Antonio de Arantes Marques



Patriarca do Tronco Arantes-Aiuruoca, MG;

Capitão-mor do Arraial da Ayuruoca, 5ºavô de Anibal.

Anibal de Almeida Fernandes, 5º neto do Capitão-mor Antonio, Novembro, 2010.

Gilberto Alves Furriel da Silva, Chefe da Divisão de Turismo e Meio Ambiente de Aiuruoca, Secretário do Conselho de Cultura e Patrimônio Histórico, membro da Superintendência do Museu Municipal Dr. Júlio Arantes Sanderson de Queiroz e Presidente da fundação Cultural Dr. Júlio Arantes Sanderson de Queiroz, é 7º neto do Capitão Antonio de Arantes Marques e, também, competente e cuidadoso pesquisador da Família Arantes-Aiuruoca.

Graças à pesquisa dos documentos que Gilberto Alves Furriel da Silva fez em Belo Horizonte, Aiuruoca e São João d’El Rei, que pertencem ao seu arquivo particular, que foram disponibilizados para o site www.genealogiahistoria.com.br, pode-se reconstruir a vida militar do Patriarca dos Arantes–Aiuruoca

Tomando por base esses documentos podemos historiar, documentalmente, a ascensão de Antônio de Arantes Marques na carreira militar:

1) documento de 6/5/1778, Antônio de Arantes Marques aparece como civil sem ocupar posto militar algum.

2) documento de 2/12/1783, Antônio de Arantes Marques aparece como Tenente: "o tenente Antônio de Arantes Marques"

3) documento de 10/7/1792, (acima), Antônio de Arantes Marques aparece como Capitão tanto que, pode-se ver na inicial: o C. Antônio de Arantes Marques do Arrayal de Ayuruoca.

Gilberto Alves Furriel da Silva informa que Capitão era o posto máximo que alguém poderia ocupar em Aiuruoca baseado no estudo do Historiador Ir. José Mauro Maciel, membro da Congregação do Santíssimo Redentor, (C.SsR.), natural de Aiuruoca e também descendente do Capitão Antônio de Arantes Marques que assim descreve em seu trabalho, Aiuruoca: Capitania-mor e Guardamoria, a organização Político-administrativo, em Minas Gerais:

O Distrito de Ordenança da Aiuruoca foi constituído de Capitania-mor e Guardamoria, a 20/7/1708, pelo governador do Rio de Janeiro, D. Fernando Martins Mascarenhas de Lancastro, que nomeou o pindense Melchior Félix Correa como o seu primeiro Capitão-mor e Guarda-Mor. (Pindamonhangaba = Pinda Amonha Gaba nome tupi que significa: lugar onde se faz anzóis)

Na seqüência histórica, D. Brás Baltazar da Silveira, a 8/1/1715, nomeou Salvador Freire para Capitão-mor da Cavalaria da Aiuruoca. E a 4/2/1715, foram nomeados: o sargento-mor João Pedroso e o ajudante Antônio Borges de Sousa.

Nas cartas patentes, vinha explicitamente a nomeação do governador, em nome do rei, “... eo Cappm.mor dodº distrito Salvador Freire da Silva lhe daraposse ejuramento dos S. Evangelhos pª cavalª eservir odº posto.

O sucessor de Salvador Freire foi o Capitão-mor José Lola, do qual ainda não se encontrou a carta patente. Todavia, o governador Pedro de Almeida Portugal nomeou Ignácio da Costa Montalvão sargento-mor da Aiuruoca, a 19/11/1717. Sabe-se que nesse ano, 1717, Narciso de Faria e Silva era o guarda-mor da Aiuruoca.

A carta de Sesmaria concedida a Manoel Dias Lobo, a 2/5/1719, a oeste do Caminho Novo, “no Campo da Ressaca, freguezia da Mantiqueira”.

A saber: a única freguesia da Mantiqueira nessa época é a da Aiuruoca.

A 21/5/1723, o governador Conde de Assumar nomeou Capitão-mor da Aiuruoca Manoel Garcia de Oliveira, concedendo-lhe poder pleno de prisão e colocar ordem “na quietação e sossego dos moradores contrários ao bem comum”. O mesmo governador, em carta de 6/8/1724, notifica ao rei D. João V, informando-o que:

a população das Minas é muito instável, composta de muitos forasteiros e aventureiros. E com isso se formavam e se desfaziam povoações inteiras, dependendo da corrida pelo ouro.

O Capitão-mor da Aiuruoca, Manoel Garcia de Oliveira, a 10/10/1735, foi nomeado provedor dos “quintos reais da Aiuruoca e do Caminho Velho”, inclusive dos mineiros que se utilizam dos índios carijós e escravos negros, na capitação do ouro. Manoel Garcia de Oliveira, em 1736, foi nomeado Comissário Intendente dos Distritos do Sul de Minas na cobrança dos quintos reais. No mesmo ano, 1736, tornou-se responsável pelas Ordenanças de Pouso Alto e Carrancas. E, em vista das diversas confusões, o governador Martinho Proença, em 19/4/1737, o nomeou responsável pela capitação do ouro no “novo Arrayal de S. Cyprianno” (Campanha do Rio Verde).

Em 1743, o governador nomeou e enviou do Rio de Janeiro Bento Pereira de Sá como Guarda-mor substituto de Aiuruoca, com residência na Campanha, devido ao mal estado de saúde de Manoel Garcia de Oliveira, que veio a falecer em outubro de 1744.

Lembrando que, nesse período de 1743 a 1765, o Guarda-mor substituto Bento Pereira de Sá, residiu na Campanha e o titular Manoel Garcia de Oliveira, na Freguesia da Aiuruoca.

Após a morte do Capitão-mor Manoel Garcia de Oliveira em 1744, os capitães das Ordenanças da Aiuruoca passaram a prestar obediência ao Capitão-mor de São João Del Rei.

A partir de 1749 aumentaram os desvios de ouro, as denúncias e os contrabandos, prejudicando assim os Quintos Reais. Somente a cobrança dos Dízimos, sobre as produções agrícolas e pastoris, pareciam satisfatórias.

No triênio de 1750 (1º de agosto) a 1753 (31 de julho), Aiuruoca foi a Freguesia que mais produziu gêneros no Sul da Capitania, pagando por isso a quantia de 21:166$500 à Fazenda Real.

O Decreto Régio de 22/3/1766 criou o Regimento da Campanha do Rio Verde, Freguesia da Aiuruoca e suas anexas, provendo, em 9/7/1768, ao posto de Coronel Antônio Correa de Lacerda, que fora capitão da Cavalaria da Aiuruoca desde 1744.

Assim sendo, nessa mesma data de 9/7/1768, “a amtigua Companhia de Cavallaria Auxiliar de dragõens do destrito do Arrayal da Ayuruóca”, agora incorporada ao Regimento da Campanha, recebeu a nomeação de Capitão concedida a Fernando Affonso Correa Lacerda e foi promovido a Tenente Coronel Antônio da Silva Soares. Sabendo-se que Fernando Affonso Correa Lacerda exercia também o ofício de “Escrivão de terras e águas minerais da Aiuruoca e Baependi”, desde 10 de fevereiro de 1768.

Porem, conforme a última pesquisa de Gilberto Alves Furriel da Silva no Arquivo Publico de Minas Gerais em Belo Horizonte, foi descoberto que Dona Maria I, 26ª Rainha de Portugal (1777-1816), mandou que fosse restabelecida novamente a Cavalaria e a Infantaria de Aiuruoca em 7/1/1791, e foram nomeados os seus respectivos Capitães e como Chefe destes, o Capitão Mor.

O 2º Visconde de Barbacena, Felisberto Caldeira Brant Pontes, logo após à recriação da Cavalaria e Infantaria de Aiuruoca, manda notificar a Antônio de Arantes Marques, de Aiuruoca, para comparecer em corpo e alma na capital, Ouro Preto, para tomar posse como Capitão-mor.

Resumo: Aiuruoca que detinha honrarias por ter sido uma das primeiras Capitanias-mores do Estado de Minas Gerais graças a Dona Maria I recupera seu Capitão-mor, no caso, Antônio de Arantes Marques, Patriarca dos Arantes–Aiuruoca.

Por esse motivo, Aiuruoca continuou com seu Capitão, seu Tenente, seu Furriel etc, etc, e, conforme o histórico descoberto por Gilberto Alves Furriel da Silva, é absolutamente correto afirmar que Antônio de Arantes Marques era o Capitão-mor de Aiuruoca, pois era ele quem respondia militarmente pela Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Aiuruoca, que comandava as seguintes cidades:

Serranos, Alagoa, Livramento (hoje Liberdade) Minduri, Andrelândia, Passa Vinte, São Vicente e Bocaina de Minas, que não possuíam Capitão-mor.

Assim sendo, podemos afirmar que, em 1792, Antonio de Arantes Marques, o Patriarca do Tronco Arantes-Aiuruoca, 5º avô de Aníbal, era o Capitão-mor do Arrayal da Ayuruoca e assim o foi até sua morte a 17/5/1801, tendo sido sepultado a 18/5/1801 na antiga Matriz de Aiuruoca, (conforme consta na Matriz de Aiuruoca: autos do Inventário pg. 84, maço: 5/5/1814).
Os textos desse site podem ser reproduzidos, desde que se informe o autor e o endereço do site.
 
Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes