BARÃO de MAUÁ, (30/4/1854) e VISCONDE (com grandeza) de MAUÁ (25/6/1874)



Decreto Registrado no Livro V, Pag. 65, Seção Histórica do Arquivo Nacional.


Dignatário da Ordem da Rosa, Comendador da Real Ordem de Cristo, Membro do IHGB.

 IRINEU EVANGELISTA DE SOUSA 

Anibal de Almeida Fernandes, Maio, 2010.

 O nome do título de Mauá vem, oficialmente, do antigo nome do porto de Estrela que ficava ao lado do terminal da ferrovia construída por ele, a 1ª Ferrovia do Brasil, inaugurada a 30/4/1854, puxada pela locomotiva Baronesa, em homenagem à mulher do Barão, Maria Joaquina.

As fofocas da corte imperial interpretavam o nome do título como uma ironia do Imperador e dizia-se:

Barão de Mauá, porque algum mal, há.

No Rio de Janeiro, Mauá tinha a melhor representação dos seus variados negócios, com seus navios a vapor, sua estrada de ferro até Petrópolis, com a Cia. das luzes da cidade, com a Cia. de iluminação a gás dos lampiões, com a fábrica das velas que se consumiam nas casas, com a Cia. de água que chegava pelos canos de ferro instalados por seus engenheiros. Tudo no Brasil que significasse desenvolvimento e progresso, onde não houvesse escravos, tinha a marca de Mauá. O Visconde de Mauá controlava 8 das 10 maiores empresas do país; as duas excluídas, eram o Banco do Brasil (que depois veio, por pouco tempo, a ser dele também) e a Estrada de Ferro D. Pedro 2º, ambas estatais.

O Visconde de Mauá, era um empresário moderno estranho no ninho de um país ruralista, escravocrata e latifundiário, cuja economia vivia sob o controle estatal, por isso era incompreendido e até perseguido, era desprezado, e talvez invejado, por D. Pedro II, o monarca iluminista que só admirava as letras, quando não eram promissórias, e os números só se fossem abstratos. Os 2 jamais tiveram alguma discussão pública, mas sua incompatibilidade de gênios era notória. Mauá cometia o supremo pecado de ser devotado ao lucro e, isso, o arqueólogo diletante, lingüista e filólogo, astrônomo amador, botânico de fim de semana, D. Pedro II: não podia tolerar.

O Visconde de Mauá, Irineu Evangelista nasceu: 28/12/1813 e faleceu: 21/10/1889

Filho de: João Evangelista de Ávila e Sousa casado em 1810 com Mariana Batista de Carvalho.

Neto paterno de: Manuel Jerônimo de Sousa, c.c. Maria de Ávila.

Neto materno de: José Batista de Carvalho, c.c. Isabel (de origem Holandesa).

O Visconde de Mauá, Irineu Evangelista a 11/4/1841, c.c. Maria Joaquina de Sousa Machado, (May), nascida a 6/7/1825 e falecida a 15/3/1904, era sua sobrinha, filha de sua única irmã, Guilhermina, (nascida a 21/4/1811), c.c. José Machado de Lima.

O Visconde de Mauá, Irineu Evangelista e Maria Joaquina  tiveram 12 filhos:

1] Lísia, (1842-1855).

2] (gêmeo de 3), 1843, nati-morto. e 3] Irineu, 1843-1849, (gêmeo de 2).

4] Irineu (1851-1915) foi Comendador, c.c. Jesuina de Azevedo Sales, (filha dos Barões de Irapuá), pais de: Alice, Luzia, Noemi, Maria, Maria Jesuina.

5] Henrique, (1852-1929) foi Comendador, c.c. Maria Luisa Oliva Tavares Guerra, pais de 10 filhos: Helena, Hermínia, Beatriz, Laura, Zaira, Henrique, Artur, Luiz, Irineu, Maria Luisa.

6] Artur, (1853-1874).

7] Maria Carolina n. 1854, c.c. seu concunhado, José Luís Cardoso de Sales, Barão de Ibirá-Mirim, cônsul do Brasil em Londres filho do Barão de Irapuá. Sem filhos.

8] Ricardo, (1856-1884), c.c. Amélia Daisson, pais de Ricardo.

9] Lísia, (1860-1890), c.c. João Frick, pais de 3 filhos: Tito, Irene, João, Carlos.

10] Hermínia, (1862-1868).

11] Irene, n. 1865, c.c. Tito Ribeiro, sem filhos.

12] Alice, (1867-1869).

 

Oscilação da colossal fortuna do Visconde de Mauá:

1) Em 1865 sua fortuna pessoal era de 10.000 contos de reis, que equivaliam a 10.000 kg. de ouro, (a gr. a R$ 50,00 dá R$ 500 milhões) que equivaliam a 1/10 do total das exportações brasileiras do ano de 1865.

2) EM 1867 O CAPITAL de sua firma MAUÁ & Cia. era de: 115.000 contos de réis, que equivaliam a 12 milhões de libras esterlinas ou 60 milhões de dólares americanos.

Nota: Referências econômicas da época para melhor entendimento do que significava esta enorme fortuna de 115.000 contos de réis de Mauá e, para melhor avaliar esse enorme valor, seguem algumas comparações:

1º) em 1867, o Orçamento de todo Império do Brasil era de 97 mil contos de réis.

2º) Cornelius Vanderbilt (o homem mais rico do sec. XIX) deixa herança de 100 milhões de dólares.

3º) em 1865, o Banco da Inglaterra tinha ativos de 43 milhões de libras.

4º) em 1854, todo o comércio internacional do Brasil era de 175,9 mil contos de réis.

3) EM 1870 o capital do Visconde estava reduzido a 80 mil contos de reis.

4) EM 1876 O VISCONDE DE MAUÁ NÃO TINHA MAIS A FIRMA MAUÁ & Cia. E ESTAVA REDUZIDO A 10 mil contos de réis que equivaliam a 1,1 milhão de libras esterlinas, porém ainda ERA O HOMEM MAIS RICO DO PAÍS, com sua Cia. Agrícola Pastoril que era um sucesso.

5) A 2/7/1878 decretou sua própria falência e, para pagar todas as dívidas com os credores, ele pôs à venda tudo o que tinha. Ainda lhe restaram, 1,5 mil contos de réis de sua Cia. Agrícola Pastoril (e talvez a receber, 1,3 milhão de libras, quase 12 mil contos de réis).

6) EM 1885 O VISCONDE é APENAS um HOMEM RICO, DESILUDIDO e DOENTE, refugiado em Petrópolis, com uma empresa de corretagem no Rio e estâncias de gado no Uruguai, fazendo temporadas em Lambari e Poços de Caldas para cuidar do diabetes.


O Visconde de Mauá morreu a 21/10/1889, logo após acontece a República e D. Pedro II vai para o exílio.


Fontes de consulta para estruturar esse trabalho:

Anuário Genealógico Brasileiro, Ano III, pgs: 159 a 164, 1941.

Mauá, Empresário do Império, Jorge Caldeira, Cia. das Letras, 1996. Fls: 13, 14, 17, 19, 32, 38, 39, 40, 41, 43, 53, 60, 79, 83, 93, 283, 292, 294, 305, 428, 473, 516, 535.
 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes