TESTAMENTO da 1ª BARONESA de CAJURÚ, comentado.


 


  Aníbal de Almeida Fernandes, 4º neto, Abril, 2012, atualizado Novembro, 2016. 


Este Testamento é prova definitiva da existência de Ana (Elisa da Conceição), 3ªavó de Anibal, que não aparece na relação de filhos dos 1ºs Barões de Cajurú, veiculada no site projetocompartilhar@yahoo.com.br



A 1ª Baronesa de Cajurú, Ana Inácia Ribeiro do Vale de Carvalho, (*24/8/1804 +11/1/1889), 4ª avó de Anibal, é filha de Capitão Ignácio Ribeiro do Valle c.c. Ana Custódia da Conceição, (b. em 1788 e f. a 13/12/1839, filha de José Alves Lima e Ana Maria da Conceição), é neta de Felisberto Ribeiro do Valle c.c. Ana Custódia de Paula (filha de Domingos da Costa Guimarães, c.c. Rita de Souza), é bisneta de Antonio Ribeiro do Valle, 7º avô de Anibal, n. 1713, e f. em São João d’El Rei a 12/6/1763, (na Capela de São Miguel do Cajurú, a 13/6/1739, c.c. com Rosa Maria de Jesus), é trineta de André do Valle Ribeiro, 8º avô de Anibal, (n. 1675, Valongo, Porto, Portugal, f. 1721, São João d’El Rei, MG), c.c. Tereza de Moraes, nascida em São Paulo. Ana Inácia, 1ª Baronesa de Cajurú, está enterrada em jazigo no cemitério da cidade de Andrelândia MG, (com território desmembrado de Aiuruoca, foi criada, em 1864, a Vila Bela do Turvo, elevada, quatro anos mais tarde, a categoria de cidade. A comarca foi criada por lei imperial do ano de 1878, atual Andrelandia).   Ana Inácia é viúva de João Gualberto de Carvalho, 4º avô de Anibal, fal. 1869, 1º Barão de Cajurú a 30/6/1860, que foi Comendador da Real Ordem de Cristo e da Imperial Ordem da Rosa.   O Testamento da 1ª Baronesa de Cajurú tem o valor de 145:597$942 (cento e quarenta e cinco contos, quinhentos e noventa e sete mil e novecentos e quarenta e dois reis) que corresponde à sua terça parte e nos permite avaliar a fortuna do 1º Barão de Cajurú, pois considerando a terça parte da Baronesa mais os 2/3 da legítima do Barão, temos um patrimônio total de 436:793$226. Em 1869 quando 1:000$000 (1 conto de réis) comprava 1 kg de ouro, este patrimônio equivale a 436,793 kg. de ouro e  considerando a gr. de ouro a R$ 144,90, (5/5/2016), teríamos um patrimônio equivalente a R$ 63.291.426,00 milhões em 2016.


   Registro do testamento (1880) com que faleceu a excelentíssima Baronesa de Cajurú, como abaixo se declara: 


Em nome da Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, em quem eu Baronesa de Cajurú firmemente creio, em cuja fé protesto viver e morrer. Este é o meu testamento de última vontade. Declaro que fui casada com o Barão de Cajurú, já falecido,


  e de meu consórcio existem vivos nove filhos que são os seguintes:

1º) Ana Elisa da Conceição (tem o mesmo nome Ana, que a mãe Ana Ribeiro do Valle, a avó paterna Ana Maria Joaquina, a tia paterna Ana do Angaí, a avó materna Ana Custódia da Conceição, e as bisavós maternas Ana Custódia de Paula e Ana Maria da Conceição), 


Flávio Mário de Carvalho Jr. 3º neto do 1º Barão de Cajurú, forneceu dados sobre a 3ª avó de Anibal, Ana Elisa da Conceição, obtidos em sua pesquisa no Livro de Batismos de Dezembro de 1855, pg. 21, da Paróquia de Sto. Antonio do Rio Bonito de Conservatória, RJ, ou seja, mais uma prova da filiação de Ana Elisa com os 1ºs Barões de Cajurú.



  casada, (em 2ªs núpcias) com Joaquim Alves Gomes, 

2º) Militão Honório de Carvalho, bat. a 10/5/1828, 2º Barão de Cajurú (Dec. de 1889)


em 1853, c.c. sua prima-irmã Maria Cândida, filha do 1º Barão de Cabo Verde (Dec. de 1881); 

3º) Maria Brazilina da Conceição, bat. a 29/8/1826, c.c. Capitão Manoel Teodoro Pereira, pais, entre outros, do Cel. Ignácio Pereira de Carvalho c.c. Emerenciana Diniz Junqueira Monteiro de Barros.

4º) Libânia Jesuína Carolina, Viscondessa de Arantes


c.c. seu primo-irmão, Antonio Belfort de Arantes, Barão de Arantes (Dec. de 1879) e Visconde de Arantes (Dec. de 1888), (filho do 1º Barão de Cabo Verde-Dec. de 1881);


 5º) Inácio Caetano de Carvalho c.c. Ana Tereza Vargas, donos da fazenda Santa Tereza em Volta Redonda, RJ; 

6º) João Pedro de Carvalho (*6/10/1836 +26/8/1889), c.c. Maria Isabel Marques Ribeiro, (fal. 1903); o casal está enterrado na fazenda Sant’Anna, em Quatis, que era do pai de Maria Isabel o Comendador Manoel Marques Ribeiro, RJ; 

7º) Guilhermina, Baronesa de São João d'El Rei, nascida a 16/6/1838,



c.c. Eduardo Pereira da Silva (*1824 +1881), Barão de São João d’El Rei (Dec. de 1871), pais de 8 filhos: 

Maria, João Gualberto Pereira da Silva, (*9/7/1861), Francisco, Eduardo, Guilhermina, José, Maria José, Esther;

   


  Solar do Barão de São João d’El Rei em São João d’El Rei

 8º) Custódio Ribeiro de Carvalho (*1839 +16/5/1918), 1º c.c. Francisca de Rezende e 2º c.c. Maria da Glória Fonseca, 


9º) José Ribeiro de Carvalho (*21/5/1848 +6/71896), c.c. Luisa Leite Ribeiro.



Nomeio para meus testamenteiros em primeiro lugar ao meu filho Militão Honório de Carvalho, em segundo lugar ao meu genro Capitão Manoel Teodoro Pereira e, para aquele que aceitar a testamentaria, deixo a quantia de seis contos de réis pelo seu trabalho. Declaro que de minha terça da importância de cento e quarenta e cinco contos, quinhentos e noventa e sete mil novecentos e quarenta e dois réis, já adiantei aos meus filhos a importância de quarenta e nove contos, quinhentos e quarenta e quatro mil novecentos e setenta e um réis, dando a cada um deles a importância de cinco contos quinhentos e quatro mil novecentos e seis réis, ficando a minha terça importando em noventa e seis contos, cinqüenta e dois mil, novecentos e setenta e um réis. Declaro mais que também fiz entrega aos meus filhos das duas partes de meus bens, que me couberam no inventário de meu marido Barão de Cajurú, como tudo consta do inventário e partilhas amigáveis que entre mim e eles procedemos. Mando que por minha alma se dirão vinte e cinco missas, por alma de meu marido Barão de Cajurú vinte e cinco missas, e igual número pelas almas de meus escravos falecidos; e mando que se dê no dia de meu enterro e no sétimo dia aos pobres a quantia de seiscentos mil réis de esmolas. O meu funeral será feito á vontade de meu testamenteiro. Deixo para a Irmandade de N. Senhor dos Passos da Cidade do Turvo dois contos de réis para ser empregado na reedificação da sacristia da mesma Irmandade. Deixo também para a Irmandade de Nossa Senhora do Porto do Turvo da mesma Cidade; para a de N. Senhora do Rosário e para a Irmandade do Santíssimo Sacramento da dita Cidade a quantia de duzentos mil réis para cada uma delas. Deixo libertos os meus escravos seguintes: Antônio Mina e sua mulher Bonifácia, Felícia, Leopoldina, Isabel, Bernardina, Generosa e Paulino ficando, porém, o escravo Paulino obrigado a servir ao meu filho Militão Honório de Carvalho por espaço de quatro anos, findo os quais gozará então de sua liberdade. Deixo a meu filho Militão Honório de Carvalho tudo quanto possuo em terras de campos e culturas e na parte da casa e benfeitorias da Fazenda das Bicas; assim mais a Ermida, mobília e todos os trastes que se acharem na mesma casa, e mais a escrava de nome Eugênia, solteira. Deixo à minha neta e afilhada Maria, filha do meu genro Barão de Arantes (só em 1888 ele recebe o título de Visconde), seis contos de réis. Deixo à minha bisneta e afilhada Ernestina, filha do Doutor Ernesto da Silva Braga, um conto de réis e ao meu bisneto e afilhado Arlindo, filho de meu neto Saturnino, a quantia de um conto de réis. Deixo a três filhas solteiras de Joaquim Ferreira, já falecido, de nomes Lúcia, Maria e Mariana cem mil réis a cada uma e deixo a mais três filhos solteiros de Severino, neto do falecido Aleixo Ribeiro, cem mil réis a cada um. Deixo finalmente o remanescente de meus bens para serem repartidos com igualdade pelos meus filhos. Esta é a minha última vontade e disposição para depois de minha morte, e por este testamento revogo qualquer outro.

 Cidade do Turvo, dois de setembro de mil oitocentos e oitenta. Baronesa de Cajurú.

  Livro 2º, fls. 42v/45 do Registro de Testamentos do Cartório do 1º Ofício da Comarca de Andrelândia, MG.

 Fontes pesquisadas para estruturar este trabalho:


*O texto acima do Testamento, foi retirado do livro Terra de André do autor Marcos Paulo Souza Miranda e Flávio de Carvalho O Comedor de Emoções de J. Toledo e foi complementado com informações sobre os 9 filhos.

Nota: Flávio Rezende de Carvalho, n. a 10/8/1899 em Barra Mansa, o famoso modernista, era filho de Raul de Rezende de Carvalho e de Ophélia Crissiuma, neto de Custódio Ribeiro de Carvalho, bisneto do 1º Barão de Cajurú.

*Informações dos Anuários Genealógicos Brasileiros Ano: I, II, III (fl. 397: data da morte do Barão de São João d´El Rei), IV, VI, VII, e IX, do Instituto Genealógico Brasileiro,São Paulo, SP.


*A filiação das 3 Ilhoas segue os documentos oficiais dos Açores, abaixo elencados fornecidos por Helena Freitas da Silva, Mar-2015:


http://culturacores.azores.gov.pt/biblioteca_digital/FAL-HT-ANGUSTIAS-C-1666-1716/FAL-HT-ANGUSTIAS-C-1666-1716_item1/P27.html



*Os Morais de São Paulo, de José Avellar Fernandes, Anuário Genealógico Latino, Vol. 4, 1953.

*Texto do Mausoléu do 1º Barão de Cajurú na fazenda Sant’Ana em Quatis (RJ), que pertencia a Manoel Marques Ribeiro, sogro do filho do Barão (João Pedro), foi fornecido por Roberto Guião de Souza Lima, pesquisador de Volta Redonda, RJ.

*Lúcio Corbolan, atual proprietário da Fazenda Sant’Ana: forneceu as datas de nasc. e fal. de João Pedro de Carvalho e sua mulher Maria Isabel.

*Flávio Mário de Carvalho Jr.: 3º neto do Barão forneceu dados de pesquisas feitas in situ.

*Família Carvalho Duarte Dicionário das Famílias Brasileiras, Cunha Bueno/Carlos Barata, Brasília, 2000.

*Efemérides de São João d'El Rey, Sebastião de Oliveira Cintra, Vol. II, pág. 426 = André do Valle Ribeiro fazia parte do Senado da Câmara de São João d'El Rey, em 1719 e 2ª Edição; informa a morte do 1º Barão de Cajurú em São Miguel de Cajurú, (Arcângelo), São João d’El Rei, MG.

*20 gerações de João Ramalho e Bartyra seus descendentes mineiros de Andrelândia e outras Grandes Famílias, Laerte M. Magno Ribeiro, S. Paulo, 1989, = André do Valle Ribeiro e Tereza de Moraes, só deixaram dois filhos conhecidos que são: Antonio do Valle Ribeiro e Maria de Moraes Ribeiro. (Arquivo do Dr. Cid Guimarães, São Paulo). 
*Flávio Mário de Carvalho Jr. 3º neto do 1º Barão de Cajurú, forneceu dados sobre minha 3ª avó, Ana Elisa da Conceição, obtidos em sua pesquisa no Livro de Batismos de 1855, pg 21, da Paróquia de Sto. Antonio do Rio Bonito de Conservatória, RJ.


Foto do 1º Barão, da 1ª Baronesa e do 2º Barão tirada da Internet: trabalho de Antonio Márcio Silveira Carvalho.

*VASSOURAS a Brazilian Coffee County, 1850-1900 Stanley Stein, Harvard University, 1957:

retrata de maneira clara e objetiva o começo, formação e início da decadência de Vassouras, quando terminam as matas virgens para derrubar e plantar e a rotina míope dos vassourenses que não adubam ou cuidam de proteger a terra onde plantam; e eu nunca tinha lido sobre a confusão e decadência que causou a implantação da estrada de ferro (D. Pedro II) para as vendas e comércio da estrada de terra (Estrada da Polícia). Também me impressionou a mudança das tropas de mulas (cada uma com 9 arroubas) que custavam 33%!!!!!!!!! do que valia o café para transportá-lo até o Rio e quando chega o trem que facilita tudo e fica rei o carro de boi que carregava 100 arroubas até as estações e derruba o custo do transporte e a perda de café e mulas nos constantes acidentes anteriores e Vassouras fica riquíssima e muito sofisticada no seu modo de vida.

Pg 226 os escravos entre 1857-58 valem 73% do valor da fazenda.

Pg 246 em 1882 o escravo é o que vale nas fazendas, pois tem liquidez e as terras estão exauridas.

Pg 247 as propriedades em 1888 desvalorizam 10 vezes em relação a 1860 e o escravo tem valor zero na composição do valor das fazendas, por conta da Lei Áurea.

Pg 251 estima m 500.000 escravos libertos em maio/1888.

pg 260 estima em 500 mil contos de réis a necessidade de dinheiro.

Pg 286, 287, 288: o pasto invade os cafezais e o êxodo das famílias dos antigos fazendeiros segue firme.

Pg 293: em 1825 > 1US$ dolar = 1 conto de reis e passa a equivaler em:

1850 > 0,58US$ dólar = 0,58 conto de reis

1900 > 0,19US$ dólar = 0,19 conto de reis

Pg 294 estima em 17.319.556 hab. a população do Brasil em 1900

Pg 295 estima em 1887 > a existência de 637.602 escravos



Os Carvalho Duarte no Sul de Minas   (atualizado em 06-Abril-2008) 

Capitão José Alves Lima (atualizado em 11-Novembro-2007

 

 
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Genealogia e Historia = Autor Anibal de Almeida Fernandes