Vicente Giordano, Patriarca da Família Giordano de São Paulo, 3º avô de Ana Tereza Del Grande Arantes de Almeida Fernandes.


 Anibal de Almeida Fernandes, Janeiro 2009, atualizado, Dezembro 2016.



Introdução: Vicente Giordano e a Família Barra:

Vicente Giordano, nascido em Torraca, Salerno, Itália no séc. XIX veio para o Brasil no último quartel do século XIX a convite de seu parente, o Cavagliere Francesco Antonio Barra (4º avô de Ana Tereza), era Cavaleiro da Ordem de São Maurício e São Lázaro, Real Ordem de Mérito da Casa de Savóia e foi um dos expoentes do alto comércio paulista no séc. XIX e tinha atribuições diplomáticas do governo italiano em São Paulo, ele foi um dos fundadores do hospital Umberto Primo, do qual foi presidente.


A construção do hospital Umberto Primo foi financiada por membros de prestígio da comunidade italiana sendo inaugurado em 1904. As obras foram bancadas com doações de famílias italianas instaladas em São Paulo. A maior doação foi do conde Francisco Matarazzo, que financiou as obras dos dois primeiros anexos, batizados respectivamente de Casa de Saúde Francisco Matarazzo e Casa de Saúde Ermelino Matarazzo. O complexo de cerca de 27.000 m2 com dez prédios projetados pelo italiano Giulio Micheli fica entre as ruas São Carlos do Pinhal, Itapeva, Pamplona e a alameda Rio Claro; o hospital foi ampliado com investimentos da família Matarazzo para um total de 36.000 m2. Os primeiros estudantes da Faculdade de Medicina de São Paulo estagiaram nos seus ambulatórios e suas salas cirúrgicas. Durante os anos 50, a maternidade Condessa Filomena Matarazzo foi um dos principais centros de nascimento dos paulistanos. Em 1993, já em dificuldades financeiras, foi interditado pela Vigilância Sanitária e, desde então, está fechado. Desde 1996, pertence à Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Corretores que atuam na região da avenida Paulista estimam que o imóvel valha, pelo menos, R$ 160 milhões, podendo chegar a R$ 260 milhões (FSP: 18/2/11). O grupo Allard, especializado em hotéis de altíssimo luxo, fechou ontem a compra do antigo hospital Umberto Primo, também conhecido como hospital Matarazzo, na Bela Vista, centro de SP. A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e dona do imóvel, confirmou a venda -antecipada pela Folha em fevereiro. Pelo prédio histórico, o grupo Allard, em sociedade com o fundo de investimentos paulistano WWI, pagou R$ 117 milhões. A Folha apurou que o projeto do grupo é fazer no local dois hotéis, um deles de altíssimo luxo, na área da antiga maternidade, um centro cultural e um centro comercial e de gastronomia. (FSP COTIDIANO 27/7/11).



O Cavagliere Francesco Antonio Barra residia em um belíssimo palacete construído na Av. Liberdade, do nº 340 a 360, (que existe até hoje, ver no fim do trabalho informação completa), tendo um frontão com as iniciais BCFA (Barra, Cavagliere Francesco Antonio).

O Cavagliere Francesco Antonio Barra é pai de, pelo menos, 2 filhos:

1) Nicolino Barra, (fal. cerca de 1929), Barão Barra. O Barão Barra é tio dos filhos do casal Vicente Giordano e Angela Maria. O Barão Barra herdou o palacete do pai na rua Liberdade, o Cavagliere Barra. O Barão Barra é nome de rua em São Paulo. O Barão Barra foi c.c. Amália, pais de 4 filhos: Antonio, Francisco, Marieta (madrinha de crisma de Diva Giordano Riccó) e Emilia

2) Angela Maria em 2ªs núpcias c.c. Vicente Giordano.

Vicente Giordano e sua descendência:

Vicente Giordano, Patriarca da Família Giordano em São Paulo e sua mulher Angela Maria Barra Falchi (Falchi pelo 1º marido, pois era viúva), formam o casal tronco da família Giordano em São Paulo, Brasil, e tiveram 3 filhos:

1º: Francisco fal., c.c. Maria Concetta Finamore fal.

2º: Paulo, f. com 20 anos, sg.

3º: Domingos fal. c.c. Carmela Spina fal., bisavós de Ana Tereza.

# Descendência do casal Francisco e Maria Concetta Finamore (irmã de Francisco Finamore, marido de Angelina Giordano, abaixo citada), com 10 filhos:

1º Vicente fal., c.c. Maria Crafa fal., com 2 filhas:

Lívia e Cláudia.

2º Angelina, c.c. Arnaldo Rogano fal., com 3 filhos:

Maria Eugenia, Roberto e Francisco.

3º Délia, c.c. Armando Bragaglia, pais de 4 filhos:

Ana Maria c.c. Amaury, Cláudio c.c. Maria da Glória, Eduardo c.c. Maria Regina e Mauro c.c. Vera.

4º Diva, (fonte primária) c.c., Alberico Riccó fal., pais de:

Fábio, c.c. Maria Cecília da Silva, pais de 2 filhos:

Flávia c.c. Luiz Fernando csg

Fábio c.c. Fabiana, pais de: Fábio.

5º Paulo, c.c., Maria Cecília Ippólito, fal. (irmã de Álvaro Ippólito, abaixo citado), com 4 filhos:

Paulo, Beatriz, Luciana e Francisco.

6º Rosalba, c.c. Ângelo Reina fal., com 3 filhos:

Enio, Marcelo c.c. Vera e Silvia c.c. Marcelo.

7º Sylvio, c.c., Heloísa, com 2 filhos:

Francisco e Carolina c.c. Eduardo.

8º Otávia, fal., c.c., Renato Miraglia fal., com 2 filhos:

José e Teresa.

9º Magda, c.c., Heraldo Figueiredo, com 5 filhos:

Flavio, Maria Aparecida, Maria Luiza, Maria Conceição e Adriana

10º Dante, fal., c.c., Yone Mazza, com 3 filhos:

Fernando, Luciano e Valeria

# Descendência do casal Domingos (*1881 +1957) c.c. Carmela Spina (f. 1979), Domingos estudou em Torino e, após se formar, regressou ao Brasil onde iniciou suas atividades profissionais fundando a Casa Bancária Giordano, em 1900, (conforme notícia no “Jornal do Commércio”) que é considerada a 1ª Casa Bancária da cidade de São Paulo.

Domingos e Carmela pais de 5 filhos:

1º Angelina, fal. 2005, Francisco Finamore, fal. (irmão de Maria Concetta, retro citada), com 5 filhos:

Fúlvio, f., casado com Vilma Vianna, pais de:

Ana Maria, Alba Maria e Mário Luis.

Aydil c.c. Pachoal Marotta, pais de:

José Mário e Maria Cecília.

Flávio, c.c. Nelly Jabur, f., pais de:

Cláudia e Flávio.

Vilma, c.c. Renato Bongiovani, pais de:

Adriana e Reinaldo.

Mário, c.c. Janete Castaldelli, pais de:

Daniela, Mario Sérgio.

2º Lídia, fal., c.c., Ivo Define Frascá, fal., com 3 filhos:

José Antonio fal. sg.,

Luiz Antonio, c.c. Leticia, cg.

Maria do Carmo, c.c. Oscar Spilborg do Amaral, pais de:

Ricardo cg., Cristina cg e Fernanda.

3º Thereza (1908-1996), c.c., José Del Grande (1900-1998), filho de Seraphim Del Grande e Judite Del Carlo, vindos de Lucca, Toscana, Itália.

Thereza e José foram pais de 6 filhos Giordano Del Grande:

Myriam, c.c. Roberto Pricoli fal. 2016, pais de:

José Roberto, c.c. Tereza Cristina Gambini Berckling, sg.

Ricardo, casado cg., Marcelo, casado cg.

Sérgio, f. 2005, c.c. Irene Hota, sg.

Renato, c.c. Maria Cecília Andreoti, pais de:

Mauro casado cg., Lucila casado cg., Fábio, casado cg.

Seraphim Carlos, c.c. Silvia Hollo, pais de:

Juliana, (foi c.c. Marcos Frossard), pais de Cauê, n. 8/4/01.

Mariana, c.c. Luiz Scavone Neto, pais de Maria Luiza n. 24/2/06, são padrinhos do Cauê.

Paula, psicóloga, c.c. Paulo Roberto Sesti, pais de Ana Beatriz, n. 8/9/06 e João Pedro n. 25/11/2011.

Maria José, c.c. Anibal de Almeida Fernandes, pais de:

Ana Tereza Del Grande Arantes de Almeida Fernandes, psicanalista, a 24/8/07, c.c. Felipe Augusto Alonso, filho: Geraldo Alonso Filho e Ana Regina Alonso; pais de Enrico Arantes de Almeida Alonso, n. a 15/10/2010.

José Carlos, c.c. Lúcia de Mello, pais de:

Leonardo c.c. Mariele: 2 filhos, Camila divorciada sg. e Marina s.

4º Vicente, fal., c.c. Elza Morganti, fal. (filha de Pedro Morganti), pais de:

Maria Beatriz, c.c. Álvaro Ippolito (f. 12/9/2015) pais de:

Antonella c.c. Rodrigo de Paiva Mendes, pais de Mirella (*2014)

Lídia c.c. Maurício, pais de: Fábio e Sylvia.

Maria do Carmo fal. c.c. Fernando Forte, pais de: Andréia e Maria Virgínia.

Luiz Antonio c.c. Maria Beatriz, pais de: Carolina, Bruno, Bianca.

5º Olga, (fal. 2005, fonte primária), não teve filhos nos 2 casamentos:

1º casamento: João Sangirardi, fal, sg.

2º casamento: Otávio Tisi, fal, sg.

Abreviações:

n. = nascido; c.c. = casado/casamento com; cg. = casamento com geração; sg. = casamento sem geração; s. = solteiro; fal. = falecido.

Fontes pesquisadas para estruturar esse trabalho:

Fonte primária: Olga Giordano Tisi, Diva Giordano Riccó, Cecília Riccó e Maria Beatriz Giordano Ippólito.

Adendo à Genealogia dos Cintra, José Rubens Prestes Barra, 1998, São Paulo.

Internet: Portal Veja, (Abril), Hospital Umberto Primo.

Dados fornecidos por Renata Barra, bisneta de Nicolino Barra, Barão Barra pelo Governo Italiano (Ago/2010).

FSP: Cotidiano, 18/2/2011.

O sobrado da Avenida da Liberdade, n°s. 340 a 360


No alto do frontão se destacavam, como já mencionado, as iniciais do nome do proprietário e de seu título honorífico, a ladear a cruz da insígnia correspondente ao grau de cavaleiro da Ordem de São Maurício e São Lázaro, Real Ordem de Mérito da Casa de Savóia, exibida pelo morador.

É fato que o casarão da Avenida da Liberdade foi erguido para um italiano originário de Torraca, Província de Salerno, seu proprietário (detalhe que talvez as pesquisadoras desconhecessem, porque silenciaram a respeito do significado das iniciais BCFA presentes no alto da fachada – Barra Cavaliere Francesco Antonio –, de acordo com o modo italiano de nomear, dando prioridade ao sobrenome), mas a edificação pode muito bem ter sido concebida e construída por um mestre-de-obras de origem portuguesa ou mesmo brasileira, levando-se em consideração as características estilísticas típicas da arquitetura luso-brasileira que o sobradão apresentava. Como dissemos antes, a residência foi erguida para o Cavaliere Francesco Antonio Barra.

Barra, supomos, era um comerciante bem sucedido, insigne membro da nascente colônia italiana em São Paulo, ao qual, afirmam, chegaram a ser conferidas atribuições diplomáticas pelo governo do Reino da Itália. Seu nome figura em anúncio do Correio Paulistano (19 de janeiro de 1878, p.3) entre os italianos de destaque que convidavam os patrícios residentes na Capital para assistir à missa solene oficiada pela perda do Rei Vítor Manuel II. Na qualidade de presidente da Societá Italiana de Beneficenza in San Paolo tentou erigir, em 1881, o hospital da comunidade no bairro do Bexiga (Bela Vista), o que resultaria, nos anos de 1890, na construção do prédio a seguir transformado na antiga Escola Estadual Maria José (antiga Z8 200-090), situada na Rua Major Diogo, n°.200. No almanaque de 1886, Barra aparece também como tesoureiro do Círculo Operário Italiano, o que confirmaria, em nosso entender, a modesta origem social do Cavaliere, que, uma vez enriquecido, se empenhou em ver ratificada sua posição de prestígio na sociedade paulistana por meio de honrarias recebidas do governo italiano. No Arquivo Histórico Municipal Washington Luís sobrevive até hoje um pedido de alinhamento relacionado com a ereção do sobrado do Cavaliere:

Illmos Exmos Snr.s Presidente e Vereadores da Camara Municipal da Capital Diz Francisco Antonio Barra que desejando faser o calçamento em frente do predio que constroe na Rua da Liberdade pede a V.V. E.Exas. que determinem que lhe seja dado o conveniente nivellamento por cuja graça E R Mce. [encarecidamente roga mercê] São Paulo, 14 de abril de 1879 [Obras Particulares, 1879-1881, v. 020, folha 33]

Bem mais importante que esse documento, porém, é o lançamento do auto de alinhamento que encontramos em outra coleção conservada no Arquivo:

Livro de lançamentos dos autos de alinhamento, 1877-1880, v. 0376, folha 94:

Francisco Antonio Barra Aos vinte nove de Outubro de mil oitocentos e setenta e oito nesta Imperial Cidade de Sam Paulo em a Rua da Liberdade comparecerão os empregados da Camara Municipal para dar alinhamento ao terreno de Francisco Antonio Barra que pretende edificar como allega em sua petição com despacho de 24 do corrente mes. E procedendo ao dito alinhamento alinharão 25m,70 de frente para a Rua da Liberdade, dividindo pelo lado direito com João Augusto de Moraes, e a esquerda com a propriedade que foi do Doutor Getulio; ficando no alinhamento das casas que ficão do mesmo lado, cujo alinhamento foi dado com a presença do Senhor Vereador Doutor João Alvares de Siqueira Boeno. E para constar lavrei o presente auto, eu Antonio Joaquim da Costa Guimarães Secretario da Câmara o escrevi.

Antonio Joq.m da Costa Gs.O fiscal interino Alfredo Augusto Ferreira Braga O Engo. Fernando de Albuquerque Possidonio Jose da Sa.

Os ornatos de pedra artificial eram vistos então como uma evolução técnica muito positiva, pois substituíam, de maneira mais em conta, os enfeites de cantaria lavrada ou de estuque, estes por vezes modelados in loco por hábeis especialistas. O resultado produzido, contudo, nem sempre era do agrado de todos. Alguns exemplares da época, por se afastarem da estética erudita da Arquitetura, devem ser interpretados como obras típicas de projetistas de nível oficinal – os conhecidos mestres-de-obras. De fato, esses edifícios, entre eles este sobrado da Avenida da Liberdade, configuravam um hibridismo estilístico, nem totalmente neoclássicos nem decididamente ecléticos, e, tempos depois, os responsáveis pela introdução desse tipo de decoração fora dos cânones mereceriam a censura austera de Ricardo Severo (1869-1940):

os habilidosos estucadores que vieram da Itália e de Portugal (das bandas de Vianna e Afife) trouxeram um elemento valioso de decoração architectonica, mas produziram por excesso o abuso do ornamento modelado applicado sobre fachadas completamente lisas, sem discreção, sem compostura architectural, sem o mínimo senso esthetico.

No casarão se misturavam evidentes traços de conservadorismo estilístico (a composição arquitetônica geral, de influencia neoclássica), alguns raros elementos construtivos remanescentes dos meados do oitocentismo e indícios de um estilo então recém-chegado na cidade. E era justamente essa característica pouco convencional que, a nosso ver, tornava preciosa a casa de Francesco Barra. Embora contasse com quase cento e trinta anos de idade, a verdade é que o sobrado da Avenida da Liberdade era visto por muitos com uma deliberada indiferença. Nunca apontado como um remanescente digno de interesse da arquitetura do passado, apesar de não haver resistido na cidade outra construção estilisticamente equivalente. Constituía o único exemplar de arquitetura paulistana que ainda conservava certo compromisso com o Neoclassicismo, materializado tanto na forma prismática da construção, quanto no predomínio das paredes lisas e planas, nos vãos rematados com arcos plenos e nas platibandas corridas sem ornatos, às quais se opunha, como um elemento cheio de novidade, indicador de um novo estilo arquitetônico na Capital, o coroamento central, sobrecarregado de decoração pré-fabricada. No alto do frontão se destacavam, como já mencionado, as iniciais do nome do proprietário e de seu título honorífico, a ladear a cruz da insígnia correspondente ao grau de cavaleiro da Ordem de São Maurício e São Lázaro, Real Ordem de Mérito da Casa de Savóia, ostensivamente exibida pelo morador.

Depois, no prédio habitou, por toda a vida, o seu filho Nicolino Barra, que, em 1886, segundo o mesmo almanaque consultado, era dono de uma casa de fazendas na Rua do Ouvidor, n°. 13 (hoje José Bonifácio). Nicolino fez-se notabilizar por suas obras de benemerência; foi proprietário de uma casa bancária no Largo do Tesouro e obteve, mais tarde, do Governo da Itália o título de Barão Barra.

Eudes Campos: Seção Técnica de Estudos e Pesquisas

Agradecemos à arquiteta Sylvia Maria Luz Fré, da Secretaria Municipal de Planejamento, (Sempla), ter cedido gentilmente parte do material usado na redação e na ilustração do presente texto.

 

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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes