberto, Joaquina, José, Cláudia, Cláudio, Maria Izabel e João).

2) José, (13/4/1777), 3) Maria (18/7/1778), 4) Antonio (13/6/1780), 5) Maria (16/6/1781), 6) João (20/7/1782, 7) Rosa (5/7/1783, 8) Francisco (1788),

9) Joaquim, barão de Capivari, pai do visconde de Ubá.

b) Frei Aurélio Stulzer, o casal teve 4 filhos:

1) Francisco,

2) Joaquim: barão de Capivari que teve um filho natural reconhecido, Joaquim Ribeiro de Avellar que foi o 2º visconde de Ubá c.c. Mariana Velho da Silva pais de 8 filhos entre eles, Maria José, baronesa de Muritiba (o marido era filho do Marquês de Muritiba). Os 2ºs barões de Muritiba não tiveram filhos e foram eles que acompanharam os avós de Anibal, Joaquim e Bernardina, na 1ª ida à corte como casados (1889) e ao Baile da Ilha Fiscal, os 2ºs barões de Muritiba acompanharam a família Imperial no exílio.

3) Luiz c.c. Joaquina, pais de Maria Isabel (2ª baronesa de Pati do Alferes) pelo c.c. Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, 2º Barão de Paty do Alferes,

4) Rosa c.c. Jose Maria Salter com 15 filhos vivos e 7 mortos. Entre os 15 vivos, 3 filhos com títulos nobiliárquicos:

1) Cláudio, barão de Guaribú,

2) João Gomes Ribeiro de Avellar, Visconde da Paraíba que é o do artigo abaixo registrado,

3) Paulo, barão de São Luiz.

c) Monsenhor Antonio Ferreira Santos (no AGB, Ano IV, pg. 235/6): o casal teve 3 filhos:

Anna Rosa, Joaquina e Joaquim o Barão de Capivari.

d) Roberto Moraes, no livro  O Casal Furquim Werneck: o casal teve 10 filhos, pgs: 74/75/76:

1) Joaquina (*1776) em 1794 c.c. Luiz Gomes Ribeiro que é o Patriarca da família Gomes Ribeiro de Avellar, pais de 13 filhos, (pgs: 77/78/79):

1) Maria Isabel (*1808) 2ª baronesa de Paty do Alferes,

2) Cláudio, barão de Guaribú, E o Vale era o escravo, de Ricardo Salles informa que ao morrer em 1863 ele deixou 3 fazendas: Boa União, Antas e Encantos e 439 escravos para 3 filhos, não reconhecidos, mas que usavam seu sobrenome, tidos da escrava Maria das Antas e para uma irmã dos 3 herdeiros, também filha de Maria das Antas, 30 contos de reis (equivalem a R$ 1.500.000,00, pois 1 conto comprava 1 kg. de ouro e considera-se a gr. a R$ 50,00),

3) Joaquina, 4) Margarida, 5), Quintiliano,

6) Paulo, barão de São Luiz,

7) Luiza c.c. João Barboza dos Santos, 8) Francisco, 9) Felisberta, 10) Claudia,

11) João Gomes Ribeiro de Avellar, visconde de Paraíba,

12) Manoel, 13) José.

2) Maria Angélica, 3) Rosa, 4) Anna, 5) Emerenciana, 6) Francisco, 7) Mariana,

8) Joaquim barão de Capivari, pai do Visconde de Ubá (a mãe do Visconde seria, conforme quem escreve, uma senhora casada de Paty do Alferes) e avô da Baronesa de Muritiba,

9) Luis, 10) Felisberta.

1º barão de Capivari:

E o Vale era o escravo, de Ricardo Salles informa que, Joaquim Ribeiro de Avellar o 1º barão de Capivari não se casou e deixou filhos naturais e um deles, também chamado Joaquim Ribeiro de Avelar, reconhecido por escritura pública, nasc. a 12/5/1821 em Paty do Alferes, RJ, e falecido a 1/10/1888, foi agraciado com o título de 2º Visconde de Ubá com honras de grandeza (Dec 14/3/1887).


Joaquim Ribeiro de Avellar, 1º barão de Capivari, ao falecer em 1865, deixou 6 fazendas, entre elas a Pau Grande em Paty do Alferes com 860.000 pés de café e a fazenda Cachoeira, que teve parte das terras dadas em herança para a escrava América, além de mais 44 escravos, sacas de café e 10 contos de réis (equivalem a R$ 500.000,00, pois 1 conto comprava 1 kg. de ouro e considera-se a gr. a R$ 50,00) devendo ser dado 1 conto por ano.


Anuário Genealógico Brasileiro, (Ano X, pgs 96/97, 1948) informa que o 2º visconde de Ubá foi c.c. Mariana Velho da Silva, filha do Conselheiro José Maria Velho da Silva, o casal teve 8 filhos:

1) Joaquim f. menor. 2) Maria José Velho de Avelar, 2ª baronesa de Muritiba (madrinha de crisma da avó Bernardina, de Anibal), c.c. Manuel Vieira Tosta, 2º Barão com Grandeza de Muritiba, (filho do Marquês de Muritiba), eles estavam com meus os avós de Anibal, Joaquim e Bernardina, no Baile da Ilha Fiscal, eles acompanharam a Família Imperial no exílio, faleceram sem geração.


O famoso Baile da Ilha Fiscal no dia 9/11/1889 foi o mais luxuoso baile dos 67 anos de Império, foi descrito por Machado de Assis como: uma cesta de lustres no meio da escuridão do mar, as estimativas de convidados são: 3 mil, 4 mil, ou 6 mil pessoas. Na entrada do baile D. PedroII tropeçou e quase caiu e saiu-se com uma tirada irônica: o monarca tropeça, mas a monarquia não cai, (mal sabia que no dia 15/11, cairia sim!!!) o menu tinha 12 páginas indicando 11 pratos quentes (entre eles jacutinga et pigeons sauvages à la Guanabara),15 pratos frios (entre eles galantine à la Province de Minas), 12 tipos de sobremesa (entre elas charllote russe), 4 tipos de champagne, 23 espécies de vinho e 6 de licores, num total de 304 caixas dessas bebidas e mais 10.000 litros de cerveja. No preparo foi usado: 18 pavões, 25 cabeças de porco, 64 faisões, 300 peças de presunto, 500 perus, 800kg de camarões, 800 latas de trufas, 1.200 latas de aspargos, 1.300 galinhas, 50 tipos de maionese, 2.900 pratos de doces variados; 12.000 taças de sorvete, 18.000 frutas e 20.000 sanduíches, servido por 150 garçons, num custo estimado de 200 contos, uma fortuna para a época. (500 anos de sabor, pgs: 161 a 165, Eda Romio, ER comunicações, 2000).


3) Joaquim c.c. Mariana de Albuquerque, com 4 filhos.

4) Antonio herdeiro da Fazenda Pau Grande, foi vice-presidente do Estado do Rio, morreu solteiro.

5) José, morreu solteiro.

6) Júlia c.c. Francisco de Carvalho Figueira de Melo, com 11 filhos.

7) Elisa c.c. Luiz Ribeiro de Sousa Fontes, filho dos Viscondes de Souza Fontes.

8) Luiza c.c. Antonio Ubelhart Lehngruber, com 3 filhos.

 

Fontes usadas para estruturar esse trabalho: Casal Antonio Ribeiro de Avellar c.c. Antonia da Conceição

Registro de Francisco Klors Werneck, informa 9 filhos.

Notas sobre a Vila de Pati do Alferes, do Frei Aurélio Stulzer, 1944, com 4 filhos.

Anuário Genealógico Brasileiro (IGB) Ano IV, pgs. 235/236, com 3 filhos.

Casal Furquim Werneck Roberto Menezes Moraes, Editora Liney, 1985, com 10 filhos, pgs: 74 a 79.

Atenção: há significativas diferenças no número de filhos entre as 4 fontes.

História e Genealogia Fluminense, Francisco Klors Werneck, 1947, Ribeiro de Avelar, pgs. 29 a 44.

Anuário Genealógico Brasileiro (IGB) Anos: I, III, VIII, e X: 2º Visconde de Ubá, pgs: 96/97.

Titulares Brasileiros, Carlos Rheingantz, 1960.

O Vale da Paraíba e a Arquitetura do Café Augusto C. da Silva Telles, Capivara, 2006.

E o Vale era o escravo, Ricardo Salles, Civilização Brasileira, 2008:

Barão de Capivari, pgs: 284/285 e 306 e Centro de Documentação Histórica (CDH) Severino Sombra, Inventário nº 651, caixa 106.

Barão de Guaribú, pgs 285/286 e 306 e Centro de Documentação Histórica (CDH) Severino Sombra, Inventário nº 13, caixa 322.

REGISTRO ENCONTRADO NA INTERNET: Visconde de Paraíba

Numa noite de 1973, na quadra de uma Escola de Samba em Cascadura, fiz uma entrevista impressionante. Eu e um grupo de amigos (entre os quais estava o radialista Rubens Confeti, da Rádio nacional aqui do Rio de Janeiro). O impressionante era que, a entrevistada estava prestes a completar 117 anos e... havia sido escrava! Quem já ouviu, ou mesmo viu, uma pessoa de 117 anos? São pessoas raras. Muitos eventos que só conhecemos pelos livros foram para elas corriqueiros. A visão clara que elas tem do passado remoto, para nós é tão desconcertante que parece mentira. Mas juro. Não minto e repito: Isto não é ficção. Desta vez, a história é a mais pura realidade. Os incidentes que a entrevistada nos dá conta são de 1874, quando ela estava com 15 anos. Aconteceram, numa fazenda de café do Vale do Paraíba do Sul, Rio de Janeiro, chamada Santa Teresa, num município denominado hoje Avellar (que, na época, ainda pertencia à cidade de Paraíba do Sul). O nome Avellar é emblemático, pois o patrão de nossa entrevistada era, ninguém menos, que o Visconde de Paraíba, João Gomes Ribeiro de Avellar.

O nome de nossa entrevistada é Maria Teresa dos Santos1947 a Escola de Samba Império Serrano (Teresa foi a orgulhosa mãe de Antônio dos Santos, o Mestre FuleiroMaria Teresa teria nascido em 1859. Os fatos dos quais nos dá conta são de quando ela estava com cerca de 15 anos. Logo, o Jongo que descreve é, portanto, aquilo que sobre a manifestação poderia saber uma adolescente. São preciosas, no entanto, as descrições sobre uso no Jongo da época, de instrumentos como o Urucungo (um arco musical tipicamente Bantu) e a viola. Em 1874, já com o processo de decadência das fazendas da região se aguçando, sabe-se que foi hábito comum entre os Barões do Café demonstrar, ostensivamente, os resquícios de fausto que lhes restavam, forçando seus escravos a se exibir para visitas, vindas, não raro, da Corte. Foram, certamente, a partir destas viagens, que danças como o Lundu, por exemplo, migraram para a os salões da Corte. São importantíssimas as informações que presta, no sentido de que seu avô, africano de nação Munhambano, foi quem trouxe a prática do Jongo para o local (não o seu avô, pessoalmente, é claro, mas africanos bantu, trazidos para aquela região, de cultura similar a dele). O fato curioso dela, falar e insistir que seus avós eram mulatos de cabelo liso, pode ser, definitivamente, explicado pelos dados a seguir. Num gráfico sobre a demografia escrava na região de Vassouras, RJ, está demonstrada a existência na região de Vassouras e Paraíba do Sul de indivíduos da etnia Inhambane, associação evidente com o Mu-nhambano citado por Maria Teresa. Inhambane é de fato, um povo que habita uma vasta região ao norte de Maputo, em Moçambique, no litoral do país e que foi, por conta disso, exposta, durante muito tempo, às influências gerais das históricas relações entre Ásia e África, ocorridas na costa africana do Oceano Índico, relações estas que produziram, entre outros efeitos, alguma mestiçagem de negros com árabes (cujos interesses comerciais penetraram ali antes dos portugueses) e indianos (que marcaram fortemente o perfil étnico da população do Madagascar, por exemplo, ilha muito próxima à costa de Moçambique). Por esta hipótese, os avós de Maria Teresa foram pegos no território Inhambane e postos num navio que, atravessando o cabo da Boa Esperança, deu no oceano Atlântico, seguindo para o Brasil. Segundo o gráfico acima citado (de Flávio G. dos Santos), havia apenas 8 indivíduos de origem Inhambane na região de Vassouras entre 1837 e 1840, seis deles residindo em fazendas nas quais pode ser incluída a Santa Teresa, citada por Maria Teresa. A hipótese de, pelo menos, dois destes seis escravos serem parentes (dois seriam os próprios avós Munhambanos) de Maria Teresa é de todo modo, impressionantemente plausível. Precioso é, do mesmo modo, seu testemunho pessoal de ocular de que eram comuns na região as torturas, as fugas e os aquilombamentos. Os locais descritos por ela correspondem a onde hoje está circunscrito parte do Município de Avellar, vizinho de Paraíba do Sul. Na crônica da insurreição de escravos conhecida como Quilombo do Manoel Congo, ocorrida em 1838 nesta região, tem papel importante nos conflitos a fazenda de Santa Teresa, já pertencente naquela época a João Gomes Ribeiro de Avellar, o Visconde do Paraíba (chamado erroneamente de Visconde de Avellar por Maria Teresa). O Barão de São Luiz, Paulo Gomes Ribeiro de Avellar, filho do visconde, (talvez o tal que bateu na cara do pai de Teresa e é chamado por ela de Lulu) é citado no processo que condenou Manoel Congo à morte, como dono do escravo citado como sendo o próprio Vice Rei do quilombo, um tal de Epifânio Moçambique, morto na refrega. Não tendo feito qualquer comentário sobre o retorno de seu pai, de sua mãe ou dela mesma para a fazenda, depois da fuga narrada, fato que, por sua relevância dramática, com certeza teria sido citado na entrevista, pode-se deduzir que Maria Teresa (e toda a sua família), viveu na condição de quilombola a partir de , histórico diretor de harmonia desta escola). 1874. A afirmação que faz de que ainda viu instrumentos de tortura na Corte, atesta o fato surpreendente de que ela já estava residindo no Rio de Janeiro, na proclamação da República, havendo ficado livre, portanto, cerca de 14 anos antes da Abolição. , matriarca de uma espécie de dinastia, que sediada no morro da Serrinha em Madureira, não só implantou no lugar o Jongo trazido da roça, como ajudou a criar, em

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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes